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O universo dos smartphones

O tipo de câmara que o telemóvel possui já não interessa no acto de compra. Bem-vindos à era da realidade aumentada.

Ter um telemóvel hoje em dia é diferente de há 3 anos atrás – enquanto antigamente procurávamos o telemóvel com o maior número de funcionalidades para que não nos faltasse nada, neste momento consegue-se verificar uma tendência diferente. Já não é o que tenho no meu telemóvel mas sim o que poderei vir a ter de acordo com as minhas necessidades.

O mercado dos Smartphones é cada vez mais inundado de terminais cujas diferenças entre si já não passam, principalmente, pelas características técnicas mas sim pelo próprio sistema operativo. Longe vão os dias em que se procuravam os megapixéis da câmara do telemóvel como unique selling point para a compra de um telemóvel. Esta é uma tendência lançada pelo Iphone numa primeira fase e que neste momento entram competidores de peso – o Maemo da Nokia e o Android do Google.

A questão das aplicações é simples de explicar – é um universo de funcionalidades, do mais útil ao mais rídiculo, que nos permitem costumizar a experiência móvel ao máximo. Enquanto alguns OEM (Original Equipment Manufacturer) como a Samsung ou a Nokia tentaram implementar App Stores para os seus telemóveis Symbian, o facto é que nunca viram o sucesso de uma Apple Store ou, mais recentemente, do Google Store. A razão é simples – mais do que a dificuldade no desenvolvimento é a dificuldade da difusão. Ao contrário, os competidores Iphone OS e Android OS permitem aos utilizadores criarem as suas aplicações e facilmente partilhá-las em lojas globais. Ou seja, beneficiam exactamente do mesmo fenómeno que a Web 2.0 – partilha de conteúdos acessível a todos os utilizadores.

A actual evolução dos Smartphones deve-se ao fenómeno da Web 2.0. Com as Redes Sociais e com a partilha de conteúdos entre os utilizadores, os próprios telemóveis sofreram uma transformação. Com tantas ferramentas e funcionalidades, a verdade é que não estavam a responder à maior necessidade do consumidor – ligação permanente e conteúdo útil na hora. Desta forma, um mash-up da tecnologia dos Smartphones com serviços Web seria o caminho natural de evolução.

Daqui nascem os Location-Based Services – ou serviços baseados na localização do próprio utilizador. Estes serviços utilizam ou o GPS do telemóvel ou, caso não tenha, o sinal de rádio para as próprias torres da operadora para detectar o local exacto onde o utilizador se localiza. Sabendo esta informação, poder-lhe-á ser devolvida a informação mais pertinente na hora. Os LBS não são novidade nenhuma – já existem desde 2001. No entanto, a sua usabilidade deixava muito a desejar e o interface gráfico era pouco apelativo e difícil de usar.

Com as capacidades dos Smartphones, os LBS ganharam nova dimensão. Um exemplo claro é a aplicação para o Iphone, Layar. Esta aplicação utiliza a tecnologia de realidade aumentada, uma tecnologia que sobrepõe imagem real com uma camada de informação ficando a imagem com mais informação do que aquela existente. O Layar utiliza dois elementos – a localização do utilizador e a câmara do telemóvel. Ao ligar a aplicação, o Layar procura a nossa localização e acede à câmara. O utilizador deve então seleccionar um provedor – seja Wikipedia, Google Maps, entre outros – para fornecer a informação que pretende. Após seleccionar, ao olharmos para o ecrã, a Câmara está activa e sobre esta encontra-se uma camada (layer) que nos fornece informação de acordo com o local para onde apontamos a câmara. Imaginemos que seleccionei a Wikipedia. Se estiver visitar uma cidade e usar o Layar, consigo usar a câmara para, quando apontar para um monumento, saltar directamente no ecrã a explicação do monumento, alimentado directamente pela Wikipedia.

Outro exemplo que podemos dar é o recente Google Goggles. Esta aplicação de realidade aumentada para os telemóveis Android permite ao utilizador, através de uma fotografia tirada pelo telemóvel, fazer uma pesquisa imediata no Google sobre a mesma. Da mesma forma que o Layar, o Google Goggles faz uma pesquisa geográfica do utilizador e cruza a fotografia tirada com uma base de dados gigante de imagens de forma a devolver a legenda e informação correcta relativa à mesma. Qual a vantagem desta relativamente ao Layar? O Layar utiliza um serviço de cada vez – o Goggles utiliza o Google na íntegra, o que significa uma multiplitude de informação que engloba vários serviços do Layar (desde resultados devolvidos pela Wikipedia a críticas de restaurantes feitos num Blog). O Google Goggles consegue até detectar um quadro famoso e devolver a informação relativamente ao mesmo.

Algo que podemos considerar como um dado adquirido é que as aplicações de realidade aumentada são uma tendência crescente no mercado – e com eles os Smartphones que conseguem correr essa tecnologia. Coloca-se então a velha pergunta – o que veio primeiro, a tecnologia ou os terminais – o ovo ou a galinha. A resposta varia de interpretação para interpretação, mas de algo estamos certos – veio da necessidade de fazer uma omolete. A própria evolução do comportamento dos consumidores na Web 2.0 e as novas prioridades de informação que vêm com esta evolução levaram os Smartphones a adaptarem-se aos serviços que daqui derivaram e vice-versa – os próprios serviços utilizaram a tecnologia já existente nos telemóveis para oferecer a informação necessária.



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