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“O Barqueiro” de Claire McFall

Descobrir o amor e desafiar a morte

Para alguns, a morte é o fim do caminho. Para outros, é apenas o início.

Esta história fantástica, de Claire McFall, O Barqueiro (ASA, 2018) é uma narrativa envolvente, rica em detalhes e sentimentos, que aborda as dúvidas da adolescência e o significado da vida e da morte.

Será a morte, realmente, o fim de tudo, ou existirá algo além? E se sim, como será?

O vento soprou, agitando o ar gelado à sua volta, mas ele não sentiu o frio. Estava concentrado, vigilante.
A qualquer momento…

Em O Barqueiro, Claire McFall, soube unir duas realidades muito delicadas e criar um mundo, que visa mostrar o que vai além da morte. A cada dúvida, volta e reviravolta das personagens, leva o leitor a questionar como ele próprio reagiria perante tal situação. Mas esta história não trata, apenas, de questões existenciais. Será uma ode ao amor, um amor jovem, inocente, disposto aos maiores desafios e sacrifícios. Uma história com personagens tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão semelhantes. Um amor, aparentemente, impossível, porém tão forte, que pretende derrubar quaisquer barreiras.

Quando pressionou “enviar”, a janela ao seu lado ficou negra. Fantástico, pensou, um túnel. (…) Irracionalmente, tentou levantar o telemóvel acima da cabeça (…).
E era assim que estava, de braço no ar como uma pequena Estátua da Liberdade, quando tudo aconteceu. A luz desapareceu, o som explodiu e o mundo acabou.

Dylan é a habitual adolescente, atormentada pelas dúvidas pelas quais qualquer jovem da sua idade é acometido. A sua melhor amiga já não está perto de si, causando um vazio na sua vida, e existe um conflito silencioso entre ela e mãe, derivado à necessidade de Dylan em estabelecer contacto com o pai ausente. E, naquele dia específico, tudo correu mal.
Sem avisar, apanhou um comboio mais cedo do que o previsto, e tudo na vida de Dylan mudou, de um momento para o outro.

Mas nada a podia preparar para o que a esperava, ou será que sim?

(…) A área à saída do túnel devia estar apinhada de grupos de sobreviventes, pálidos e enrolados em mantas para se protegerem do vento cortante. Na verdade, não havia nenhuma destas coisas. (…) Levou a mão à testa para proteger os olhos da chuva e do vento e perscrutou o horizonte. E foi então que o viu.

Algo naquele rapaz lhe capta a atenção, porém, por mais que tente, o jovem de cabelo loiro revolto e olhos azul-cobalto chocante, parece vê-la mas não desejar responder às diferentes tentativas de contacto por parte de Dylan. Pelo menos, de momento.
Sozinha, com apenas Tristan como companhia, terá de tomar uma decisão, voltar ao túnel e tentar encontrar ajuda, ou seguir o jovem estranho até onde ele a leve?

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Tristan não é um rapaz qualquer, ele é o Barqueiro, um ser de luz, encarregue de transportar as almas até ao destino final.
A sua função sempre foi inequívoca. Manter a alma sempre consigo, não dizer mais do que o necessário, e entregá-la em segurança até ao ponto de chegada.

Porém algo nesta alma, o perturba. Ela não parece ser como as demais, as suas reacções não são as esperadas, ela surpreende-o a cada passo.
Mas eis que a sua jornada até ao além, não é tão pacífica como seria de esperar, pois é composta por diversos desafios e perigos.

Tristan estava imóvel como uma estátua, absolutamente alerta. Cada músculo do seu corpo estava tenso, preparado para a ação. Os seus olhos perscrutavam atentamente a cena à sua frente, movendo-se ligeiramente de um lado para o outro. Tinha o sobrolho franzido, a boca franzida numa expressão preocupada. O que quer que fosse, não era bom.

Envolvidos numa série de momentos alarmantes, algo sucede entre os dois, que não deveria acontecer. Será o barqueiro capaz de conduzir a alma até ao além? Será ele capaz de prescindir dela, e ela dele? O que será um, ou ambos, capaz de sacrificar por amor?

Olhou para ela, viu aqueles olhos verdes, escuros como uma floresta, a fitá-lo também, e sentiu um nó na garganta. Era o seu guia e protetor. (…)
Dylan aproximou-se timidamente e subiu para a cama, enroscando-se ao lado dele. (…) Como era possível que aqui, no meio de todo este caos e medo, depois de ter perdido absolutamente tudo, ela se sentisse subitamente… completa?

O Barqueiro, de Claire McFall, é o primeiro de uma série de livros, que apresentam ao leitor uma história diferente das habituais, com protagonistas inusuais, entre dois mundos, divididos por uma fina barreira que ninguém, jamais, se atreveu a atravessar. Estarão eles dispostos a arriscar tudo, num ato de desafio inesperado, um lançar-se sem certezas no desconhecido, por amor?



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