O mito de Prometeu em 2006

Na Oficina Municipal de Teatro, em Coimbra, até 21 de Outubro.

Fica a saber, não trocaria a minha desgraça pela tua servidão. Teatro para ajudar a proteger das aves de rapina, em Coimbra

Começando o ciclo em 467/458 a.C. pela mão de Esquilo encontramos ‘Prometeu Agrilhoado’. Seguindo a cronologia, cruzamo-nos no século XX, 1918 mais precisamente, com ‘Prometeu’ de Kafka e encerra-se a viagem cénica em 1967-68 com Heiner Mülller que escreve ‘A Libertação de Prometeu’.

Será em volta do mito de Prometeu que gira o mais recente espectáculo d’A Escola da Noite. Este mito intemporal que explica a arte dos homens atribui ao titã Prometeu e à sua rebelião contra Zeus a pose do ‘brilho longevisível do infatigável fogo em oca Férula’ (Teogonia, 566) pelos  homens. Até aí, fantasmas de sonho é ao crime de Prometeu, que rouba o fogo sagrado, que o homem deve o reanimo da sua inteligência. Zeus condena a ousadia de Prometeu com a eternidade, agrilhoado pelas correntes inquebráveis de Hefasto ao monte Caúcaso, onde uma águia se alimenta durante o dia do seu fígado que de noite cresce novamente, renovando a sua tormenta. A imortalidade de Prometeu seria assim repleta de ciclos e de parco alívio se não fora a intervenção de Herácles que, com a autorização de Zeus, matou a águia que se alimentava do fígado do agrilhoado.

É esta a linha condutora do diálogo entre a tragédia grega e a dramaturgia contemporânea que toma forma em palco como um espectáculo de cariz experimental, que procura em componentes ‘música’, ‘vídeo’ e ‘actuação’ a exploração deste intercâmbio de linguagens distintas. O espaço cénico despojado é palco dos três textos dramático-narrativos que são apresentados de acordo com a sucessão cronológica com que foram escritos.

A natureza humana e a civilização ocidental, as suas reinterpretações deste mito, consumadas nos diferentes textos produzidos ao longo dos séculos, são a ideia a partir da qual se desenvolveu a ideia de encenação. A riqueza metafórica dos textos e as questões latentes conduz à interrogação do lugar das artes nos dias que correm.

O Outono abre em Coimbra com ‘Prometeu 06’,m encenado e interpretado por António Jorge, com música original de António Andrade e vídeo de Paulo Côrte-Real.

Com estreia marcada para 28 de Setembro, o espectáculo estará em cena sempre às 21h30 na Oficina Municipal de Teatro até 21 de Outubro, de terça a sábado.

O preço dos bilhetes varia entre os 10 euros (público em geral) e os 6 euros (estudantes, grupos e ‘quintas no teatro’)



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