Nova música brasileira

Pois é. Ao que parece do Brasil já não chega só o forró ou o samba.

O Brasil é um país cheio de surpresas. De lá nos chegam as mulatas, o futebol, o samba, mas não só. Nos últimos anos temos assistido a uma enorme explosão de nova música brasileira que quer fazer esquecer que só o samba faz sucesso. Perante uma constatação tão óbvia, e olhando para o impacto que esta nova música brasileira tem no festival Hype, a decorrer no dia 10 de Julho, decidimos dar aqui a conhecer o que os nossos irmãos nos oferecem nesse dia.

Para além de DJ Dolores, o qual já abordámos (ver artigos relacionados), lá pelos lados do Meco vamos poder ouvir Fernanda Porto, Otto, Trio Mocotó e Kaleidoscopio. Em comum têm a particularidade de serem altamente dançáveis e cantados em português.

Fernanda Porto apresenta-se nos palcos das principais capitais brasileiras desde o início da década de 90.

Fernanda pesquisou a música electro-acústica e as vertentes da música da vanguarda electrónica de Edgar Varese e Kalheinz Stockhausen, no curso de Composição Internacional. Na mesma altura, formou-se em Canto Lírico e em piano erudito. Por esta altura, começa a interessar-se pela música electrónica e pela tecnologia musical. Inicialmente, utilizava estes recursos para elaborar arranjos e compor bandas sonoras. Com a evolução natural do seu trabalho, a sonoridade electrónica acabou por incorporar o seu trabalho autoral. O primeiro projecto electrónico em que participou foi o Conexão MIDI, ao lado de Mitar Subotic, Wagner Tiso e Márcio Montarroyos.

Otto é um compositor, cantor e percussionista pernambucano e um dos fundadores, ao lado de Chico Science e Fred 04, do movimento Mangue Beat, que renovou a música brasileira. Ex-integrante dos grupos Nação Zumbi e Mundo Livre S.A., lançou-se em carreira a solo em 1997, durante o festival Abril Pro Rock, realizado anualmente no Recife. Em Novembro de 1998 lança o aclamado “Samba pra Burro” e recebe o prémio da crítica da revista Showbizz em três categorias – Revelação, Melhor Música (“Bob”), Melhor Disco (“Samba pra Burro”) – e o troféu APCA de Melhor Disco do Ano. O seu segundo videoclip, “Bob”, com direcção do premiado cineasta pernambucano Lírio Ferreira e direcção de fotografia do também premiado Walter Carvalho recebe o prémio MTV – Video Music Brasil ’99 de Melhor Videoclip Revelação.

O projecto electrónico Kaleidoscopio surgiu em 2002, formado pelo DJ e produtor Ramilson Maia (Ram Science e Currupio), em parceria com a cantora, compositora, bailarina e acrobata Janaína Lima e com o músico e também produtor Gui Boratto. Com os sucessos “Tem Que Valer” e “Chuva”, o grupo conseguiu, no seu CD de estreia, uma significativa repercussão, sempre misturando música popular brasileira e música electrónica, principalmente o beat do drum ‘n’ bass. O seu repertório é vasto, além das composições, regravações de clássicos como “Tarde em Itapuã” e “Flor de Lis”.

O Trio Mocotó é a mais velha formação aqui presente. Nascidos em 1968 em São Paulo, Nereu “Gargalo”, João Parahyba e Fritz “Escovão” receberam o nome de Trio Mocotó porque, em 1969 quando a mini saia invade o Brasil, estes três amigos não se cansavam de dar uma espreitadela a todas as coxas que passavam e de construírem comentários com quem fosse que estivesse ao lado. Como eles próprios dizem: “era um verdadeiro desfile de mocotós” o que se verificava na altura.

A sua batida característica surgiu da parceria com Jorge Bem o que lhes tem valido um merecido sucesso. Entre tournées um pouco por todo o lado e duas participações no Festival Internacional da Canção, a sua carreira foi-se consolidando e adaptando aos novos tempos. Certas faixas chegam a parecer drum ‘n’ bass, mas sempre com aquela particularidade da música popular brasileira (podem ouvir algumas faixas em www.trimocoto.com.br).

O Trio separou-se em 1975 mas, devido à utilização de faixas do grupo por vários DJ’s, como o Marky ou Xerxes, a banda retornou em 2000, e conta na sua formação actual com Giba Pinto, Rogério Rochilitz, Janja Gomes e VitorSão José.

São argumentos de sobra para se deixarem render à nova música brasileira. Agarrem numa caipirinha e deixem-se contagiar pelos seus ritmos estivais.



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