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NOS Primavera Sound 2016 | Dia #3 (11.06.2016)

Dia leve, solto e de amor sem despedidas com os pés no ar

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Dois dias de NOS Primavera Sound que passaram a voar, mesmo não usando relógio de pulso, ficando com o coração cheio de sorrisos e abraços. Para este terceiro dia havia algumas expectativas em torno de alguns dos nomes do cartaz que não desiludiram (pelo contrário) e a vontade de aproveitar tudo ao máximo era elevada. À chegada ouvia-se alguém a comentar que na noite anterior tinha conseguido juntar uma série de copos e que o valor dos copos tinha chegado para pagar o táxi. ‘Gente louca?’ pensam vocês? Gente esperta! Este ano, o copo de cerveja custava 2€. Ao fim da noite podias devolver os copos vazios que o dinheiro era devolvido. A ideia de evitar lixo no recinto parece ter resultado e alguns devem ter conseguido encher os bolsos. Tudo certo, bons negócios. Ao longe, algumas filas para alguns brindes, e mais fila para as famosas coroas de flores.

Acabámos por ir para a fila da frente ver e ouvir a belíssima Cate Le Bon (perdoem-nos, Linda Martini, nós curtimos de vocês, mas são opções). Estreante em Portugal e com um novo disco, Cate Le Bon e os seus amigos fizeram desta tarde solarenga uma tarde super hiper mega fofinha. Lembram-se do artigo que fizemos sobre a antevisão? Este concerto era um dos que recomendámos… E fez justiça a todas as palavras, sensações e sei lá mais o quê que estávamos à espera de ver. Todos vestidos de preto com pequenos apontamentos desenhados no rosto, a mistura entre o indie rock e o jazz e uma voz desalinhada, fizeram os nossos corações acreditar que «Love Is Not Love» é um bom single – e uma verdade irrevogável – e que “Crab Day” é um discão. Valeu, Cate, e volta depressa.

Passámos pelo palco Super Bock, de cerveja na mão, para espreitar Algiers, mas as músicas soaram um bocado desconcertantes, canção após canção, que acabámos por ir até à zona de imprensa onde a organização e o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, se apresentaram para anunciar novas datas para o NOS Primavera Sound 2017. Como já entenderam, no próximo ano haverá uma nova edição e esta terá lugar nos dias 8, 9 e 10 de Junho, igualmente no Parque da Cidade. A parceria com a Câmara Municipal do Porto mantém-se e este ano parece que passaram pelo recinto perto de 80 mil pessoas durante os três dias de festival. Isto significa que a marca institucional já faz parte da rota dos festivais de verão e que é uma enorme referência no ‘mercado internacional’. Se até o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa esteve presente no festival… do que estás tu à espera?

Posto estas formalidades, o estômago anunciou fome e fomos espreitar a zona de restauração. Os hambúrgueres do Puorto continuam ultra saborosos, mas com uma fila interminável que nos fez perder Chairlift (escutámos ao fundo o single «Ch-Ching» e no dia anterior encontrámos três membros da banda a curtir o concerto de Empress Of).

Terminar de comer mesmo quando os Car Seat Headrest subiram ao palco Pitchfork (mais uma vez, o palco mais fixe e surpreendente do festival sempre a somar pontos). Arrisco a dizer que foi dos concertos com mais pessoas naquele espaço e onde todos, mas todos, abanavam a cabeça e cantavam as canções de “Teens Of Denial”. Will Toledo e a sua rapaziada estavam super admirados com tamanha recepção e agradeceram vezes sem fim: “fazemos isto para vocês”. E ficámos encantados – tanta timidez e, ao mesmo tempo, tanta energia e à-vontade. Will Toledo também sabe o que faz e ter captado a atenção da editora Matador Records (a mesma editora de Steve Gunn) foi a cereja no topo do bolo para sair do anonimato e tornar-se o roqueiro mais Geek do momento. Corações para o Will.

Puro fun e puro rock! Mais uma expectativa bem superada e as nossas apostas a serem inteiramente ganhas. Mais uma voltinha, mais uma cerveja, e perder Drive Like Jehu (sim, há uma tristeza… mas acreditamos que os veremos em breve). Passagem então para o palco NOS e o insólito: uma espécie de cordão humano a proteger os apresentadores da televisão oficial do festival e esse mesmo cordão humano a tentar impedir-nos de passarmos. Figuras que ficam mal porque nem fazemos mal. Bom, posto isto lá conseguimos chegar à beira do palco para ver os franceses AIR. Não foi espectacular, mas também não foi assim tão mau. Se calhar devíamos ter optado por Drive Like Jehu e Titus Andronicus, mas ao menos escutámos a versão instrumental de «Playground Love», canção que acreditámos que não iriam tocar e um tímido «Sexy Boy». O prémio de tolos do festival vai para, em exéquo, os casais que estavam à nossa frente: o primeiro casal a tirar selfies sem fim e o outro casal que tinha um pau de selfies mas que filmava o concerto e o viram através do seu smartphone.

Em romaria para ver explosões. Estilo #mongodasgrades (quase). Olhar para o céu, olhar para o palco, olhar para o céu. Fechar os olhos e mergulhar no som límpido. Não há grandes palavras que sirvam para descrever o concerto dos norte-americanos Explosions In The Sky. Foi lindo, maravilhoso, espectacular. Em todos os aspectos – sobretudo quando se consegue afastar por alguns minutos do momento real e observar as pessoas – os seus rostos, os seus gestos e todos, mas todos, estavam a usufruir de uma certa leveza que se fazia sentir ali.

Para acabar em bem e dar cabo da paz interior, vivendo uma vida louca e chegar ao concerto de Ty Segall and The Muggers – todos vestidos com fatos de macaco (aqueles fatos inteiros como os mecânicos). Um boneco de plástico e uma máscara e a promessa que de ia ser um grande concerto, isto porque em Espanha Ty Segall ‘rebentou’ a escala e foi mais do que um sucesso. Trouxe consigo um novo disco – “Emotional Mugger” – e ainda apresentou a banda dizendo que a tinha conhecido na Disneyland. Houve crowdsurfing e uma exclamação de que éramos muito perigosos. Houve rock’n’roll e cânticos. Foi outra expectativa mais do que superada, mesmo estando todos ‘semi cegos’ aquela hora.

Assim se passaram três dias de puro divertimento, de encontros e até desencontros – infelizmente não temos o poder de teletransporte. O NOS Primavera Sound 2016 não desiludiu, de todo. É daqueles festivais que servem para nos lembrar que a vida são dois dias (neste caso, três!).

Fotografia por Graziela Costa | © Rua de Baixo. Todos os direitos reservados



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