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Octopath Traveler | Análise | Switch

Recomenda-se.

Outrora um exclusivo da Switch, Octopath Traveler apresenta-se como uma obra revivalista, reminiscente de uma altura mais simples no mundo dos RPGs, onde a imaginação preenchia as lacunas da acção dramática que os gráficos, embora charmosos, não conseguiam reproduzir. Mal se pega no comando, percebe-se que o objectivo dos criadores é fornecer-nos a experiência dos clássicos. Ou seja, se o lento desenrolar do texto, a história tele-novelesca, o passo vagaroso do protagonista e as batalhas estratégicas (quase infindas) são elementos que vos enchem de nostalgia, então convido-vos a ler esta análise. Os curiosos também são bem-vindos, mas com a recomendação de jogarem, antes, alguns dos clássicos, como Chrono Trigger ou um dos primeiros 6 Final Fantasies – títulos que são alvo de inspiração do Octopath Traveler.

Comecemos pelo que este jogo tem de mais belo: a sua apresentação estética e brio musical. Não é de surpreender que a equipa orquestral da Square Enix (devidamente meritada nos créditos) tenha composto mais um soundtrack digno de várias repetições fora do contexto do jogo e que traduz, lindamente, a rica variedade de ambientes presentes neste título. Desde desertos tempestosos, a montanhas gélidas, paisagens fluviais, e cidades de diversos graus de evolução industrial – passear no mundo de Orsterra é uma viagem sensorialmente apelativa. Embora estejamos perante imagens pixelizadas, a maneira como estas estão implementadas no mundo tridimensional é simplesmente magnífica e uma forte razão para continuarmos a explorar o mapa.

E assim o faremos seguindo 8 trilhos diferentes – um para cada protagonista que o jogo oferece – 8 personagens bastante distintas tanto na sua personalidade quanto nas suas habilidades práticas. Existe uma história que as une a todas, mas esta demora bastante tempo a desenrolar. Até lá, teremos de seguir os episódios individuais de cada traveler. Para cada um, existem 4 capítulos de uma narrativa tele-novelesca com uma mensagem emocional, que, em todos os casos, é razoavelmente envolvente. Esta história, repartida octogonalmente, insere-se na jogabilidade da seguinte maneira: começamos por escolher uma personagem que será a líder do nosso grupo até a sua narrativa ser concluída e todas as personagens que recrutemos, subsequentemente, poderão ser trocadas à vontade do jogador. Progredimos no jogo à medida que concluímos, em qualquer ordem, os 4 capítulos diferentes de cada personagem – ou seja, 36 capítulos no total, sem contar com o que vem a seguir, e cada um com cerca de uma a duas horas de duração. Devo notar, no entanto, que não existe quase interacção nenhuma entre as personagens durante o desenrolar de cada capítulo individual, com a excepção de curtas “conversas de café” que podemos ouvir a meio, mas que não são muito mais que meros “bitaites”.

“uma apresentação tão majestosa, uma música inesquecível e um sistema de combate positivamente viciante”

Para cada capítulo o mesmo se repete: temos de viajar até ao sítio onde é suposto este se desenrolar, encontrando, aleatoriamente ao longo do caminho, monstros contra os quais combatemos por turnos, mesmo ao estilo clássico de RPG. No entanto, Octopath Traveller introduz uma ideia original que faz com que estes encontros nunca se tornem cansativos – a mecânica das vulnerabilidades. Basicamente, cada inimigo só pode ser realmente danificado depois de quebrarmos as suas “defesas”. Estas desaparecem se o atingirmos com as fraquezas indicadas – pode ser um ataque tanto de elementos ou de armas diferentes, desde que seja repetido o número de vezes indicado no ecrã. Traduzindo por miúdos, cada batalha resume-se a uma contagem estratégica de turnos necessários para quebrar a defesa adversária e a uma gestão dos nossos recursos para maximizar o dano quando o inimigo sucumbir (ao mesmo tempo que nos precavemos dos ataques do mesmo). Esta abordagem dinâmica ao combate clássico de RPG é bastante refrescante, especialmente nas lutas contra bosses – estes têm ataques especiais que nos obrigam a pensar bem na equipa que queremos construir. É nesta situação em que as habilidades individuais de cada personagem brilham, pois nenhuma tem acesso a todas as fraquezas que os inimigos possam ter. Até as personagens com habilidades defensivas não serão desperdiçadas na vossa equipa – existem várias ocasiões onde a força individual de cada uma é valorizada. E é desta maneira que somos convidados a recrutar e progredir com todas elas para desbloquear o seu derradeiro potencial.

O único problema que eu devo apontar é que, uma vez tendo a nossa equipa perfeita, cada membro será, inevitavelmente, muito mais forte do que os que ficarão de fora. Isto acontece pois a nossa equipa em cada batalha s]o pode ter 4 membros, do total de 8. Ou seja, se formos tentar concluir os capítulos dos que ficaram a aquecer o banco, teremos duas opções: ou trazemos connosco uma personagem demasiado poderosa, tornando as batalhas menos desafiantes, ou vimo-nos obrigados a “jogar o jogo desde o início”, desta vez com a equipa de personagens de nível inferior, passando pelos capítulos que deixámos para trás da primeira vez. No entanto, eu acho que este defeito do Octopath Traveller poderá ser uma razão positiva para a sua longevidade. E, para um jogo que faz quase tudo o resto de uma maneira plenamente satisfatória, salvo, talvez, o teor previsível da história, a “longevidade” é muito bem-vinda. É possível demorar cerca de 50 horas para completar todos os capítulos e ainda ter um “pós-jogo” bem desafiante perante nós

Em suma, com uma apresentação tão majestosa, uma música inesquecível e um sistema de combate positivamente viciante, qualquer fã de RPGs da velha-guarda deverá imediatamente experimentar a demo e ponderar a compra. E até os que nunca gostaram do estilo clássico de RPGs japoneses poderão mudar de ideias com este título. Uma forte recomendação por parte da RuaDeBaixo.

Nº da Rua: 8,5/10



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