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O Comboio da Madrugada @ Rivoli

Eunice muito só no palco do Rivoli.

Depois de ter estreado em Fevereiro no Teatro Mirita Casimiro em Cascais, “O Comboio da Madrugada” de Tennessee Williams viajou até ao Porto estando em cena até 18 de Setembro.

“O Comboio da Madrugada” conta a história de uma velha senhora que outrora foi uma estrela – Flora Goforth, interpretada por Eunice Muñoz – e actualmente se nega a admitir a sua decadência. Flora é visitada por um jovem poeta – Chris Flanders, interpretado por Pedro Caeiro – conhecido por visitar senhoras no final das suas vidas.

É interessante ver a dificuldade que uma pessoa outrora bem sucedida tem em lidar com o seu actual estado de decadência. Mrs. Goforth não quer admitir a velhice e o abandono a que foi submetida. Recusando a realidade, opta por sobreviver de memórias falidas que acredita, ou quer acreditar, serem ainda a sua vida.

“O Comboio da Madrugada” questiona-nos sobre muitas coisas, mas talvez a principal se prenda com o facto de tantas vezes arranjarmos desculpas, até nos convencermos de que são verdades, para não enfrentar a realidade e a consequente mudança dessa tomada de consciência. O esforço da mudança é tanto que preferimos inventar uma felicidade que por dentro é o sofrimento de ser irreal e acomodada a uma fantasia que “deveria acontecer, se…”.

Tennesse Williams e Eunice Munõz combinam, mas nem todos os actores em palco combinaram entre si ou com Tennesse Williams. A encenação está lenta, com falta de ritmo e há pouca contracena entre alguns actores, o que faz perder muito do sentido dos diálogos. Teatro para além de texto é corpo, espaço, tempo e ritmo. Tudo em palco tem um significado e alguns actores do elenco ficam inactivos e a falar como máquinas.

O espectáculo é suficiente, mas é só isso. O público português deve tornar-se exigente. Não basta pôr um bom texto e uma actriz consagrada, algo bom tem de acontecer em palco e com o público.

Ficha Técnica:

Transcriação: António Barahona da Fonseca
Encenação: Carlos Avilez
Cenografia e  figurinos: Fernando Alvarez
Dramaturgia: Miguel Graça
Coreagrafia e movimentos: Georges Stobbaerts
Fotografia: Gonçalo Fabião
Design: Ana Fatia
Maquilhagem: Joana Isfer
Cabelos: Gena Ramos
Assistência de encenação: Teresa Côrte-Real
Assistencia de ensaios: Jorge Saraiva
Montagem: Manuel Amorim, Rui Casares, Augusto Loureiro

Interpretação: Eunice Muñoz, Anna Paula, Carlos Santos, Henrique Carvalho, Lídia Muñoz, Pedro Caeiro, Rita Cabaço, Renato Pino, Ricardo Alas, Sérgio Silva e Teresa Côrte-Real.

Até 18 de Setembro, de quarta a sábado, às 21h30, e ao domingo, às 16h30. Os bilhetes custam entre 10 e 25 euros.



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