“O Golpe” | Janet Evanovich e Lee Goldberg

“O Golpe” | Janet Evanovich e Lee Goldberg

Policial à moda de Hollywood

Já bastante conhecida pelos leitores portugueses devido a policiais como “Perseguição Escaldante” e “Sorte Explosiva”, livros que revelaram ao mundo Stephanie Plum, uma caçadora de recompensas viciada em lingerie, a norte-americana Janet Evanovich aposta agora numa parceria com Lee Goldberg – um dos mais promissores escritores e guionistas da sua geração e criador da série de ambiente thriller “Monk” – e faz chegar às livrarias “O Golpe” (Topseller, 2013).

Autora de alguns dos maiores sucessos do New York Times, com mais de 75 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, Evanovich faz nascer uma nova e excitante dupla ao juntar uma competente e obsessiva agente do FBI, Kate O’Hare, com um dos maiores e mais procurados vigaristas do planeta, o mestre do disfarce Nick Fox.

A teimosia, obstinação e exigência de O’Hare faz com que a agente do FBI encare a captura de Fox como o mais alto galardão profissional a alcançar, usando toda a sua sapiência e sagacidade para colocar atrás das grades o imaginativo e charmoso Nick, conhecido por escapar com competência a qualquer desafio colocado por parte das autoridades.

A atração entre ambos os personagens é por demais evidente, apesar de Nick e principalmente Kate negarem o óbvio. Decidida, O’Hare acaba por conseguir desmascarar mais um astucioso plano de Fox mas, quando pensa que o fora da lei conhecido por utilizar disfarces com nomes de personagens de sitcom ficará a cumprir a merecida pena, uma convergência de interesses leva o FBI a juntar perseguidora e presa, numa missão que tem como objetivo prender Derek Griffin, um playboy banqueiro e investidor que está por trás de um desfalque de 500 milhões de dólares.

Para esta dupla, o maior desafio não será deter o muito procurado criminoso, mas sim conseguir evitar os inevitáveis choques de personalidade e liderança que esta aliança representa. Para conseguir tornar apetecível esta relação, Janet Evanovich aprumou a escrita e revela uma narrativa mais elaborada, comparativamente com as aventuras de Plum – algo ao qual a presença de Lee Goldberg não é de todo alheia.

Apesar de continuarmos num ambiente claramente inspirado nos blockbusters de ação made in Hollywood, onde a rapidez da ação supera muitas vezes os esqueletos dos próprios personagens, em “O Golpe” existiu o cuidado de conferir maior credibilidade aos seus intervenientes, com clara vantagem para Kate O’Hare que, através de uma intrincada relação com o pai, se assume mais humana e real que a personagem de Nick Fox, que chega a roçar a fronteira do verosímil devido à caricatura de alguns dos seus métodos e golpes.

Altamente recomendado para os amantes de policiais cuja ação frenética e o entretenimento puro sejam as mais procuradas sensações, “O Golpe” é um livro viciante que nos leva numa viagem iniciada nos Estados Unidos e que, depois, evolui por terras gregas, francesas e alemãs, tendo como destino uma das milhares de ilhas indonésias que escondem o já referido investidor.



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