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O Lobo de Wall Street

Foi um negócio ter prazer consigo!

Martin Scorsese é conhecido pelo seu estado de constante agitação e hipercinetismo.

Além de asmático, há quem afirme ser ele obsessivo-compulsivo e viciado em cafeína. Mas neste filme, é como Scorsese tivesse trocado a sua querida cafeína por…cocaína cruzada com heroína, misturada com metanftaminas e regada com litros vodka.

Tudo neste “Lobo de Wall Street” é rápido, exagerado e dispendioso, assim foi a vida de Jordan Belfort, um corrector da bolsa que se transformou num cartaz da geração yuppie, que marcou o final da década de 80 e deixou marcas que ainda hoje pagamos amargamente…

A vida deste mercador do nada – que foi contada por ele mesmo em livro – é aqui adaptada ao cinema através de um guião de Terence Winter e da câmara alucinada de Scorsese. E o resultado é uma orgia visual, com cenas hilariantes e detalhes rocambolescos que nos prendem ao ecrã ao longo de quase 3 horas de filme.

DiCaprio, após receber críticas menos generosas à sua interpretação no papel de Jay Gatsby no “Grande Gatsby), tem aqui um papel que o faz brilhar de forma surpreendente.

Já não é o primeiro papel que faz onde o lado cómico está mais em evidência, mas aqui é verdadeiramente impressionante o leque de “truques” que carrega na mala….Que vão das expressões e pequenos diálogos, à comédia física pura e dura (a cena em que tenta chegar ao seu Lamborghini completamente drogado é de antologia). DiCaprio prova aqui a excelência da sua capacidade interpretativa, envergonhando alguns “actores” que se achando bonitos se esquecem de interpretar. É de facto um actor completo!

No que diz respeito concretamente à história: Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) é um corrector que vai estagiar para Wall Street, sendo desde logo “doutrinado” pelo experiente “brocker” Dan Hanna (Matthew McConaughey) para uma vida de excessos e folias muito para além da sua imaginação.

O estilo de vida, onde a droga e o sexo têm um lugar de destaque, passam a fazer parte da vida de Jordan que apesar de casado se deixa envolver pela interminável orgia que passa a ser o seu quotidiano.

Mas com a célebre segunda-feira negra que marcou a queda da bolsa em 1987, Jordan fica sem emprego e vê-se obrigado a trabalhar com acções, empresas e investidores de baixo valor, mas onde as taxas de comissão praticadas são enormes. Jordan vendo o potencial do negócio, logo aproveita para utilizar o seu talento natural e vender acções a um ritmo alucinante.

Contudo ele precisa de mais, sempre mais, mais dinheiro, mais droga, mais sexo. Jordan é O Viciado por excelência e sendo todos os vícios dependentes do dinheiro, é o dinheiro o vício maior. Nada é grátis neste filme, nem mesmo o amor, que cresce ao sabor da prosperidade e decai com as dificuldades.

O capitalismo no seu máximo esplendor!

No decorrer dessa longa caminhada para a ruína, encontra Jordan muitos companheiros que partilham com ele uma amoralidade e ganância predatórias, a base para a fundação da muito “manhosa” firma: Stratton Oakmont.

A menina dos olhos de Jordan e a razão do seu nome de guerra, o lobo de Wall Street.

Entre todos esses “cúmplices”, o que vem a ser o mais importante é Donnie (Jonah Hill), uma figura com um colorido impressionante e que serve de contraponto perfeito ao sedutor Jordan.

Em conjunto eles vão semeando corrupção, metendo dinheiro ao bolso e apanhando “pedradas” monumentais com a jovialidade de crianças que brincam sem escutar a voz da prudência.

O que é curioso, é que sem darmos por isso, Scorsese constrói aqui mais um filme sobre associação criminosa e as dinâmicas entre cúmplices. Os seus filmes falam frequentemente sobre gangues e aqui isso volta a acontecer, apesar de serem estes criminosos menos densos e muito mais divertidos.

No final dos cerca de 180 minutos que tem este “Lobo de Wall street”, é possível ter uma sensação de que os limites do bom senso foram excedidos e que a moralidade habitual das obras americanas aqui não se aplica, o que aliás é comum em filmes de Scorsese, onde existe sempre uma ambivalência entre o criminoso que encontra o seu castigo, e o que não comete crimes mas que só por isso já tem a sua pena, na monotonia de todos os dias.

Este “Lobo” é um filme interessante, frenético por vezes, hilariante, e um retracto interessante da outra Wall Street, aquela que não foi contada por Oliver Stone (que foi aluno de Scorsese).

Jordan não é um Gordon Gekko e certamente Donnie não é Bud Fox…em comum, têm apenas a ganância e os expedientes ilícitos. E por falar nisso, as interpretações são no geral muito boas, com destaque natural para Leo DiCaprio que como dissemos anteriormente tem um papel que o ajuda a mostrar o seu lado mais jocoso e Jonah Hill que está um degrau acima da sua interpretação em “Moneyball”, McConaughey faz apenas um Cameo e Margot Robbie é a sexy segunda mulher de Jordan, que se pavoneia em trajes menores para gáudio dos espectadores.

A fotografia é tremendamente detalhista, com destaque para as cenas das festas e orgias, onde é quase impossível captar todos os pormenores.

Uma palavra final para a banda sonora que é essencial para elevar o nível da loucura visual até à quase alienação.

Sai com um Satisfaz Bem!

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