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“O nosso último Tango”

Um tango mais!

“Un tango más”, um documentário biográfico-histórico, e na primeira pessoa, de uma pareja de tango que marcou a história e o peso do tango argentino no mundo, realizado por German Kral em Buenos Aires em 2016.

A eles seguramente se deve também o prémio do tango ser hoje património mundial da humanidade. Bem hajam, Maria Nieves y Juan Copes. Bravo!

Quem interioriza este título, interioriza e fica contagiado pela vontade de não parar de bailar o tango argentino. Sente-se o formigueiro, a sede, o amor tremendo a uma prática que vicia corações todos os dias e em todo o mundo. Também em Lisboa, todas as noites acontece a mesma magia em todas as milongas (bailes de tango argentino). Assim foi com Maria Nieves Rego e Juan Carlos Copes.

E quiçá com a pareja portuguesa, Sónia Aires e Paulo Bernardo, que abriram a estreia da película no Monumental, oferecendo-nos um tango e uma milonga (estilo de música de tango), com uma graciosidade leve, fresca e criativa de quem sabe o que está a fazer, ou não seriam dois profissionais e professores de tango argentino em Lisboa, da Escola Todo Tango. Bravo, Sónia e Paulo!

Maria Nieves confessa que no início ela só queria era estar com o Juan e para isso, dançava tango, quando, onde e como ele queria… 50 anos depois de dançarem juntos, por ironia, ela só queria era dançar tango, mesmo quando já nem olhar para ele conseguia.

Uma história apaixonante e apaixonada pelo tango argentino, um retrato fiel de amor a uma linguagem única e muda, de movimentos de improviso, de olhos fechados, com abraços, giros, pivots, ganchos e sacadas que quem experimenta não consegue parar nunca mais. É tão verdade como encontrar sapatos de tango numa mala de viagem de um milongueiro pois é urgente procurar uma milonga em cada cidade por onde se viaja.

Maria, por amor ao tango, não teve filhos. Disse que não deu pelo tempo passar.

Por isso, alerta e recomenda a todas as milongueiras o cuidado em prestar atenção ao tempo da maternidade pois o tango cega, e afinal, pode esperar dois três anos.

Por amor ao Juan, dedicou-lhe a sua vida. Mas Juan teve mais mulheres e dois filhos.

Uma história de amor e ódio de dois bailarinos, intensa, amarga e cruel, que amam o tango argentino quase mais do que a si mesmos, espelhando escolhas e reflexos da natureza humana que diferencia pessoas e sexos.

Este documentário conta com a participação de jovens e talentosos bailarinos de tango como Pablo Verón, Alejandra Gutty, Pancho Martinez Pey, Johana Copes, Ayelén Álvarez Miño, entre outros.

Kral, apoiado pela produção executiva de Wim Wenders, escolhe reencenar os encontros de Maria e Juan com estes bailarinos, sendo eles ao mesmo tempo “reencenados” por Maria que os ajuda a melhorar a sua performance artística, usando diferentes cenários como escolas de tango, os locais históricos onde se realizaram as milongas mais marcantes, danças na rua, em pontes e com cordas.

Esses bailarinos também surgem juntos em tertúlia a analisar os detalhes da história e das personalidades de Maria e Juan.

O documentário é interessante, tem belas cenas de tango argentino e retrata fielmente o amor ao tango e a um homem por uma tangueira famosa.

Nota-se a preferência do realizador pela história de Maria Nieves Rego, que ocupa ¾ do documentário, em detrimento à história de Juan Carlos Copes, um bailarino e coreógrafo de tango muito famoso, porém, machista e don juan, típico daquela época.

Hoje a idade já não os deixa quase dançar, vivem da fama, estão divorciados e magoados pela vida, porém, ainda conservam um carinho um pelo outro.

Maria, aos 80 anos, vive sozinha e ele, com 83, tem uma outra família.

Mas continuam a amar o tango argentino.

Título Original / Internacional: Un tango más
Ano de Produção: 2015
País: Argentina
Género: Documentário
Duração : 85´
Data de estreia em Portugal : 22-02-2018



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