Nouvelle Vague @ Garage

Just for sexy people.

Pouco passava das vinte e uma horas da noite de 14 de Setembro quando, sob um misto de luzes multicolores, entraram em palco os Nouvelle Vague, ansiosamente aguardados por uma enorme audiência que conseguiu tornar reduzido o espaço para os receber.

Ao som dos Echo & the Bunnymen, com «The killing moon», do segundo álbum, “Bande a parte”, começaram por seduzir o público, que não mais conseguiu parar de dançar até ao fim do espectáculo.

Continuando na linha da Bossa Nova, iam desfilando temas como «Dancin´with myself» (Billy Idol), «Making Plans For Nigel» (XTC), «Guns Of Brixton» (The Clash) ou mesmo «Blue Monday» (New Order) que iam deliciando os mais saudosistas.

Seguiu-se «Too Drunk to Fuck», um dos melhores momentos do concerto. A expressividade e a qualidade que Melanie Pain e Phoebbe Kildeer (as cantoras de “serviço”) emprestaram a este tema foi no mínimo surpreendente, ao ponto de ninguém conseguir parar de cantar o refrão, mesmo quando a música… já tinha acabado. Se os Dead Kennedys as tivessem visto e ouvido, provavelmente teriam preferido sem dúvida esta versão.

A diferença entre as duas vozes é notória. Se, por um lado, a voz melancólica e doce de Melanie lhe permite interpretar temas dotados de uma vertente mais acústica, os que mais se aproximavam do som da Bossa, como «Heart of Glass» (Blondie) ou o lindíssimo «Dance with me» dos Lords of New Church, já de Phoebbe não podemos dizer o mesmo. Toda vestida de vermelho e preto, qual femme fatale, encarnou por alguns momentos uma personagem de teatro de contornos algo sombrios em «Bela Lugosi´s dead» (Bauhaus) e «Human Fly» (The Cramps), que assim o “pediam”, hipnotizando um público tremendamente rendido à sua sensualidade.

Será que alguém ali presente se lembrava mesmo que estava perante uma banda de “covers”?

De facto, a componente instrumental é relegada para segundo plano devido ao poder interpretativo das vozes, mas também não podemos esquecer a percussão de Thomas, a guitarra de Olivier Libaux ou as teclas e sintetizadores de Marc Colin, que são os responsáveis pela sonoridade tropical/bossa nova dos Nouvelle Vague.

Mesmo antes do primeiro encore, outro momento alto da noite pelo qual muitos ansiavam, o maravilhoso e eterno «Love  will tear us apart» dos Joy Division, que resultou numa versão absolutamente genial, tendo tido um final acapella.

Como se costuma dizer, “save the best for the last”. E foi isso mesmo que aconteceu. Após terem abandonado o palco por breves minutos, regressaram com grande entusiasmo por parte do público, para nos brindarem com o tão esperado «A Forest»  (The Cure) , «In a Manner of Speaking» (Tuxeedo Moon) e, para terminar em grande, como disse a própria Phoebbe, iam tocar uma “versão sexy para pessoas sexy”. Completamente num registo rock e blues, «Just Can´t Get Enough» dos Depeche Mode conseguiu surpreender todos pois afastou-se totalmente da versão que está no primeiro álbum. Já não estava à espera que tocassem esta mas “fizeram-me” a vontade. Realmente “no one can´t seem to get enough” dos Nouvelle Vague.



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