As novas capitais da moda

As novas capitais da moda

A moda já não se limita às “quatro grandes”

Na actualidade, a moda é imediata. Estamos verdadeiramente a um clique de distância para vermos o que de mais interessante se passou nas quatro grandes semanas da moda: Paris, Londres, Milão e Nova Iorque. Mas não são as únicas a considerar.

Durante as principais semanas da moda, acedemos quase em tempo real aos pontos de vista dos desfiles que mais nos agradam, vemos todos os detalhes ao pormenor, publicamos nos blogs os looks que mais nos marcaram e ainda analisamos o streetstyle mais interessante. As grandes casas mantêm o status-quo com desfiles espectaculares, uma cuidada promoção através das mais notórias estrelas do cinema e da música e, como é expectável, no fomentar do desejo das fashion victims em possuir “aquela” mala, “aquela” sweater. Como resposta das marcas da high street, num curto espaço de tempo versões “inspiradas” nas peças mais trendy vão parar às montras e prateleiras: a capacidade de resposta da indústria a uma tendência é de uma rapidez inédita. O factor novidade perde-se rapidamente.

O boom da Internet não revolucionou apenas a velocidade a que a moda, e principalmente as tendências, se movem; a Internet permitiu-nos aceder ao que anteriormente era periférico, marginal, obscuro. As semanas da moda mais inesperadas ganharam uma nova proximidade, uma renovada e merecida importância. São uma lufada de ar fresco cada vez mais indipensável: novos nomes, novas perspectivas e novas realidades são dadas a conhecer em cidades como São Paulo, Joanesburgo, Sidney, Seoul, Estocolmo, Madrid. E, mais do que nunca, podemos seguir atentamente o que por lá se passa.

A independência em relação aos grandes grupos, o apoio aos jovens designers e a ampla cobertura dedicada pelos bloggers fazem com que cada vez mais os olhos atentos da imprensa especializada e do público se virem para as semanas da moda nestes destinos. Na era da informação, o consumidor vive ávido de novidades, e a resposta a esta sede pode estar nas novas capitais da moda. É uma realidade na qual todos ganham: por um lado, os eventos e, principalmente, os designers conseguem a tão desejada projecção internacional; por outro, os consumidores e especialistas contactam com abordagens frescas, com uma espécie de mundo novo, pouco explorado e, por isso, emocionante.

A presença dos mais influentes bloggers nestas semanas da moda – que aqui ganharam o protagonismo da “velha escola” da imprensa – foi a chave para o crescente protagonismo das novas capitais da moda. Vale a pena dedicar o máximo de atenção, quer às colecções, quer ao que se passa fora da passerele, na rua – onde também reina a criatividade, mas a do estilo pessoal. Nunca se sabe de que canto do mundo virá o novo grande nome da moda. A explosão brasileira de Alexandre Herchovitch, a urbana Undercover japonesa, o exotismo luxuoso do libanês Basil Soda ou o minimalismo masculino do sueco Ubi Sunt tornaram-se tão acessíveis e desejados como os nomes incontornáveis das quatro grandes capitais.

O maior teste para estes designers será ultrapassar as barreiras internacionais, ganhando espaço nas semanas da moda das “quatro grandes”, encontrando representantes nas principais capitais de consumo e solidificando a capacidade de resposta às encomendas. Mais importante, numa era em que o fluxo de informação é rápido e abundante, é conseguir cativar os consumidores mais do que alguns minutos, resistir ao efeito “wow” da Internet e sobreviver à prova do tempo. Afinal, os nomes exóticos são sempre mais difíceis de memorizar. Vale a pena estar atento.



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