Obelixx Popping Factory

Obelixx Popping Factory

«We will expand your horizons, twist your reality, enhance your dreams» - a “promessa” é feita por Marco Menezes, aka Obelixx, que traz agora para Portugal um projecto que envolve diferentes estilos de dança em torno do popping.

Marco Menezes tem 33 anos, 17 dos quais tem vivido a dançar. Proveniente de uma família com raízes africanas, era conhecido por ser o membro da família que, nas festas, ficava sempre encostado a um canto “a ver a banda passar”, sem dançar. «Depois veio um estilo de dança do qual gostei, o “Kuduro.” Era o único rapaz no meu bairro de outra etnia que não fosse africana que se atrevia a dançar. Mais tarde, fui a concerto de hip hop e vi alguns bboys. Nesse momento disse para mim mesmo, com 16 anos “ é isto que quero” e atirei me de cabeça.»

De cabeça, tronco e membros, Marco, cujo nome artístico é Obelixx acabou por se dedicar ao popping, na sequência de uma rotura de ligamentos que lhe retirou as possibilidades de dançar no chão. E assim encontrou aquilo que chama de vocação: o popping. Este é um estilo de dança que conhece a sua origem nos idos anos 60/70 e que consiste na contração dos músculos ao som da música. «Essa é uma definição possível» diz Obelixx, «mas o popping abarca uma enorme árvore de estilos: waving, tutting, scarecrow, toyman, robot, animation… são mais de 16 estilos que se podem considerar popping.» Com o tempo e a prática conquista-se uma definição própria? «Sim, eu diria que é o controlo absoluto do teu corpo sobre qualquer melodia ou som. Mas há tantos pontos de vista e tantas opiniões sobre este estilo, tão complexo, que é quase impossível defini-lo.»

Obelixx começou a dançar em Portugal, mais concretamente em Lisboa. Há três anos e meio que se mudou para a Bélgica, mais concretamente Antuérpia, onde continuou a dançar. «Na Bélgica, quando cheguei, havia poucos dancarinos que se dedicavam ao estilo de dança Popping; era uma atmosfera muito “comercial”, havendo apenas dois ou três O.G. [Original Generation] que dançavam de corpo e alma. Tive o prazer de aprender com Gerrit Wellens e Mike Alvarez.Depois de eu ter comecado a investir a sério no estilo e a ensinar poppers de raiz ,alguns dancarinos viram os resultados e decidiram juntar se ao Popping Factory.»

Popping Factory? E não te importas de nos explicar do que se trata? «Trata-se de um colectivo de dançarinos sob a minha gestão e treino. Obelixx Popping Factory (O.P.F) surgiu em 2013, na Bélgica, tendo começado com três elementos: Ivan Farinha, Denzel Bruckenburg e Denis Ingelbrecht. Neste momento somos cerca de 35 dançarinos, activos, neste projecto, que chegou agora a Portugal, contando já com uma equipa multidisciplinar, de 11 pessoas. Queremos formar dançarinos, não só em termos técnicos, mas numa perspectiva de desenvolvimento pessoal.» Obelixx fala-nos, com paixão, daquilo que é o seu desejo e vontade em interligar dançarinos. «Quero juntar pessoas com o mesmo objectivo; partilhar, desenvolver, criar, amor ao próximo e pela dança. Tomei a decisao de criar uma plataforma onde pudesse unir todas essas pessoas que queriam trabalharem função do mesmo objectivo.» É precisamente no arranque deste projecto que encontramos Obelixx e a sua crew: «Aqui estamos no início deste projecto onde ensinamos, partilhamos o nosso conhecimento e nos desenvolvemos enquanto dançarinos com Essência. Acima de tudo, ajudamo-nos mutuamente, para que aconteça um crescimento mais rico em sabedoria e para podermos espalhar o ensino “correcto e completo”.»

As referências de Obelixx, enquanto pessoas e dançarinos, são – para além dos seus pais, de quem fala “com um brilhozinho nos olhos”. «Tive o prazer de conhecer e partilhar momentos com milhares de dançarinos. As minhas principais referências são o Ricardo Rosa, em Portugal, e Byron Cox, dos E.U.A., com quem aprendi muito em relação à dança – e como ser humano. O meu primeiro professor, José Oliveira; Kevin Scholle, Chris Shake Mathis um dos pioneiros da era New Jack Swing – que posso considerar um mentor e o meu pai, na dança.»

Identifica como “greatest achievment” o desenvolvimento do projecto Popping Factory, que lhe tem permitido descobrir que há mais pessoas no mundo a querer viver o mesmo sonho: «Nesse momento, tens de tomar uma decisão: ou alimentas o teu ego como dançarino e ganhas mais um troféu ou decides ajudar alguém a ganhar.

O que define a alma de um popper, Obelixx? «É o foco, o foco na tua dança, na tua contracção muscular. Ou melhor, o verdadeiro foco para mim é a contracção da tua propria essência. O que conta é seres apreciado pela mensagem que transmites e não pelas views que consegues no youtube.»

Tivemos oportunidade de acompanhar alguns dos membros da Team O.P.F Portugal numa Battle All Styles: Devllinpop, Nusik e Ymura deram provas de qualidade – e desconfiamos que quem assistiu às suas prestações, fruto de um grande improviso, conseguiu vislumbrar-lhes a tal essência de que fala Obelixx.



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