NOS Primavera Sound 2015 | Dia #1 (04-06-2015)

NOS Primavera Sound 2015 | Dia #1 (04-06-2015)

Um dia de protagonismo repartido entre o rock e a electrónica

O primeira dia do NOS Primavera Sound não acarreta grandes dores de cabeça, mesmo assim este ano ainda nos forçaram a escolher (algo inédito) entre Patti Smith e Mac Demarco. Uma escolha fácil para uns e mais complicada para outros… Mas comecemos pelo início.

Bruno Pernadas. Ainda não foi desta que nos cruzámos e lamento-o. Apenas deu para escutar os agradecimentos e os nomes dos elementos da banda, com muita pena minha mas enfim… Ficam 10 minutos para olhar em redor e procurar identificar as novidades e mudanças na disposição do recinto. Nada de especial, nem de relevante. Sinal de vitalidade e de que o modelo a que se chegou dá confiança e por isso mesmo há que consolidá-lo.

Os Cinerama estão naquele espectro de bandas que decidiu retomar a actividade. São ingleses e não enganam ninguém. É a terceira vez que actuam por cá, e sempre no Porto, curiosamente. As canções que desfilam no palco NOS também não enganam: matriz pop por vezes atravessada por laivos de punk inseridos sempre de forma precisa. É o típico concerto de final de tarde no Parque da Cidade, que cumpre, pleno de simpatia, mas que não deixará grande recordação.

Com Mikal Cronin sabemos bem com o que podemos contar. Guitarras que cobrem composições rock. Também é ponto assente que “MCIII” é pior que “MCII”, por isso não é de estranhar as reacções bem mais calorosas do públicos às canções deste último. Cronin tem um talento muito próprio para criar pequenos hinos e nem a sua postura algo reservada em palco o impede de mostrar isso ao vivo. Por isso canções como «Weight», «Am I Wrong» ou «Change» souberam a mel!

De Mac Demarco pode-se esperar boa disposição. Com certeza que existem muitos que não partilham desta opinião e o dispensam. Esses foram os que escolheram ir ver Patti Smith e, segundo reza o feedback recolhido, não se terão arrependido de todo. Por aqui acreditem que o arrependimento por ter escolhido ver o Mac foi zero. A expressão na cara de Demarco e de toda a sua banda (há que ser justo) é a de alguém que gosta realmente do que faz e é feliz. Também não é menos verdade que esse sentimento se torna contagiante. Com um alinhamento a alternar entre “2” e “Salad Days”, não faltaram momentos de boa disposição e amena cavaqueira entre a banda e o público (champanhe para celebrar um aniversário, partilha de usernames do Soulseek – lembram-se? -, foram alguns dos momentos). Depois houve espaço para grandes canções como «Salad Days», «Blue Boy», «Passing Out Pieces» ou «Ode to Viceroy». Para o final ficou reservada a sessão de crowdsurfing de Mac Demarco que, a dado momento, levava na mão um manjerico e terminou, já no palco, com as jardineiras pelos tornozelos. Ninguém se esquecerá.

Do concerto de FKA twigs apenas foi possível ver o último terço, visto que chocou com a pausa para comer qualquer coisa. No entanto foi tempo mais do que suficiente para criar uma opinião. A componente cénica do espectáculo da britânica é um dos pontos fulcrais da actuação, envolta num minimalismo quase sempre calculista que nos pretende mostrar uma interpretação muito própria daquilo que poderá vir a ser a pop num futuro próximo. Há um hype em torno de twigs, não se desenganem, porém isso não quer de todo dizer que não exista talento. Existe. E a rodos. A voz é sublime e encaixa que nem uma luva naquelas canções. A postura e a forma de estar são de alguém que sabe perfeitamente o que quer e como quer. É necessário um mindset muito próprio para conseguir apreciar o trabalho de twigs em todo o seu esplendor. Não se encare isto como sendo algo de bom ou mau; simplesmente é assim. Mesmo quase a fechar, surgiu a incontornável «Two Weeks» que conseguiu arrancar a reacção mais intensa, como seria de esperar: “Higher than a motherfucker, dreamin’ of you, as my lover / Mouth open your high”.

Os Interpol já foram uma grande banda. Actualmente é clara a intenção de querer voltar a assumir esse protagonismo. Estão a tentá-lo honesta e genuinamente mas a verdade é que não estão a consegui-lo. O que antes era uma execução sublime de um conjunto de canções ímpar (é recordar o concerto o concerto num SBSR ainda no Parque das Nações, já há alguns anos, com o “Our Love to Admire” ainda fresquinho), é agora uma pálida tentativa disso mesmo. Entre falhas nas afinações dos instrumentos e na voz de Paul Banks, ficamos com uma sensação de desilusão. E nem bombons como «Evil», «Rest My Chemistry», «Not Even Jail», «Slow Hands», «Stella Was Driver and She Was Always Down» ou «Pioneer to the Falls» o conseguem disfarçar por completo. Veremos o que o futuro reserva para os nova-iorquinos.

A The Juan MacLean, em modo de live performance, cabia o papel de sacudir a monotonia resultante do concerto anterior no palco NOS e foi isso que John MacLean e Nancy Whang fizeram. Obrigaram os presentes a sacudir a monotonia dos corpos enquanto dançavam, sempre com o inconfundível carimbo da DFA presente. Sem espinhas! É impressionante como no espaço de pouco mais de 10 anos uma editora se tornou tão marcante na área da música mais vocacionada para as pistas.

A escolha para encerrar a primeira noite de concertos não se podia ter revelado mais acertada. Por ventura mais consensual, Caribou ofereceu um concerto intenso e que surpreendeu os próprios. «Our Love» do álbum homónimo do ano passado foi a primeira canção de um alinhamento que incluiu também «Odessa» ou «Can’t Do Without You», já na recta afinal. Foi o fecho perfeito para o primeiro dia de festival, com protagonismo repartido entre o rock e a electrónica.

Leiam aqui as reportagens dos restantes dias. Dia #2; Dia #3

Reportagens fotográficas: Dia #1; Dia #2; Dia #3



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