NOS Primavera Sound 2017 | Antevisão (09.06.2017)

NOS Primavera Sound 2017 | Antevisão (09.06.2017)

Olhando apenas para os nomes pela minha cara conseguem passar expressões de alegria, de angústia, de celebração, de melancolia, de revolta, de contemplação, de loucura ou de satisfação. É um cartaz cheio, rico e variado, aquele que temos para Sexta. E como por esta altura ainda não são conhecidos os horários das actuações vou imaginar que vai ser possível ver tudo. A realidade será bem mais dura…

A Angel Olsen é tida como a menina bonita da faceta indie da música made in USA mas verdade seja dita, fez (e muito!) por isso! É impossível escutar “Burn Your Fire For No Witness” ou “My Woman” e não reconhecer duas obras magníficas. Revê-la em palco será um prazer.

A última edição de Bon Iver teve o condão de alienar alguns seguidores e recrutar novos. Em “22 a Million” avança por novos domínios, mais próximos da electrónica e do experimentalismo, e incorporando toda uma parafernália de sons e instrumentos que até então nunca tinhamos encontrado nas canções de Justin Vernon. Por isso, não será de espantar, quando em palco se escutar os versos mágicos de «Skinny Love», seguidos de um vocoder.

O hiato indefinido dos The Walkmen não foi, de todo, sinónimo de abrandamento dos seus membros, antes pelo contrário. Hamilton Leithauser repartiu-se entre as edições a solo e a colaboração com o ex-Vampire Weekend, Rostam, alvo de uma bela e merecida recepção por parte do público e da crítica. Em palco é de esperar canções destas duas facetas da carreira de Leithauser, não sendo também descabido esperar uma visita ao catálogo dos Walkmen.

Os leirienses First Breathe After Coma serão os únicos representantes nacionais do dia e irão mostrar porque motivo o álbum de estreia editado o ano passado integrou praticamente todas as malfadadas listas de fim de ano.

Os Sleaford Mods são a banda que podia ter surgido num qualquer episódio de Shameless (versão original!). Um portátil e muita cerveja serão o garante de um concerto memorável, cravejado de revolta e crítica, sempre com a sociedade inglesa como pano de fundo.

Continuemos por Inglaterra; embaixador e lenda do grime, eis Skepta! O vencedor do Mercury Prize de 2016 vem ao Porto apresentar o álbum que lhe valeu o galardão, “Konnichiwa”, por isso contem com breakbeats a 140 bpm.

Os Swans são tudo menos consensuais, a começar logo pelo seu líder, Michael Gira. Mas são incontornáveis, e esta vai ser a última oportunidade para os ver durante esta segunda existência (e quem sabe senão é mesmo a derradeira) da banda e sentir literalmente na pele o rock experimental, segundo os Swans.

Os escoceses Teenage Fan Club já andam por cá há quase 30 anos e o mais incrível é que continuam imprescindíveis para melhor compreender a pop melódica feita naquela zona do globo, sem que isso tornasse as duas edições mais recentes, menos relevantes.

A anterior passagem dos Whitey pelo nosso país, mais precisamente em Novembro do ano passado, pelo Mexefest foi uma surpresa para muitos que os viram e uma confirmação para outros. Desta vez será o Porto a ter o privilégio de escutar as canções de “Light Upon the Lake”, num registo único pela forma como combina o rock, a soul e até o country.

Admitam: nem sempre conseguem dizer o nome dos King Gizzard & The Lizard Wizard. Não, sem pelo menos enrolarem a língua numa das sílabas uma vez ou outra. Brincadeiras à parte, os altamente produtivos australianos (têm 8 álbuns em 4 anos!!) vêm ao Parque da Cidade para nos mostrar a sua visão do psicadelismo.

Numa época em que o revival dos 90 está em voga, os norte-americanos Cymbal Eat Guitars, optam por não se conformar e reinventam sonoridades familiares a uns Pavement ou a uns Built to Spill. Com um olho no passado mas com o outro olho e o pensamento no futuro.

Neil Hagerty pertenceu aos Pussy Galore (banda liderada por Jon Spencer, sim esse mesmo) antes de criar os Royal Trux em 1987. O resultado ainda hoje ressoa nos ouvidos de muitos; rock e blues de essência pura e directamente na veia.

A canção americana tem muitas facetas e o country é uma delas. Os últimos anos têm trazido uma nova geração da qual Nikki Lane faz parte e que integram outros géneros, como o rock e os blues nas suas composições. E porque o folk é igualmente um género incontornável na música proveniente do lado de lá do atlântico, teremos também o prazer de escutar a intensa Julien Baker a cantar as canções de “Sprained Ankle” e, quem sabe, com mais alguma surpresa. Já o também norte-americano Jeremy Jay, que agora faz parte do catálogo da catalã El Segell, visitará o Porto para mostrar o seu synthpop adornado com atmosferas dos anos 50.

Para nos colocar a dançar como deve ser também não faltam opções de qualidade. Do incontornável Nicolas Jaar, aos australianos Pond (que incluem membros dos Tame Impala e Kevin Parker himself como produtor), ao House de Mano Le Tough e terminando no techno experimental de Richie Hawtin CLOSE.

Bate, bate coração.



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