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O senhor Puntila e o seu criado Matti

Em cena no Teatro Aberto.

Quando bebe, o Sr. Puntila aumenta o ordenado do seu querido motorista e amigo Matti e pede as raparigas da aldeia em casamento. Ele é proprietário de um grande terreno, tem uma filha que se vai casar com um diplomata, mas só a aguardente o faz feliz. Miguel Guilhereme dá vida à ora simpática, ora arrogante personagem. Depende do número de copos que bebe ao longo do dia.

Uma mesa num qualquer bar finlandês, uns shots de aguardente e o cambaleante Sr. Puntila está em casa. A filha e o futuro genro esperam-no na propriedade. Matti chega para o levar e é aí que começa esta amizade que roça o amor-ódio entre os dois, mas que não deixa de ser enternecedor.

Em cena no Teatro Aberto, em Lisboa, e com encenação de João Lourenço, “Senhor Puntila e o seu criado Matti” é uma comédia ao estilo de Brecht. Divertida, com uma boa dose de ironia, mas socialmente consciente, já que os temas habituais estão lá: a luta de classes, o poder do proprietário sobre o proletariado, a pobreza das famílias do interior do país, a questão do Poder em todas as suas formas.

O cenário vai mudando entre actos, com recurso ao vídeo e à música tocada ao vivo e da autoria de  Mazgani. A peça é narrada como se fosse uma história e vamos mesmo ficando a conhecer alguns contos tradicionais finlandeses pelas vozes das três noivas pobres de Puntila. O texto, escrito em 1946 durante o exilío de Brecht na Finlândia, é interpretado no papel principal por Miguel Guilherme, o sr. Puntila. Uma personagem dividida e com uma personalidade bipolar, um homem que luta entre a generosidade e a crueldade. Um jogo de humores que o define, no fim, como um homem só e triste e que apenas consegue encontrar a alegria e a eloquência das palavras e dos gestos no fundo de uma garrafa de aguardente.

Neste espectáculo, exigente do ponto de vista fisico e vocal para o actor, Miguel Guilherme também canta. «Eu quero é beber!», entoa na pele de sr. Puntila. Vai fazendo amigos e noivas por onde passa, mas na manhã seguinte já só tem inimigos que a sobriedade se encarregou de fazer. Um estado que para ele é como uma doença que o acerca todas as manhãs e que não consegue vencer, excepto durante algumas horas, para mal daqueles que o rodeiam.



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