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OFFF 2011 Barcelona

Let’s feed the future.

O OFFF está de volta a Barcelona e ao Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB) e estará aberto entre os dias 9 e 11 de Junho. Para aqueles que acompanham este evento regularmente é como “voltar à casa-mãe”, e para os estreantes uma grande oportunidade de desfrutar do maior evento de cultura visual pós-era digital num espaço que alia muito bem os traços mais marcados da arquitectura da cidade de Barcelona com a arquitectura contemporânea.

Dia 1

Este ano a organização do OFFF, Ilovezumi e a zero4, voaram alto nas suas ambições e criaram um programa que tem duas características interessantes, quantidade e qualidade. Pela primeira vez o OFFF está dividido por diferentes espaços onde decorrem simultaneamente várias conferências. O principal e mais concorrido é o ROOTS onde hoje tivemos em palco Joshua Davis, o “avô” deste festival que nos deu as boas-vindas, Kultnaion, Unit9, Han Hoogerbrugge, a agência Design is Dead, Blake Whitman e Alex Trochut. Outro espaço de conferências fica no Teatro do CCCB e foi baptizado de BIS. Nele assistimos à conferência da SlashThree que apresentou em exclusivo para o OFFF o seu novo livro, “New Era”, que mostra alguns dos trabalhos desenvolvidos pela mesma. Da programação deste espaço destacou-se Onur Senturk que mostrou um pouco do seu processo criativo e cativou o público com os seus projectos de motion graphics, a Multitouch Barcelona, a Ignore (agência que desenvolveu o branding do OFFF2011) e The mill. O terceiro espaço com programação simultânea com o ROOTS e o BIS é o Open Room com várias apresentações ao longo do dia.

Para além dos ciclos de conferências, o OFFF 2011 conta com o habitual “Mercadillo” onde podemos encontrar diversas agências que promovem e vendem o seu trabalho e onde se incluem os portugueses Stickfacerunner. Nesta área ao ar livre, podemos relaxar um pouco e recuperar energias com serviço de refeições rápidas e bebidas.

O OFFF conta ainda com uma exposição intitulada “Other Mirrors” no espaço OFFFMàtica, onde são apresentados trabalhos de estudo nas áreas do design de interacção, webdesign e printing. Todos os projectos desta exposição têm por base a representação humana através do retrato que, como sabemos, esteve sempre presente nas várias manifestações artísticas ao longo do tempo. Nesta sala rompem-se os limites da criatividade e são-nos apresentadas novas formas de abordar o retrato na era digital. Uma exposição muito interactiva com projectos de grande qualidade e muito intuitivos.

Este primeiro dia do OFFF superou as expectativas da organização que chegou a ter problemas devido à dificuldade do fluxo de pessoas pelos corredores do CCCB. Por muitas vezes o acesso às salas de conferência eram condicionados, o que levou a que muitos visitantes perdessem conferências que desejariam ver. Tanto no acesso à sala ROOTS como para subir ao Teatro do CCCB as dificuldades eram imensas, chegando a haver filas de espera de cerca de 20 minutos. Esta situação levou a organização a emitir um pedido de desculpas pelo incómodo e a apelar à compreensão e paciência dos presentes. Segundo a mesma, já estão a ser estudadas alternativas para que não aconteça o mesmo nos dias seguintes.

No entanto, o balanço geral do primeiro dia foi bastante positivo com conferências excepcionais que agradaram o público em geral. O grande destaque do dia foi mesmo Joshua Davis que fechou a noite com uma palestra espectacular, cativante e muito divertida mostrando as suas capacidades de entertainer! Este teve oportunidade de reencontrar algumas caras que conheceu nas edições anteriores do OFFF em Portugal, não faltando uma piada ou duas em “português”.

Em grande no OFFF está também o público português que aderiu em grande escala ao evento, o que mostra que os nossos criativos gostam de estar na linha da frente dos acontecimentos e em constante actualização.

Dia 2

O segundo dia começou debaixo de chuva. Um dia cinzento que desanimou o público que, no dia anterior, mesmo com os espaços exteriores cheios, não conseguia circular com fluidez no CCCB temendo por isso que a situação se agravasse. Ao iniciar o dia reparámos que a organização estava a tentar resolver algumas das falhas do dia de abertura. Onde antes não se via sinalética, hoje podíamos encontrar painéis improvisados a indicar o caminho para os diferentes palcos e para as casas-de-banho. No pátio foi montada uma plateia para que algumas pessoas pudessem assistir às conferências sem terem de se sentar no chão e, dessa mesma forma, reduziram o número de cadeiras na sala Roots para permitir que mais pessoas conseguissem assistir de pé nessa sala.

Infelizmente, essas medidas adoptadas pela organização não foram suficientes para resolver o problema e continuávamos a ouvir imensas reclamações do público que se via preso nos corredores do CCCB e que acabava por perder as conferências que queria ver ao vivo. Alguns contentaram-se com um ecrã ou uma tela de projecção, sentados no chão imensas horas.

No entanto, no que à programação diz respeito, o dia começou em grande no Roots com a apresentação do “Russian Creative Panel” por Evgeny Kiselev, Vladimir Tomir e Arseny Vesnin que nos mostram o melhor que as novas gerações russas estão a criar nas áreas de motion-graphics, ilustração e design gráfico. Ao mesmo tempo no OpenRoom, Jennifer Cirpici impressionava o público com o seu portfólio e pela sua tenra idade. Mostrou-nos alguns dos seus trabalhos mais recentes de webdesign e design gráfico e deu conselhos aos designers júniores depois de nos fazer um breve resumo da história da sua vida até começar a trabalhar como designer. No final da manhã fomos ouvir a conferência de ToDo no Bis, onde apreciámos os mais recentes projectos interactivos que desenvolveram. Esta palestra teve uma grande receptividade o que mostrou, mais uma vez, que a interactividade é uma grande preocupação dos designers neste momento.

Após o almoço começamos com um grande nome no Roots, Hort, que nos mostrou a sua perspectiva de relação com uma equipa e de como gerir a mesma. Hort, que abriu a sua empresa em 1994, percebeu que precisava de companhia para conseguir desenvolver os projectos que criava. Como não queria que existissem limitações técnicas, criou a sua equipa e exemplificou como se relaciona com ela, completamente sem limitações. Avisou-nos ainda que “(…) quando alguém nos tenta dizer o que é correcto, essa pessoa está errada!” pedindo-nos que não nos deixemos dominar pelo cliente mas sim que o integrássemos na equipa de modo a estarmos todos do mesmo lado.

Um dos nomes mais aguardados, Jon Burgerman, subiu ao palco às 17:00h e de imediato cativou o público com o seu bom humor. Uma apresentação com muitos bonecos onde nos fez uma relação entre a sua vida e o seu trabalho. Segundo ele, a sua vida resume-se ao tempo despendido até chegar ao resultado final que é o seu trabalho. Burgerman mostrou-nos a sua metodologia de trabalho e as suas composições com vegetais! O seu discurso directo, simples e simpático culminou com um grande aplauso do público que em seguida foi em peso comprar o seu livro e pedir autógrafos. Em seguida, recebemos Andy Cruz que nos mostrou o trabalho da House Industries. Tipografia foi o tema mais abordado ao longo da conferência assim como algumas das identidades desenvolvidas pela empresa. Destacamos a distribuição de Booklets e t-shirts pela plateia que ficou maravilhada com a generosidade. A fechar este dia, uma vez que a nossa tarde foi concentrada no Roots, recebemos a diva da tipografia Marian Bantjes, que encheu a sala de tal forma que muitas pessoas não conseguiram entrar. No entanto os presentes tiveram o privilégio de ouvir imensos conselhos e de apreciar uma palestra muito clara e pedagógica. Fechámos o dia a pensar em tipografia e em como honrar a mesma.

Este segundo dia ficou marcado pela chuva que todo o dia persistiu em cair deixando os espaços ao ar livre vazios e prejudicando o público, que tinha dificuldade em se movimentar sem se molhar. O resultado disto era bem visível com um The Speakers Corner que não tinha audiência e os expositores do “Mercadillo” que estiveram a maior parte do tempo vazios e num piso lamacento. De destacar o esforço da organização para resolver o problema do fluxo de pessoas nas instalações do CCCB embora as medidas adoptadas não tenham sido suficientes para resolvê-lo.

Dia 3

O terceiro dia começa mais colorido graças ao fim da chuva. Porém, a afluência do público durante o período da manhã foi muito inferior à registada nos outros dias. Este aspecto melhorou as condições de circulação entre os diversos espaços, não ocorrendo as habituais filas de espera.

A nossa equipa começou o dia no Open Room onde assistimos à apresentação da Seeper pelo seu director criativo Evan Grant. Evan, que já participou em conferências da TED no Reino Unido e nos Estados Unidos da América, começou por nos apresentar o seu progresso até se tornar designer, falando das suas primeiras experiências com computadores. Depois apresentou-nos inúmeros projectos desenvolvidos nos últimos anos pela Seeper onde a interactividade multi-sensorial impressionou o público. Durante a conferência mostrou-nos trabalhos surpreendentes que exploram estratégias interactivas para o marketing e publicidade. Duma forma muito intuitiva, os projectos da Seeper exploram motion graphics, som e luz numa combinação perfeita. Após a exibição de alguns vídeos dos projectos da Seeper, Evan falou-nos sobre a importância de encontrar um equilíbrio entre a humanidade, a tecnologia e a Natureza e que devemos encontrar as respostas às nossas maiores dúvidas observando e adaptando-nos à Natureza sem a prejudicar. No final houve ainda tempo para uma surpresa – Evan Grant apresentou, pela primeira vez em público, o novo projecto no qual está a trabalhar chamado 3D Pixel, que recebeu uma enorme ovação.

Depois desta fantástica palestra, fomos até ao Roots ver a apresentação da OneSize que nos encheu de bom humor e nos mostrou os seus trabalhos na área da animação 3D. Partilharam também connosco a sua metodologia de trabalho que, segundo confessaram, não serve de exemplo a ninguém pois eles trabalham pela intuição! O público ficou muito agradado com esta palestra pois conseguiram acompanhar o progresso de alguns projectos da OneSize de grande qualidade.

O período da tarde começa com um aumento da audiência, não fossem passar pelos diversos palcos alguns dos nomes mais aguardados desta edição do OFFF. A equipa da Rua de Baixo começou no OpenRoom com o realizador Marc Gómez del Moral. Scissor Sisters, El guincho e Battles foram algumas das bandas que serviram de mote para a apresentação dos seus trabalhos. Este realizador explicou-nos a importância de escolher bem a forma e o material com que se vai filmar antes de iniciar o processo pois, segundo o próprio, as ferramentas e a forma como decidimos filmar tornam-se na estética do resultado final. Os seus videoclips, cheios de simbolismo, vão beber imenso à história da arte onde Marc se inspira e vai buscar referências para construir os seus trabalhos. Esta apresentação teve direito a sala cheia e deixou muitos dos presentes com água na boca!

Numa rápida visita ao Bis vimos um pouco da apresentação de Matt W. Moore (MWM) que nos mostrou uma nova abordagem estética ao grafitti e à arte urbana. MWM falou-nos igualmente de alguns trabalhos de design gráfico que realizou onde, por vezes, acabava por realizar trabalhos relacionados com murais. Uma apresentação com muita cor e personalidade.

A meio da tarde chegou um dos momentos mais complicados. No Roots recebíamos Eboy e quase ao mesmo tempo, no Bis, tínhamos os BrosMind. Ambos captaram todas as atenções, porém quem esteve na apresentação de BrosMind apercebeu-se que a sala não dava nem para mais uma pessoa. Vestidos a rigor, BrosMind sobem ao palco com uma energia empolgante. Falam-nos das suas ambições (Beauty, vacations, fame & money) e mostram-nos como realizam o seu trabalho. Sempre com muito humor, os irmãos mostraram o porquê de funcionarem tão bem em grupo e como se conseguem “aturar” um ao outro. No entanto, na sala ao lado os Eboy mostravam o seu mundo colorido e pixelizado. Os seus projectos são muito coloridos, quentes e equilibrados visualmente. Falaram sobre o processo criativo, a importância de aproveitar todas as ilustrações que realizam mesmo quando elas não servem o trabalho para que foram concebidas. Mostram-nos a importância de criar um arquivo morto onde podem sempre ir à procura de ideias que no passado não serviram mas que actualmente podem fazer a diferença e falaram sobre os seus livros já na perspectiva de realizar um próximo brevemente.

Estávamos a chegar quase ao final do OFFF e eis que chegam as três palestras mais esperadas do dia. Erik Spiekermann, PostPanic e o grande Stefan Sagmeister. O Roots não tinha mais espaço, a sala Bis (com transmissão em directo do Roots) estava cheia e quem não tinha tido oportunidade de entrar teve que se contentar com o ecrã do pátio. A sala fazia silêncio para ouvir estas três últimas palestras.

Spiekermann sobe ao palco para nos falar de metodologia começando com um contra-senso: “Today, OFFF is a way of understanding art. I am not an artist. I am a designer!”. Desta forma inicia um discurso que nos leva a reflectir sobre a importância da nossa profissão e partilha connosco a sua forma de encarar a metodologia do design. Spiekermann pede-nos para não cairmos na tendência de fazermos “trabalhos feios” para dar a ideia de serem “baratos”, pois se utilizarmos o nosso cérebro conseguimos encontrar soluções económicas, simples, funcionais e esteticamente interessantes.

A Post Panic abre a sessão com o seu showreel que mereceu uma grande salva de palmas. Depois de apresentada a empresa e o atelier, apresentaram-nos a curta de auto-promoção “Postman” e explicaram o processo desde a criação das personagens, animatics, produção e pós-produção. Da mesma forma, apresentaram mais um vídeo da mesma saga e finalmente o tão esperado Vídeo de Títulos do OFFF 2011. O vídeo passa e no final a reacção do público foi efusiva perante a elevada qualidade.

Year Zero – OFFF Barcelona 2011 Main Titles from PostPanic on Vimeo.

A fechar em grande esta edição do OFFF, o palco do Roots recebeu Stefan Sagmeister que balançou entre a teoria e a prática de uma forma tão natural que tocou todos os presentes e cativou a audiência do início ao fim. Sagmeister trouxe-nos o tema “Design e Felicidade”. Falou-nos da importância de saber definir o nosso dia de trabalho, procurar ter momentos de relaxamento e descanso ao longo da carreira para que possamos produzir melhor e com uma mente mais aberta e, acima de tudo, fez-nos reflectir sobre os nossos medos e as oportunidades que perdemos quando não os enfrentamos. Uma palestra muito íntima que teve por base o documentário que Sagmeister está a desenvolver intitulado “The Happy Film”, uma avaliação das estratégias que os psicólogos recomendam para se viver em harmonia com o mundo. Sagmeister irá, ao longo do documentário, experimentar meditação, terapia cognitiva e drogas cujos resultados médicos serão depois apresentados de forma a verificar qual a aplicabilidade desses mesmos métodos. Espera-se que o documentário seja apresentado ainda este ano.

Desta forma Sagmeister fechou o cartaz do OFFF 2011 Barcelona que terminou com uma boa energia. A seguir a festa termina mais ao final da noite na discoteca KGB com o Wrapped OFFF 2011 Closing Party.

Agradecemos o apoio da ESEC UAlgBe Pro Line – Imagem e DesignOde – Associação Artístico-Cultural.

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Fotografias de Eugénio Gravina.



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