NOS Primavera Sound 2015 | Dia #3 (06-06-2015)

NOS Primavera Sound 2015 | Dia #3 (06-06-2015)

Dia de tristeza, de alegria, de saudades e de muitas sobreposições. Eis o último dia!

Um concerto do Manel Cruz é sempre agradável de se ver. Sabemos que não vai desiludir. Mas também é verdade que nesta fase do campeonato não acrescenta muito, por isso uma parte de mim não consegue deixar de pensar se não teria sido melhor opção ver os Xylouris White no palco ATP…

Uma vez Sonic Youth, para sempre Sonic Youth. É uma afirmação de contornos quase dogmáticos. Da formação de The Thurston Moore Band fazem parte Debbie “My Bloody Valentine” Googe, Steve Shelley, outro Sonic Youth, e James Sedwards. É muita história junta. A partir do palco é-nos oferecido um tratado de cordas de guitarra e baixo que se cruzam para formar uma parede sónica ou, como o próprio Thruston fez questão de apresentar o colectivo, “a rock’n’roll consciousness band”, mesmo antes de se atirar a «Germs Burn».

A Damien Rice não faltou coragem. Só e em frente a uma plateia ansiosa por recebê-lo, embora nem sempre conhecedora da sua obra. Foi exactamente nesse ponto que o irlandês conseguiu com toda a certeza capitalizar, muito por culpa da forma como construiu a sua actuação e na entrega que colocou em todas as canções. A meio do concerto, antes de dar o salto ao palco ATP, a próxima paragem, ainda chegavam pessoas ao palco NOS, atraídas pelo som que dali saía…

Os Einstürzende Neubauten arrancam ao som da pacífica «The Garden», “You will find me if you want me in the garden / unless it’s pouring down with rain”, conduzida pela voz grave de Blixa Bargeld, que também integra os Bad Seeds de Nick Cave (passaram pelo Parque da Cidade na edição de 2013). Depois, o industrial que caracteriza o colectivo alemão entra em cena logo de seguida…

Antes de começar a escrever sobre os Death Cab For Cutie fica já aqui a ressalva. Oiço estes rapazes há muitos, muitos anos, por entre álbuns excelentes, bons, inócuos ou simplesmente mauzinhos, por isso a expectativa para os ver era elevada e o reflexo disso neste texto será, com quase toda a certeza, o parágrafo mais longo. O concerto teve início com o delicioso soco na barriga que é «I Will Possess Your Heart» em toda a plenitude dos seus 8 minutos e tal de duração. «Crooked Teeth» pode ter este título mas coloca-nos um sorriso na cara. Anos e anos de espera que finalmente tinham acabado, e da melhor forma até ver. Seguiu-se «Grapevine Fires» e «Black Sun» do mais recente “Kintsugi”. Depois são dados dois passos em falso: «Little Wanderer» e «You Are a Tourist». De seguida (felizmente) surge uma pequena maravilha, composta no já longínquo ano de 2003, que dá pelo nome de «The New Year». Sentimo-nos iluminados por dentro e continuamos a brilhar quando escutamos «Soul Meets Body». Nesta fase já é possível fazer um balanço… está bom mas vai ficar sempre a faltar algo, sabemos disso. Os DCFC já viram melhores dias, o tempo de actuação é curto e há um álbum novo que tem de ser apresentado. Impera uma mistura de sentimentos contraditórios… Mas o melhor estava mesmo guardado para o fim e começou assim “The Atlantic was born today and I’ll tell you how… / The clouds above opened up and let it out.”. Voltem mas como deve de ser. E os versos anteriores são de uma canção que tem o bonito título de «Transatlanticism».

Shellac são rock da cabeça aos pés. Steve Albini é uma lenda viva da cabeça aos pés mas quase ninguém sabe quem é. Só sabem que estão em todos os Primaveras, aliás, atrevo-me a dizer que são a primeira confirmação para a edição de 2016. No palco Pitchfork estavam a fazer aquilo que melhor sabem: tocar rock. Pena que o somo da guitarra estivesse demasiado alta ao ponto de prejudicar tudo o resto, em especial se estivéssemos no interior da tenda que cobre o palco. E eis que chega a altura de seguir novamente para o palco ATP.

Se há banda que tenho a certeza que nunca irei ver completa em palco, são os The New Pornographers. Sim, refiro-me a Neko Case e a Dan Bejar (Destroyer) que tanto dão de si para as canções de Carl Newman. Mas não interessa porque estes canadianos com ou sem eles são grandes à mesma. É um desfile de Canções, sim, daquelas com um C maiúsculo, que nos são oferecidas ali naquele cantinho sagrado do NOS Primavera Sound que é o palco ATP. Senão vejam (ou vão ouvir se não acreditam): «Brill Bruises», «Sing Me Spanish Techno», «Your Hands (Together)», «The Laws Have Changed», «Sweet Talk, Sweet Talk» ou «Mass Romatic». E podia incluir mais se quisesse. Verdade.

Leiam aqui as reportagens dos restantes dias. Dia #1; Dia #2.

Reportagens fotográficas: Dia #1; Dia #2; Dia #3



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