Novo Museu dos Coches

Novo Museu dos Coches

Um edifício que dá que falar

Decorridos três anos após o lançamento da primeira pedra, aguardar-se-á mais dois para o novo Museu dos Coches abrir as suas portas aos visitantes e à cidade. O projecto, da autoria do arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha – vencedor do Pritzker 2006 -, em parceria com o arquitecto português Ricardo Bak Gordon, vem dar continuidade e impulso, a uma série de projectos que visam uma reestruturação e dinamização da frente ribeirinha de Lisboa, desde o CCB aos Jardins do Braço de Prata do Arq. Renzo Piano, a Oriente.

O novo Museu dos Coches vem acabar por fazer o remate da zona de Belém, a Nascente, o que ainda não se tinha conseguido desde o fim da Exposição do Mundo Português de 1940, constituindo-se como um ícone, por si só, mas igualmente pertencente a um conjunto centenário icónico na cidade de Lisboa.

O projecto para um novo Museu dos Coches serve, quase como pretexto, para uma reestruturação daquele território, criando espaços públicos, percursos na cidade e relacionando-se com os elementos pré-existentes.

A sua configuração é composta por um pavilhão de exposições “levantado do chão”, sendo que de uma área de construção disponível de15 000 m2foram construídos12 000 m2. Esta suspensão a 4,5m pretende assegurar a integridade de todo o recinto, mantendo-se o espaço público, quer de passagem quer de permanência, oferecendo-se à cidade uma nova praça pública.

O projecto teve que lidar com duas questões, uma de carácter programático (a museologia), e outra de carácter urbanístico. No que concerne à museologia, o critério baseou-se na preservação definitiva do espólio, em consonância com cenários cambiáveis: exposições e oficinas a par do recurso às novas tecnologias, como o uso de som e imagens virtuais, associadas aos objectos originais. O pé-direito de10 metrospermite dar uma ideia de espaço infinito, contribuindo para que os coches não fiquem confinados, como afirma Mendes da Rocha.

Quanto à escala urbana, o objectivo consiste numa disposição espacial integrada na zona, com a criação de percursos e uma nova vitalidade. O museu favorece essa integração, de “logradouro público”, estando no espaço, como memória, a Rua do Antigo Cais da Alfândega, onde chegava o rio Tejo, pretendendo também, o museu, ser uma memória da cidade.

O edifício é constituído por um pavilhão principal, uma nave suspensa para as exposições e um anexo com recepção, administração, restaurante e auditório, articulados com uma passagem pública pedestre até ao Tejo, constituída por uma sucessão de rampas. A disposição espacial destes corpos, com uma ligação aérea entre os dois edifícios de entrada, cria um pórtico para a pequena praça interna, um largo, para onde se viram as construções preservadas na Rua da Junqueira, criando uma nova frente e abrindo-se para o recinto através de pequenos cafés, livrarias, numa recomposição do que era a Rua Cais Alfândega Velha.

Novo Museu dos Coches

 

Novo Museu dos Coches

A forma como é feita a transição de cotas, nos seus percursos dinâmicos, conferem ao Museu a sua dimensão de espaço público, “rigorosamente protegido e imprevisivelmente aberto”, segundo o arquitecto.

Envolto em algumas polémicas, o novo “cofre aberto” dos coches já viu alterada não só a sua data de inauguração, como também o seu acervo, inclusive com a própria construção a ser posta em causa, devido ao panorama da actual situação. O número de visitantes – museu mais visitado do país -, e a dinamização da zona ribeirinha com reflexo no turismo e na economia do país configuram-se como pontos que justificam a viabilidade desta nova construção.

Porém, o que se poderá visitar em 2015 serão mesmo os coches que se encontravam expostos no antigo picadeiro, permanecendo alguns deles ainda nesse espaço. Até lá, e para os mais curiosos, o novo museu abriu as suas portas para o Open House inserido no âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa.

 

Texto de Filipa Taborda



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