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“O caçador” de Lars Kepler

19 minutos para a morte

Com mais de 10 milhões de livros vendidos em 20 países, eis a que dupla luso-sueca Lars Kepler, pseudónimo de Alexander e Alexandra Ahndoril, nos fez chegar recentemente o seu sexto tomo da série Jonna Linna, o detetive mal-amado e ex-comissário da polícia de investigação sueca.

Tido por muitos como herdeiros naturais do caminho literário inicialmente traçado por autores como o também sueco Stieg Larsson ou o norueguês Jo Nesbo, a dupla Lars Kepler já nos habitou a livros de grande intensidade e narrativas bem construídas, algo que volta a encontrar sinónimo em O Caçador (Porto Editora, 2018), um livro que tem como ponto de partida a estranha, misteriosa e trágica morte do Ministro dos Negócios Estrangeiros sueco.

E é perante um cenário dantesco que a polícia sueca se depara. O seu desafio é desvendar o assassinato de forma discreta e rápida, mas a tarefa assume-se muito complicada. A única pista é o testemunho de Sofia, uma acompanhante de luxo que viveu a sua pior noite e assistiu de perto a um pesadelo inimaginável.

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Perante a incapacidade de entender o que aconteceu e o que leva alguém a assassinar de forma tão cruel um semelhante, não resta à polícia sueca outra opção senão recorrer a Joona Linna, entretanto a cumprir uma pena de dois anos na prisão de alta segurança de Kumla. Ainda que com algumas reservas, Linna decide aceitar e a sua intervenção precipita-se à medida que os assassinatos continuam e as vítimas continuam a ser preferencialmente nomes conhecidos da sociedade. Além disso, têm outro ponto em comum, antes de morrer são presenteados com uma lengalenga infantil sobre coelhos. 19 minutos depois, são brutal e sadicamente assassinados.

O tempo urge e nas ruas de Estocolmo a ameaça é cada vez maior. Infiltrado e em estreita parceria com a companheira de luta, a agente especial Saga Bauer, Linna tem nas mãos um dos maiores desafios da sua carreira pois anda à solta um spree killer altamente treinado e profissional, alguém já definido como “o caçador de coelhos” e que só vai parar quando eliminar todos os seus alvos. E a única solução é transformar o predador na presa.

As investigações de Linna a Bauer levam-nos ao passado, mais propriamente há três décadas e a uma particular e terrível noite marcada pela violação coletiva de uma adolescente.

À semelhança do que acontece com os outros livros da série Jonna Linna, O Caçador é um thriller muito bem delineado e que deixa o leitor sedento por ler mais uma página. A narrativa está bem construída, tirando um ou outro pormenor que desafia a coerência, e o ritmo avassalador com que a dupla Kepler nos mostra uma história e vários personagens iliba-os do crime de um livro menos interessante.

Pelo contrário, este é um verdadeiro page turner, um livro que nos prende de início ao fim e que nos afasta de qualquer sintoma de tédio. Para isso muito contribui o ambiente cinematográfico da narrativa alicerçada nos dramas pessoais dos seus personagens, gente entre a normalidade e a vertigem da insanidade, que luta por uma ideia de justiça, com ou sem limites ou legitimidade.

A tensão e o suspense marcam presença assídua ao longo deste livro, com particular destaque para as páginas iniciais e que se traduzem naquilo que de melhor tem para oferecer os policiais nórdicos de sublinhado noir: um pesadelo vivido na realidade paralela de um livro.



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