Open Mind @ Ler Devagar (30.03.2013)

Open Mind @ Ler Devagar (30.03.2013)

Os Open Mind fizeram a sua estreia com um concerto na livraria Ler Devagar, na Lx Factory, Lisboa, no passado sábado, dia 30 de Março

O sexteto apresentou um projecto inédito, uma vez que a sua música resulta da combinação entre improvisação e direcção musical. Esta formação é constituida por Luís Vicente (t), Miguel Mira (cello), Paulo Pimentel (p/fr), João Lencastre (b), Bruno Parrinha (s/c) e Luís Bragança Gil (direcção musical/condutor).

Inicialmente foi um pouco estranho ver os músicos que compõem esta formação tocarem os seus instrumentos conduzidos por um maestro. Sim, porque habitualmente vê-mo-los improvisando e tocando de uma forma livre e espontânea e ali por vezes, sobretudo no início, dava a sensação de existir algum constrangimento.

E de facto, até houve. O arranque do primeiro take foi um pouco confuso, com o grupo a tentar encontrar um certo equilibrio e cada um dos músicos o seu próprio espaço. Exactamente nesta busca do equilíbrio por parte de Luís Gil houve por vezes que segurar um ou outro músico, conduzindo-o de uma maneira ou de outra; e aqui sim, reconheço que me apetecia que aquele som continuasse naquele registo, o de uma improvisação mais “desgovernada”.

Conseguido o equilibrio, tudo foi muito diferente e agradável. Por vezes soava a orquestra, mas o que se escutava era bom. O grupo passou a funcionar como um todo e o maestro vibrava com o que ouvia; os músicos, esses, pareciam desfrutar com o desenrolar dos acontecimentos. E não era para menos: a confiança dada pela secção rítmica, assegurada e bem por Miguel Mira (cello) e João Lencastre (b), mostrava que, acontecesse o que acontecesse, aquele monstruoso pilar estava lá para aguentar o que fosse necessário.

Houve momentos extraordinários, de exploração, improvisação e grandes solos, com especial destaque para o Luís Vicente, que esteve grande no trompete, e para o baterista João Lencastre que demonstrou que, apesar dos seus terrenos serem mais mainstream, é um músico que se adapta perfeitamente a outras linguagens.

É pena que o mesmo espaço não tenha sido dado a todos e por isso uns tenham tido uma aparente maior visibilidade que outros.

Foi a primeira vez que tocaram em público e percebeu-se perfeitamente que o projecto tem margem de progressão. Com o tempo, virá a coesão e o hábito de tocarem juntos… O saldo, esse, é positivo. Eu gostei e recomendo!



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