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“A minha mãe chamava-lhe fábrica, eu chamo-lhe empresa”

A frase é de “O TEMPO” onde as mudanças e transformações são contadas em encontros espontâneos dos personagens. Em cena até 12 de dezembro no Teatro da Politécnica.

Uma jovem que se vê obrigada a assumir a gerência da empresa da família e um funcionário não muito antigo encontram-se, quase por acaso e acabam por se tornar confidentes. Vemo-los em pontuais encontros que retratam o passar dos anos e as próprias transformações pessoais e profissionais dos personagens. O encenador, Jorge Silva Melo, acrescenta o contexto laboral em que se insere a peça: “nós assistimos a esta fábrica de calçado que esteve no centro da cidade, neste caso é Barcelona, já está na periferia da cidade e vai mudar-se para um daqueles polígonos industriais”. A degradação da empresa é acompanhada pelos altos e baixos da vida pessoal dos personagens.

Um gabinete de escritório simples e recatado serve de cenário às conversas entre os dois que não diretamente vão contando o passado, o presente e o incerto futuro da empresa. “O que eu gosto muito na escrita da Lluisa Cunillé é que ela não esconde nada mas é tudo misterioso”, descreve Jorge Silva Melo.

A peça é uma produção dos Artistas Unidos, interpretada por Américo Silva e Rita Brütt. Se a escolha do actor masculino foi óbvia para Jorge Silva Melo, para o papel feminino houve várias hipóteses em cima da mesa. O realizador não esconde o contentamento em finalmente ter conseguido “apanhar” Rita Brütt disponível e explica: “estou muito contente porque ela passa – e na peça isso é difícil – de uma rapariguinha de 20 anos e salto raso para uma mulher de casaco de peles em menos de uma hora”.

Ganha convites duplos aqui .

Fotografia de  Jorge Gonçalves



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