“O Aleph” | Jorge Luis Borges

“O Aleph” | Jorge Luís Borges

O maior inventor de todos os tempos

Ser considerado um dos maiores nomes da Literatura sem nunca ter escrito um romance poderá parecer, para alguns, um caso estranho. Porém, para os que conhecem a escrita e a obra de Jorge Luís Borges, a tal distinção faltaria acrescentar, pelo menos, um Nobel. Aliás, se as coisas na academia sueca funcionassem à semelhança da FIFA, Borges arriscar-se-ia a receber, tal como Messi, o prémio durante quatro anos a fio. Pelo menos.

O Aleph”, livro recentemente editado pela Quetzal, é um caso de puro assombro. O autor mostra aqui a sua forma muito singular de baralhar a realidade com a ficção, criando um universo ilusório onde a vida se torna um lugar propício ao surgimento e à fruição do fantástico; como se a nossa curta aparição na terra estivesse condenada – no melhor dos sentidos – à eternidade.

Em 17 pequenos-grandes contos, Jorge Luís Borges discorre sobre alguns dos temas universais que estiveram, desde sempre, presentes na sua escrita: o tempo, o sonho, o infinito, a morte, a justiça, Deus, a ética. Sempre com o fantástico como papel de parede: em «O imortal» procura-se a secreta Cidade dos Imortais e a vida eterna; «História do guerreiro e da cativa» é um dos dois contos – a par de «Emma Zunz» – que parte de factos fidedignos, e que revela a escolha entre o lado racional ou animal da vida; «A casa da Astério» é uma fábula sobre um deus que aguarda o seu redentor; «Abenjacan, o Bokhari morto no seu labirinto» conta a história de um homem preso no seu próprio esconderijo, guardado por um escravo e perseguido por um morto sedento de vingança; «Os dois reis e os dois labirintos» mostra que a melhor prisão não precisa de ter escadarias, portas ou paredes; «O Aleph», que dá título ao livro, é o conto supremo, trespassado pela loucura, onde numa casa à beira da demolição se poderá ver, através de um único ponto, o Universo inteiro.

Com uma imaginação que é do melhor que aconteceu à Literatura em toda a sua história, Jorge Luís Borges oferece em “O Aleph” puzzles filosóficos e enigmas sobrenaturais, apresentando-nos a personagens que escondem, dentro de si, a realização plena enquanto seres humanos. Um triunfo absoluto da escrita.

Uma edição Quetzal



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