O Exame, Cristian Mungiu

“O EXAME”

Ao colocar as personagens diante de escolhas morais, transfere as mesmas perguntas ao espectador. O filme fala de um pai que escolhe o que acha ser o melhor para a filha. Assim, será que devemos aprender a viver e a conformarmo-nos com o mundo em que vivemos ou devemos lutar de todas as formas possíveis para o mudar?

Romeo, médico numa pequena aldeia da Transilvânia, sempre fez tudo para que a sua filha, Eliza, pudesse estudar no estrangeiro quando terminasse o ensino secundário. O seu sonho está prestes a concretizar-se: Eliza ganhou uma bolsa para estudar psicologia numa universidade inglesa. Para isso, só precisa de passar nos exames finais com boas notas. Um dia antes do primeiro exame, Eliza sofre um ataque que coloca em risco o seu futuro. Romeo tem que resolver a situação, mas nenhuma das soluções passa por usar os princípios que ele, enquanto pai, transmitiu à sua filha.

O romeno Cristian Mungiu vencedor da Palma de Ouro, por “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” (2007), cineasta que torna colorido um mundo cinzento, volta a retratar em “O Exame” escolhas morais em situações limite.

O filme que tem lugar numa pequena cidade da Transilvânia, conta a história de Romeo, um médico e pai dedicado (Adrian Titieni), que preparou a filha para ser a melhor aluna e assim (Maria Dragus) receber uma bolsa de estudo para uma Universidade em Inglaterra.

Romeo desistiu da ideia de que a Roménia faz parte do “mundo melhor” com que ele sonha, e é cúmplice em várias corrupções locais sem se aperceber disso.

O casamento de Romeo está por um fio e tem um caso com Sandra (Malina Manovici), uma paciente 15 anos mais nova que ele, que tem um filho jovem. Quando a filha é atacada na véspera dos exames, ele está pronto para agir e conseguir assim as notas de que ela precisa.

Mungiu parece não julgar a atitude de Romeo e deixa claro que embora Romeo seja um homem influente, capaz de puxar cordelinhos aqui e ali, é um homem íntegro. Contudo está emocionalmente no limite e tudo se pode desmoronar a qualquer momento.

É através de elementos misteriosos (uma pedra atirada à janela do apartamento de Romeo, o pára-brisas danificado, a janela do carro partida) que Mungiu explora mais profundamente o íntimo das personagens. E será que tudo isto está ligado à tentativa de violação da filha?

A história do filme, como toda a obra de Mungiu, vem da experiência de viver numa sociedade atrasada por décadas de burocracia comunista, mas encontra enorme ressonância no mundo contemporâneo.

Ao colocar as personagens diante de escolhas morais, transfere as mesmas perguntas ao espectador. O filme fala de um pai que escolhe o que acha ser o melhor para a filha. Assim, será que devemos aprender a viver e a conformarmo-nos com o mundo em que vivemos ou devemos lutar de todas as formas possíveis para o mudar?

O cineasta capta tudo com grande naturalismo, como um registo sóbrio de uma realidade social mas que apesar de se passar na Roménia pode acontecer em qualquer parte do mundo.

“O Exame” combina a energia de “always on the move” dos cineastas belgas, irmãos Dardenne, com um mistério familiar do realizador austríaco Michael Haneke, especialmente com o seu “Hidden”. Este, tal como “O Exame”, falam da forma como transmitimos ou não às gerações futuras valores morais. Por isso, é um filme de esperança porque Mungiu acredita que a nova geração pode mudar o mundo.

É um filme que denuncia brutalmente a corrupção.

“O Exame” será apresentado em antestreia no Lisbon & Estoril Film Festival no dia 5 de Novembro, às 21h45 no cinema Medeia Monumental, e no final da sessão haverá uma conversa com o realizador Cristian Mungiu.

O filme estreia nas salas portuguesas a 17 de Novembro.

Título original: Bacalaureat
Realizador: Cristian Mungiu
Elenco: Adrien Titieni, Maria Dragus, Lia Bugnar, Malina Manovici, Vlad Ivanov
Género: Drama
Outros dados: Roménia, França, Bélgica, 2016, Cores, 128 min
Distribuição: Leopardo Filmes

 



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