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“O Rapaz da Última Fila”

"Ninguém nos vê, mas nós vemos toda a gente". Novo trabalho dos Artistas Unidos a partir de um texto de Juan Mayorga. Até 14 de Abril no Teatro da Politécnica.

“- Quem é esse rapaz?
– Parece-me que é um que se senta na última fila, mas não tenho a certeza.
– Tu também te sentavas na última fila?
– É o melhor lugar. Ninguém nos vê, mas nós vemos toda a gente.”

Germán é professor de literatura no liceu. Chegou àquela profissão pelas razões erradas, e os sonhos de conviver com as grandes obras literárias foram abafados pelo quotidiano de tentar ensinar jovens na fase da rebeldia, o que o deixa bastante desanimado. Não só com o presente, com o seu presente, mas com o futuro de todos – “Os bárbaros já aqui estão, estão nas nossas salas de aula”. Mas quando Gérman pediu aos seus alunos que fizessem uma redacção, a fim de perceberem o conceito de ponto de vista, uma folha pautada distinguiu-se das restantes.

Cláudio senta-se sempre na última fila. E é com esse olhar, que Gérman reconhece dos seus tempos de aluno – “Ninguém nos vê, mas nós vemos toda a gente” – que entra em casa do seu colega Rafa e documenta tudo a que assiste. Germán e Juana, sua mulher, tornam-se os seus ávidos leitores, alternando entre a desaprovação pela intrusão em vidas alheias e a curiosidade pelos acontecimentos do capítulo seguinte.

Os cenários cruzam-se em cena: a casa de Gérman, a casa de Rafa, até uma sala de aula. As personagens entram e saem ignorando o cenário oposto, como duas casas divididas por um fino vidro espelhado.

A peça foi encenada colectivamente, acabando por criar grande cumplicidade entre os intérpretes. O texto de Juan Mayorga é simples, claro e rápido, mas prende o espectador desde o primeiro momento. O sentimento voyeurista presente em todos nós vem ao de cima, à medida que, tal como Gérman e Juana, procuramos saber o desenlace da história. Uma família, normal, comum, torna-se o ponto fulcral da acção, passando a estar repleta de interesse à medida que Cláudio deixa de ser um mero espectador e começa a envolver-se no ambiente familiar. E Gérman e Juana são sugados para o mesmo rodopio, chegando a um ponto em que todos passam a estar sob o olhar atento de Cláudio, sob o seu ponto de vista.

“O RAPAZ DA ÚLTIMA FILA” de Juan Mayorga. Tradução de António Gonçalves Com António Filipe, Andreia Bento, Maria João Falcão, Pedro Carraca, Marc Xavier e Pedro Gabriel Marques. Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves. Colaboração Artística Daniel Fernandes. Luz Pedro Domingos – M12

No Teatro da Politécnica de 7 de Março a 14 de Abril
4ª às 19h00 | 5ª e 6ª às 21h00 | sáb às 16h00 e às 21h00

 

Fotografia de Jorge Gonçalves



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