O Pin da Bíblia

A caminho dos dez anos de existência, a primeira reunião de textos que passaram pela revista. Temos exemplares para dar.

A Bíblia já por aqui passou. Já deu a conhecer os seus princípios, nomes de autores por vezes estranhos ao ouvido, entre outros mais famosos, mas acima de tudo a sua determinação em dar a conhecer ao seu público as muitas formas que a cultura assume, especialmente aquela feita “dentro de portas”. Porque se quer manter este “espaço de encontro de uma geração” e assinalar o devir dos dez anos de publicação foi recentemente lançado “O pin da Bíblia – uma selecção de textos da revista Bíblia” que vai apenas até ao número 17, na esperança de voltar a repetir a experiência.

Reflexo natural dos seus fundadores e dos seus ideais, a Bíblia nasceu em Abril de 1996 e conta já com 22 números lançados (espera-se para breve a edição de quatro novos números, um deles de tema livre). Apesar de partilhar alguns dos seus princípios com publicações do género, é das poucas que tem resistido ao longo do tempo e lutado por continuar a utilizar a cultura como veículo de transmissão de novas ideias e, obviamente, de contestação.

Logo à partida, nota-se uma grande diferença em relação às “habituais” edições da revista: a total ausência de grafismos, algo que costuma caracterizar esta publicação, uma vez que cada número está a cargo de um designer diferente (e por onde já passaram nomes como os de João Vinagre ou o Tó Trips, entre outros), originando assim resultados completamente opostos a cada Bíblia que é lançada. A ideia, de acordo com Tiago Gomes, é “isolar os textos do ruído gráfico da revista e fazê-lo estar sem qualquer tipo de imagem”. Excelente aposta nalguns casos, noutros nem por isso.

Quanto ao conteúdo, somos brindados com uma reunião de poemas, prosas ou ensaios provenientes de autores na sua maioria até aos 40 anos, ou seja, considerados “jovens autores”, reunião essa a cargo dos poetas e críticos literários Eduardo Pitta e Fernando Aguiar, por sua vez autores dos prefácios desta edição. O resultado traduz-se em mais de 250 páginas de obras de 38 autores, onde se misturam estilos tão diferentes como a ficção de José Luís Peixoto (em textos como “Monólogo de um adolescente que fumou um charro e quase saltou de um terceiro andar”) ou a contestatária poesia de Tiago Gomes, editor da Bíblia (Mais sangue pedirá o político canibal / ao ver que se lhe acabara o sangue fresco / que tinha sempre no frigorífico). A estes, juntam-se nomes como o de Rui Zink, Fernando Guerreiro, Alexandre Crespo ou Jaime Freire.



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