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“O Fugitivo” de Mason Cross

Tempo de matar

Depois de O Caçador e O Samaritano, chegou recentemente às livrarias nacionais O Fugitivo (Topseller, 2017), terceiro tomo da série Carter Blake, da autoria do escocês Mason Cross, um dos mais ilustres escritores contemporâneos de thrillers carregados de conspiração e (boa) ação).

Com uma estrutura narrativa concebida para possibilitar uma eventual leitura independente dos outros títulos da série, — ainda que, de preferência, se recomende uma leitura por ordem cronológica para perceber, de facto, quem é Carter Blake —, O Fugitivo é sinónimo de mais uma perigosa aventura do ex-membro da Winterlog, organização governamental responsável por missões ultrassecretas um pouco por todo o planeta.

Carter é agora um agente independente, “privilégio” que conseguiu acordar depois de uma promessa de não divulgação das operações que esteve envolvido, mas como a liderança da Winterlong está agora nas mãos de outros, os seus responsáveis querem apagar, literalmente, o seu ex-agente do mapa.

Alheio a esta espécie de fatwa, Blake dedica o seu tempo a encontrar pessoas que não querem ser encontradas. Assim, o seu mais recente trabalho é procurar Scott Bryant, um homem procurado por ter roubado software à empresa onde trabalhava, no caso um programa que promete revolucionar as redes sociais, conhecido por “MeTime”. A missão não é das mais difíceis e Blake descobre rapidamente o paradeiro do desaparecido.

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Tudo corre como previsto mas quando se prepara para trazer Bryant de volta, juntamente com o software roubado, Blake recebe uma mensagem misteriosa que o leva a concluir que a sua antiga organização anda no seu encalço. A sensação é de pânico e Blake sente que o jogo virou e passou de caçador a presa. Restam- lhe duas opções: fugir ou virar o jogo a seu favor e acabar de vez com a Winterlong.

Blake enfrenta o maior desafio da sua vida e luta pela sobrevivência. E é nesta poderosa teia que Mason Cross coloca a vida do ex-agente da Winterlong em perigo e junta a esta fogueira a presença de um novo elenco que torna este thriller num intrincado jogo do gato e do rato. E logo nas primeiras páginas o leitor tem perfeita noção da caça ao homem montada pela Winterlong, no caso não a Blake, mas a outro agente da organização, sitiado algures na Sibéria, acusado do assassinato do ex-senador Jack Carlson e sua esposa.

O destino, ou a acutilante pena de Cross, que neste livro revela mais pormenores da vida e personalidade do protagonista tornando a história ainda mais íntima, junta as duas histórias através de um caminho bifurcado e repleto de armadilhas e é com prazer que O Fugitivo se transforma numa leitura obsessiva cuja narrativa (cinematográfica) bem delineada e polida está seguramente alicerçada na exploração de personagens credíveis e bem construídas, cenários, flashbacks que nos fazem recuar cinco anos e as já habituais cenas de tensão e reviravoltas da série que podem fazer crescer no leitor um inesperado vislumbre de empatia por algumas personas non gratas e certezas que transformam vidas, como o facto de Blake entender que nunca poderá alterar ou eliminar o seu passado.



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