OFF-Sonar 2006

De 9 a 17 de Junho Barcelona não é só SONAR.

Dia 9 de Junho marca a abertura não oficial de Barcelona como capital mundial da musica electrónica. Apesar do SONAR apenas se realizar a 15, 16 e 17 do citado mês, todos os Clubs da capital da Catalunha recebem Dj´s, Labels, produtores, críticos, amantes do melhor que se faz na electrónica actualmente.

Salas como o LOFT (da discoteca RAZZMATAZZ) ou a APOLO (da discoteca NITSA) quase conseguem nessa semana fazer concorrência ao cartaz do SONAR, apesar dos muitos artistas que actuam nessas salas integrarem o cartaz do SONAR. Citados alguns exemplos, podemos encontrar artistas como Vitalic, The Hacker, 2 Many DJ´S, Félix the Housecat, Black Strobe, M.A.N.D.Y., Ellen Allein, James Murphy (LCD Soundsystem) no LOFT, e espectáculos no NITSA da Kompakt, DFA, Get Physical, Bpitch Control e Internacional Deejay Gigolos com quase todas as suas “estrelas”. No final da Ramblas encontramos o club FELLINI que, embora seja de menos dimensão que o RAZZ e o NITSA, consegue nessa semana receber espectáculos de nomes como Terence Fixmer e Richard Bartz, artistas da electro pura e dura (Gigolo Recordings).

Clubs mais pequenos como o ZENTRAUS, situado na Rambla Raval bem perto do NITSA, fazem festas “temáticas” diferentes todos os dias da semana; um dia Trance, outro Drum’n´Bass ou outro House…

Aliadas às referidas festas, praias como na Playa Mar Bella apresentavam performances gratuitas de nomes como Miss Kittin, Michael Mayer e Dj Koze, só para citar alguns nomes. Multidões enormes de “havaianas” a desfrutarem o som desde o início da tarde até ao final da noite. Chuiritos (denominação para os bares na praia) a tocarem discos, a venderem “birra”, água límpida a uma temperatura bastante agradável… parece que Ibiza foi transferida para Barcelona durante esta época

Depois da festa terminar no SONAR BY NIGHT existe um after (que decorre ao mesmo tempo que o SONAR mas parece não ter hora de encerramento), bem perto do recinto denominado de ANTI-SONAR frequentado, na sua maioria, pela cultura “freak”.

Este “mini-festival” deixa a sensação da entrada no inferno/submundo de Londres dos anos 70 ou cenário parecido, com duas pistas ao ar livre onde o pitch dos pratos parecia não ter limite de graduação – chamada a música Ruber (cerca de 300bpm) – , o público todo vestido de preto, cães por todos os lados, venda de todo o tipo de “comes e bebes” a muito menos de metade do preço do SONAR, carrinhas com o “estáminé” montado e as poucas pessoas que se encontram lúcidas, pouco tempo conseguem permanecer neste cenário autenticamente caótico/anárquico. O contraste com o SONAR é algo de abismal… é como passar do paraíso para o lado do demónio (sem qualquer tipo de censura ao estilo de vida dos intervenientes).

É chamada a cena HARDCORE a pouco menos de 1 km do recinto que acolhe e mostra ao mundo o melhor de se faz na electro, techno, scratch, house, dance hall, minimal, enfim toda a música que tenha “bytes” na sua composição.

Estima-se que, para além das cerca de 90.000 pessoas que assistiram ao festival, Barcelona acolhe nessa semana cerca de 300.000 apenas para desfrutar de todas estas festas paralelas, praia e, claro, visitar esta autêntica relíquia arquitectónica que é a cidade do actual clube campeão europeu.

Quem desejar conhecer a vida cosmopolita de Barcelona e não entrar em loucuras de dispêndio de dinheiro não pense que a semana do SONAR é uma má opção, antes pelo contrário. A cidade está mais animada que nunca, os preços dos aviões são bastante apetecíveis, festas é o que não falta (gratuitas muitas delas) e a cidade encontra-se num autêntico estado de êxtase com a presença de um dos (senão o) festival mais vanguardista da electrónica mundial.

Quem tiver muitos Euros para gastar que vá também, pois o mais “grave” que lhe poderá acontecer é não saber para onde se há-de “virar”, já que a oferta é tanta que poderá ser a causa dos maiores conflitos intrapsíquicos da sua vida. Poderá acontecer-lhe ter BlackStrobe e Ellen Allien no RAZZ, noite da KOMPAKT no NITSA e TIGA, HERBERT e DJ SHADOW no SONAR, todos a tocarem a mesma hora – difícil, aliás muito difícil – mas antes todas as nossas indecisões fossem estas…



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