“Oceânia” de Lucy Angel
Cuidado com o que desejas
Oceânia, de Lucy Angel (Saída de Emergência, 2024), é um romance de fantasia, envolvente e promissor. Um enredo de aventura, com vários perigos. Uma luta incessante pela sobrevivência e liberdade.
Costumava ansiar por viver aventuras e conhecer as lendas. Sonhava em desbravar territórios desconhecidos, explorar os confins do mundo e escapar das garras da minha existência sufocante. Desejava ser livre. Longe do meu reino, da minha coroa, da princesa perfeita que tinha de ser.
Livro de estreia da autora Lucy Angel (pseudónimo), bióloga marinha de profissão, que tem nas artes (ballet, cantar), a sua outra paixão.
Como livrólica acérrima, os livros têm sido os seus companheiros de viagens por mundos imaginários; mundos esses, polvilhados a contos de fadas e fantasia em geral, que a impulsionaram a escrever Oceânia, onde une os seus dois mundos (o mar e a escrita).
Para acompanhar o enredo, Lucy Angel, disponibiliza nas páginas iniciais, uma ‘playlist’.

É pior do que imaginei. Esta é uma viagem sem volta. Sem escapatória. Sem terra firme.
Catherine de Oceânia, é uma princesa que se importa com o seu povo. Um povo que sofre, enquanto no palácio se prospera.
Vista como um problema, e desnecessária, após o seu pai ter conseguido o seu herdeiro masculino, anseia por ser livre das amarras de princesa, da proibição de ajudar o povo, de se sentir indesejada.
Mas nada a podia preparar para o maior dos golpes.
Catherine acorda enjoada, presa, num navio rumo ao desconhecido. Estava nas mãos do pirata mais temido do oceano, Darin.
Os desejos podem ser perigosos… Tal como as ondas do Mar e a força do Oceano… O Destino é inevitável.
Darin, o temido pirata temido pelos sete reinos, é um homem de aparência cruel, misterioso e extremamente arrogante, que rapta Catherine com um intuito específico.
O caminho de ambos, está repleto de perigos e monstros que não os querem deixar vivos.
Catherine sabe que nada mais a espera que a morte, para onde navega, mas faz de tudo humanamente possível para sobreviver mais um dia e lutar contra esse destino.
A Morte não é o fim. É o início de uma nova jornada.
Lançada para uma nova realidade, onde as lendas são reais, e a Grande Serpente Marinha, a pode reclamar como sacrifício, Catherine só tem como “companheiros” de jornada, Darin e a sua tripulação, entre eles, Eve, Michael, Josh, Adron e os gémeos, Orin e Torin.
A história tem vários pontos positivos, o ‘lore’ que envolve o leitor, uma personagem feminina forte e decidida, um antagonista a quem ela tenta decifrar ao longo da viagem, e marinheiros sérios e distantes, que vão mostrando, com o passar do tempo, que debaixo daquele exterior austero, há corações feridos.
O que esperar para uma possível sequela? Talvez mais desenvolvimento sobre os sete reinos, que só foram mencionados muito brevemente, já que a jornada é passada, maioritariamente, no mar, com foco na vida de marinheiro, o passado da tripulação, e as ilhas e monstros que se lhes deparam pelo caminho, e as tentativas de Catherine de driblar o destino que a “espera de braços abertos”.
Eu faço o meu destino. Ninguém mais tem esse direito. Muito menos um pirata de meia-tigela.
Oceânia, de Lucy Angel, é uma aventura repleta de desilusões, dor, perdas, receios e anseios, superação, esperança e magia.
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