rdb_optimusalive_header

Optimus Alive! 2010

O primeira dia de celebração.

O relógio anunciava as 16h30 e tinha acabado de dar entrada no recinto. Os 30 minutos que faltavam até ao primeiro concerto do Optimus Alive! 2010 convidavam a um rápido reconhecimento do recinto, para verificar novidades face ao ano anterior. Nada de especial a assinalar. Mesma disposição do espaço e apenas alguns stands diferentes, fruto de patrocinadores diferentes. Nada de interessante a assinalar neste ponto em particular, por isso. Antes de rumar em definitivo ao Palco Super Bock (chamá-lo de secundário é menosprezar a cada vez maior influência que tem em atrair público ao festival), houve tempo para uma rápida passagem pela entrada principal onde uma longa, longa fila já estava a ganhar forma… E muito que essa fila deu que falar!

A ingrata tarefa de abrir o festival coube aos Local Natives, de Los Angeles, mas o quinteto californiano portou-se muito bem, mostrando-se à altura das expectativas daqueles que já os conheciam e surpreendendo aqueles que não. “Gorilla Manor” é um belo álbum e foi ele que serviu de pretexto para o curto concerto (cerca de 40 minutos) que a banda deu para uma tenda extremamente bem composta. A abertura foi feita ao som de «Wide Eyes» e abriu caminho para uma actuação enérgica, bem humorada, com trocas de instrumentos entre os elementos da banda. Pelo meio houve «Warning Sign» (um original dos Talking Heads) e para o final ficaram «Airplanes» e «Sun Hands», por ventura dois dos melhores temas de “Gorilla Manor”, a par do tema que serviu de abertura ao concerto. É um ponto assente que primeiros concertos em festivais e ainda para mais durante o dia tendem a perder, quer em intensidade, quer em adesão do público. Este caso foi a excepção que confirma a regra.

Os minutos de espera até ao concerto seguinte, que viria a ter lugar também no Palco Super Bock, serviram para “conhecer” a publicidade com que iríamos ser bombardeados ao longo de todo o festival…

Eis então que os The Drums entram em palco um pouco depois da hora marcada. Se Ian Curtis não tivesse aquela faceta depressiva e vivesse nos dias de hoje poderia ser o vocalista, Jonathan Pierce. Isto só para dizer que os The Drums têm um toque de Joy Division na sua música mas também há ali um travo a The Smiths. Não faltou energia no concerto mas por vezes ficava a sensação de que a banda era Pierce e depois existiam outros três elementos em segundo plano, visto que foi ele quem assumiu todas as despesas ao longo do concerto. Numa prestação também ela curta, o alinhamento girou em torno do EP “Summertime!” e do álbum homónimo recentemente lançado. Foi clara uma maior receptividade para os temas do EP por parte do público. Se é por este último levar já uma maior longevidade ou se por o álbum não reunir o consenso que o EP reúne, isso já não sei… É algo que deixo ao critério de cada um. O final do concerto trouxe o primeiro momento de pura festa do dia: «Let’s Go Surfing» colocou toda a gente a dançar.

Devendra Banhart é um velho conhecido do público português e o cabelo comprido e a barba já eram por si só como que uma imagem de marca. Qual não foi então a surpresa quando Devendra entra em palco envergando uma t-shirt d’Os Mutantes, com a barba e o cabelo curto. O início do concerto soou um pouco monótono, talvez fruto do ritmo que tinha sido incutido pelos dois concertos anteriores. Felizmente com o evoluir do concerto a qualidade deste subiu substancialmente, com Devendra e a sua banda a mostrar a diversidade da sua música. Foi notório um certo desconhecimento do público para com a música de Banhart mas nem por isso a vontade de ouvir, descobrir e apreciar era menor. Devendra retribui com agradecimentos em português que confessou ser uma língua que não domina mas que aprecia verdadeiramente (a t-shirt que envergava comprovava-o). Houve ainda tempo para apreciar os seus dotes (desconcertantes) de dançarino e para ouvir um tema da autoria do guitarrista. O concerto terminou a um óptimo nível e acabou por ser uma bela preparação para aqueles que seriam os grandes concertos da noite no Palco Super Bock.

Com o aproximar da hora de regresso de Florence Welch aos palcos nacionais, depois da passagem pela Aula Magna há uns meses atrás, a tenda que albergava o Palco Super Bock começou a encher. Tanto encheu que acabou por rapidamente esgotar a sua capacidade e muitos tiveram que se resignar e assistir ao concerto do lado de fora. É sabido aquilo que se pode esperar de um concerto de Florence + The Machine, pelo que não foi de estranhar a recepção com que o público recebeu a inglesa. A partir do primeiro momento tornou-se óbvio que Florence Welch tinha o concerto ganho mas não foi por isso que se acomodou. Cantou, saltou, distribuiu os elogios da praxe e simpatia e conseguiu ainda pôr toda a tenda a saltar ao som de «Dog Days Are Over». Pelo meio houve ainda tempo para apresentar alguns temas novos intercalados com outros do muito bem sucedido “Lungs”. Em suma: foi o concerto perfeito para descrever o espírito de qualquer festival.

Para os The XX havia a curiosidade de ver como resultaria a sua música no ambiente de um festival, pouco tempo depois do óptimo concerto da Aula Magna há menos de dois meses atrás. A entrada não teve aquela aura mágica da que aconteceu na sala lisboeta, conjugando de forma brilhante as silhuetas dos elementos da banda com jogos de sombras e luzes ao som do tema de abertura de “XX”, convenientemente intitulado «Intro». O som soou um pouco mais “musculado” também, talvez fruto do equipamento sonoro do próprio palco mas tudo aquilo que torna os The XX responsáveis por um culto no nosso país esteve presente. «Basic Space» e «Islands» foram cantados por muitos e era fácil olhar em volta e encontrar corpos balançando ao som da música, como que hipnotizados por algo. Um óptimo concerto que não terá sido convenientemente apreciado por muitos devido ao ambiente estilo sardinha em lata que se fazia sentir na tenda.

A senhora que se seguiu foi La Roux. Não me posso pronunciar muito sobre a estreia da inglesa, após duas datas canceladas no Lux, visto só ter ouvido o primeiro tema. Era altura de começar a romaria em direcção ao Palco Optimus para o reencontro com Mike Patton e companhia, quase um ano depois do concerto épico que deram no Festival Sudoeste. No entanto, era óbvio o ambiente de festa no interior da tenda ao som de «I’m Not Your Toy».

Vou começar este parágrafo com uma afirmação. Os Faith No More são os maiores. Não arrancaram um concerto como o do ano passado mas sinceramente penso que ninguém pensava que eles o viessem a fazer. As circunstâncias eram outras, já não havia aquele sentimento de um reencontro após um longo período de ausência. A personalidade de Patton, essa, continua a mesma. O seu português também, ou seja, nem sempre é muito compreensível mas o esforço, esse, é sempre de louvar. O alinhamento também não roçou a perfeição do concerto da Zambujeira do Mar mas não foi por isso que a dedicação entre ambas as partes não se fez sentir. A voz de Mike Patton continua em grande forma. É daquelas pessoas cujo alcance e capacidade da voz nunca deixará de surpreender. O feitio também veio ao de cima quando, após uma rápida sessão de crowd surfing, voltou ao palco sem um dos sapatos e gritando para o microfone um «Mal educados, bestias!» (o ‘i’ está lá porque foi mesmo assim que soou!). Como não podia deixar de ser, a versão de «Evidence» em português não faltou, bem como muitos dos clássicos: «Easy», «Midlife Crisis» ou «Ashes to Ashes». Foram uns Faith No More em grande nível os que se apresentaram no Passeio Marítimo de Algés e tal era bem visível pelos sorrisos nas caras quer do público, quer dos elementos da banda no final do concerto.

Nesta fase foram muitos os que aproveitaram a dica para recolher. Uns para recuperar energias para o dia seguinte e outros para encarar, com algum sofrimento, um dia de trabalho antes de poder voltar para Algés e para o segundo dia de Optimus Alive!.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This