“O oceano no fim do caminho” | Neil Gaiman

“O oceano no fim do caminho” | Neil Gaiman

Porta de entrada e saída de criaturas cruéis

O percurso de Neil Gaiman é, de entre todo o imaginário fantástico, um dos mais singulares e entusiasmantes. Depois de muitos anos a trabalhar como jornalista freelancer, Gaiman tornou-se conhecido em 1987 ao criar, em parceria com Dave McKean, a novela gráfica Violent Cases. Mandou o jornalismo às urtigas e, um ano depois, iniciou aquela que ainda hoje persiste como uma das melhores novelas gráficas de sempre, tendo-o transformado num autor de culto: Sandman.

Desde então e ao longo de mais de duas décadas e meia, Gaiman foi experimentando outros territórios mais virados para a Literatura, coleccionando prémios e vendo alguns dos seus livros serem adaptados (com sucesso) ao grande ecrã, como o foram Coraline e a porta secreta” ou “Satrdust – o mistério da estrela cadente”.

O oceano no fim do caminho” (Editorial Presença, 2014), o mais recente livro de Gaiman, partiu de um convite de Jonathan Strahan para que este escrevesse um conto. Porém, desde o momento em que começou a contar a história do mineiro de opalas a da família Hempstock, cedo percebeu que o conto iria ceder lugar ao romance. E fê-lo em boa hora, criando uma história absorvente que nos transporta de regresso à longínqua infância.

A história é-nos contada por um adulto que, por ocasião de um funeral, regressa ao lugar onde vivera a infância, uma zona rural do Sussex, Inglaterra. A uma festa de aniversário, a dos seus sete anos, a que ninguém compareceu. À visão de um mineiro, encontrado no mini do seu pai, depois de um bem-sucedido suicídio. À intensa amizade vivida com Lettie, três anos mais velha, com quem irá explorar todos os atalhos e caminhos que nenhum adulto ousava pisar. E a um pequeno lago com ligação directa a um oceano, porta de entrada e saída de criaturas cruéis.

Com uma escrita intensa, Gaiman leva-nos uma vez mais a um mundo povoado por estranhos seres, mostrando que as nossas vidas foram, no seu âmago, fabricadas durante a nossa infância e construídas a partir de muitas vitórias e sacrifícios. Mais uma bela fábula saída da imaginação de Neil Gaiman.



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