Old Jerusalem

Old Jerusalem | “A Rose Is a Rose Is a Rose”

Se a melancolia é um estado de espírito, então as canções de Old Jerusalem personificam-no de forma perfeita

Há pouco tempo, em conversa com Carlos Vaz Marques da TSF, no Pessoal e Transmissível, Francisco Silva, o economista / singer-songwriter (é inevitável rotular) confessava que lhe é muito mais fácil escrever uma canção triste ou melancólica do que uma canção alegre. Não podia concordar mais com ele. Musicar ou letrar a alegria tem de ser difícil. É óptimo estar alegre e feliz, não me interpretem mal, mas há muito mais para dizer quando não o estamos. Se a melancolia é um estado de espírito, então as canções de Old Jerusalem personificam-no de forma perfeita.

O alter-ego de Francisco Silva devia e merecia (muito mesmo!) ser mais conhecido, ser mais reconhecido entre nós. Porém, este também é um daqueles casos em que dou por mim a invocar aquele sentimento de “posse” (as aspas desempenham um papel fundamental aqui para que passe a ideia correcta!) sobre um segredo bem guardado e que é só nosso. Parece que paira num ar um receio de que tão belas canções se estraguem se forem escutadas por demasiada gente. Chamo-lhe egoísmo bom (e tenho quase a certeza que já usei esta expressão por estas bandas no passado).

O formato da canção folk americana fala mais alto nas dez canções que compõem o alinhamento de “A Rose Is a Rose Is a Rose”. O título evoca o verso de um poema de Gertrude Stein, intitulado “Sacred Emily” e que poderia ser encarado como uma forma de afirmar que as coisas são como são. Na realidade não é bem assim mas estas canções são janelas para a alma de Francisco Silva e, porque não, a nossa também. É que não é de todo difícil revermo-nos em muitas das letras. E num disco cheio de momentos tão bonitos, sinceros e verdadeiramente bem conseguidos, seria de uma tremenda injustiça não falar na importância de Felipe Melo pelo contrabaixo e as cordas que acrescenta a estas canções.

«A Charm» começa apenas com a viola. Não é de estranhar. O álbum anterior, homónimo de 2011, foi um trabalho solitário. Estamos por isso perante uma ponte que, a meio da canção, quando surgem as cordas e a bateria, é ultrapassada. E que bem que as cordas ficam nestas canções, deixem que vos diga. «Airs of Probity» é de uma beleza pura se bem que subtil.

«A Rose Is A Rose Is A Rose» é a canção que também dá o título ao álbum. Começa lenta e mais pesada que as anteriores. Cheia de arranjos, detalhes e pormenores. A cada segundo parece que somos presenteados com algo novo, sempre no tempo certo e com a nota certa. Em «All the While» a dada altura escuta-se “The Lord giveth and the Lord taketh away”. Lembra-me Sam Beam (Iron & Wine). Talvez por ter estado cá há pouco tempo e talvez também pelas referências religiosas, tão comuns nas canções do norte-americano.

Quando escutamos «One for Dusty Light» é mesmo fácil imaginarmo-nos a viajar de carro no Verão, com a cabeça fora da janela e de olhos fechados enquanto o Sol nos bate suavemente na cara. Há canções assim. É a canção menos melancólica deste álbum, não só pela melodia, sempre marcada pelo diálogo constante entre a percussão e a viola mas também pelas palavras que Francisco Silva canta.

«Florentine Course» transmite-nos a sensação de que algo pode acontecer a qualquer momento mas que não devemos de deixar de viver por causa disso. Há toda uma tensão a acompanhar a canção do início ao fim. É um misto de desconforto com aquele arrepio na espinha. «Summer Storm» relembra-nos que o amor é como uma montanha russa de emoções, completamente imprevisível e nunca, por um momento que seja, aborrecido. «Tribal Joys» dá azo a algum experimentalismo. A cadência e o ritmo são outros e a melodia também. Até com as vozes se trabalha de forma diferente das restantes canções.

Uma possível tradução para «Dayspring» é aurora ou nascer do sol. É uma meditação sobre encarar um novo dia, connosco e com os que nos rodeiam, onde a dada altura Francisco Silva canta de uma forma algo sussurrada mas grave “let’s celebrate, let’s celebrate, let’s celebrate”. Apetece. Como seres humanos e falíveis que somos, podemos ter uma compreensão muito limitada do tempo mas sentimos inevitavelmente o seu impacto nas nossas vidas. Esses são claros como água. Envelhecemos. Sempre. Dê por onde der. Fisicamente, psicologicamente ou ambos. «Twenties» é uma curta, curtinha canção (ou ensaio) sobre como encaixar esse impacto.

[Play] (outra vez)

 

Passatempo

Temos 3 exemplares de “A Rose Is a Rose Is a Rose” para oferecer. Para isso basta preencher o formulário em baixo e responder a esta pergunta: O título deste disco foi inspirado num poema de que escritora/poetisa norte-americana?

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