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“O Nosso Paraíso”

Produzido por Paulo Branco e realizado por Gaël Morel, está disponível em DVD fazendo parte da colecção Leopardo Filmes

“Notre Paradis”, no original, conta a história de Vassili, um prostituto homossexual que encontra Angelo no Jardim de Bolonha, em Paris, abandonado e ferido. Assim se inicia um relacionamento ardente e consumidor, onde os dois prestam serviços aos clientes que contactam Vassili. Estes, acabando por preferir Angelo por ser mais novo e mais atraente, acabam por despoletar a tentação do casal em ir além do pagamento que estava previsto.

Num rol de acontecimentos que se desenrola a uma velocidade alucinante, Vassili e Angelo começam a roubar os seus clientes. No entanto, o instinto assassino de Vassili não se satisfaz com a simples tomada de posse dos bens daqueles que os maltratam a troco de dinheiro.

Seguido por um rasto de sangue, que não consegue deixar nem a pedido de Angelo, Vassili decide fugir de Paris acompanhado pelo seu amante. Recorrem a Victor, o primeiro cliente de Vassili, um velho rico retirado da vida agitada da cidade. E é na mansão de Victor que a sua ambição acabará por atropelar o desejo de deixarem para trás uma vida de subjugação e fuga.

Produzido por Paulo Branco, “O Nosso Paraíso”, de Gaël Morel, é um filme absorvente sobre uma realidade dura. Decorado com uma banda sonora apelativa e fruto de uma narrativa que prende o espectador e o enreda numa tecitura de acções condenáveis que acabam por despertar empatia, é uma produção que nada deve aos melhores contemporâneos do Cinema Europeu.

A temática da decadência pelo envelhecer, que tanto atormenta as mentes ocidentais, está presente de uma forma constante na personagem de Vassili que perde clientes para Angelo, o seu amante. Também Victor, o primeiro cliente de Vassili, se encontra perante um fosso cavado pela diferença de idades entre si e o seu amante, algo que nos remete para a noção de prioridade divergente entre gerações.

A inconsciência de Angelo, que não tem passado, a par da violência de Vassili, que não lhe oferece futuro, transmitem um equilíbrio que é simultaneamente fracturante e apaixonante.

A percepção de uma realidade paralela, como é o mundo da prostituição homossexual masculina, que se encontra presente no nosso quotidiano, oferece-nos perspectivas de desejos, ambições e segredos pérfidos sobre os quais não temos, normalmente, qualquer tipo de opinião.

A realidade do filme encontra-se, fundamentalmente, na humanidade das personagens que, sendo criminosos, guardam em si ainda a capacidade de amar. Isto, que nos remete para a noção de que ninguém é totalmente mau ou definitivamente bom, é mostrado pelo contraste entre os assassinatos de Vassili e a forma como este trata Angelo e o pequeno Vassili, filho da sua melhor amiga que o baptizou em honra daquele.

O final, consumação das consequências acarretadas por um percurso obscuro, desperta-nos o sentimento de que a impunidade até aí vivida pode ser desmantelada pelo mais pequeno mal-entendido e a noção de que a busca incessante do prazer pode, por precipitação, tornar-se na mais dura manifestação de dor.



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