“O Amigo Andaluz” de Alexander Soderberg

“O Amigo Andaluz” de Alexander Soderberg

Crime à Escala Internacional

O espaço literário internacional dos romances tidos como policiais é frequentemente assaltado por uma next big thing oriunda dos países nórdicos. As expectativas são muitas mas na maioria das vezes, infelizmente, o que testemunhamos é uma constante repetição de fórmulas ainda que, por vezes, existam casos muito pertinentes.

Apelidado como “a nova voz do policial nórdico”, Alexander Soderberg – sueco natural de Estocolmo que tem experiência como argumentista na televisão do seu país e inclusive já tenha adaptado obras de Camilla Lackberg – faz-nos chegar “O Amigo Andaluz” (Porto Editora, 2014), o primeiro tomo da trilogia “Brinkmann” e que tem como figura central Sophie Brinkmann, uma enfermeira viúva que ao envolver-se com um ex-paciente vê a sua vida mudar completamente.

O culpado dessa alteração é Hector Guzman, um homem elegante e sofisticado que por trás de um charme irresistível lidera uma rede internacional de crime organizado. Fruto da sua condição, Guzman não é pessoa de aceitar um não como resposta e o vasto leque de recursos que apresenta é um garante de vitória face a qualquer obstáculo ou rival.

A viver uma situação emocional que caminha para um esperado equilíbrio face à perda precoce do seu marido, Sophie tem por melhor companhia e companheiro, Albert, o seu filho de 14 anos, mas a presença de Hector vai trazer um sol há muito esquecido.

Aos poucos, Guzman conquista a atenção e o coração de Sophie que se deixa levar. Mas o mundo do andaluz é escuro como as trevas. O tráfico de drogas não obedece a qualquer regra e nada melhor que possuir um poderoso manancial bélico para conseguir a vitória.

Enquanto a enfermeira está anestesiada com a atenção de Guzman, a sua casa está sob vigilância e a sua família em risco. A polícia abeira-se de Sophie para a ajudar mas esta está dividida. Em quem poderá confiar? Em um criminoso charmoso e apaixonante ou em um sistema policial que utiliza métodos estranhos e perigosos?

“O Amigo Andaluz” não é um livro fácil. Até o leitor encontrar o ritmo e a orientação correta para se inteirar desta obra de Alexander Soderberg aconselhamos vivamente o recurso a uma das primeiras páginas do romance que tem uma lista de personagens que são muitos e de variadíssimas nacionalidades.

Ao contrário da maioria dos romances policiais, nórdicos ou não, “O Amigo Andaluz” não tem uma narrativa “padronizada”. Neste livro não se procura um assassino de um crime em particular e o rumo da estória assemelha-se às camadas de uma cebola, tantas são as suas tramas. Suecos, russos, espanhóis e alemães disputam entre si a atenção e partilham um mundo sórdido no qual está retratada a fragilidade do ser humano.

Dividido em quatro partes, “O Amigo Andaluz” observa capítulos que divergem a sua atenção entre muitos, acreditem, personagens e locais do planeta. À medida que a tensa história se desenrola, melhor o leitor capta o seu ritmo ainda que neste primeiro volume da trilogia sejam deixadas muitas pontas soltas e a coerência de alguns acontecimentos e personagens fazem esperar que os próximos livros da saga “Brinkmann” sejam, de facto, esclarecedores.

No melhor e no menos completamente definido está a personagem de Sophie cujo crescimento e mudança de perfil durante as quase 500 páginas de “O Amigo Andaluz” assume-se como um dos pontos mais fortes em termos de expectativa para as próximas aventuras da enfermeira sueca e restante (imenso) elenco.

Livro de uma generosa complexidade, “O Amigo Andaluz” mistura traços épicos como situações que combinam momentos de ação e verdadeiro thriller que apontam para um lado mais espetacular e cinematográfico e pode transformar Sodergerg em mais um nome a ter em conta em termos do policial que vem do frio mas a sua confirmação deve, esperemos, chegar com a restante saga “Brinkmann”.



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