Optimus Alive! 2014 | Dia #3 (12-07-2014)

Optimus Alive! 2014 | Dia #3 (12-07-2014)

No final, o cardápio do palco Heineken do Optimus Alive! era por si só suficiente para esquecer qualquer maleita

No último dia de festival é verdade que a frescura (a física pelo menos!) já não é a mesma. Felizmente o cardápio do palco Heineken do Optimus Alive! era por si só suficiente para esquecer qualquer maleita mas antes de aí chegarmos ainda havia uma visita para fazer ao palco NOS.

Os You Can’t Win, Charlie Brown já são especialistas a capitalizar este horário de final de tarde e no Alive! não deixaram os seus créditos por mãos alheias, ainda por cima com uma multidão bem simpática a aguardá-los. Os YCWCB são bons rapazes, com uma elegância discreta em palco. Para além disso têm dois álbuns excelentes e que, mesmo sendo distintos em termos de sonoridade, ao vivo complementam-se bem: “Chromatic” mais orgânico e “Diffraction / Refraction” mais electrónico. Depois de mais uma demonstração indiscutível do seu talento, se calhar é altura de começar a pensar em fazer avançar estes rapazes para horários mais tardios. Merecem.

Ainda está para chegar o dia em que vejo um concerto de Cass McCombs que não seja excelente. Foi assim há alguns anos no aquário da ZdB (que parecia uma sauna). Foi assim em Janeiro no Teatro Maria Matos. Foi assim no palco Heineken no Alive! 2014. Ao contrário do concerto de Janeiro, em que vinha acompanhado de uma banda maior (com cinco elementos), McCombs vem em regime de poupanças. Uma guitarra (a sua), uma bateria e um baixo. «Love Thine Enemy» tem honras de abertura. Cass McCombs respira confiança. Está descontraído, numa fase tranquila e serena da sua carreira. «Name Written in Water», «Big Wheel» ou «Morning Start» sucedem-se umas após as outras, sem pausas. A guitarra, o baixo e a bateria conferem mais músculo às canções, na ausência de teclas ou de metais. O concerto é curto mas ainda há tempo de escutar «County Line» e «Dreams-Come-True-Girl», “You’re not my dream girl / You’re not my reality girl / You’re my dreams come true girl”. Quem canta assim não é gago. Foi tão bom.

“Lost in Dream” dos The War on Drugs arrisca-se seriamente a figurar em muitas listas como um dos melhores álbuns de 2014 e foi isso mesmo que a banda de Adam Granduciel mostrou em palco. É difícil escutar a voz dele sem nos lembrarmos de Bob Dylan (elogio); ainda há tradicionalistas na arte de fazer rock à americana. Teclados, guitarras e um saxofone que se revela precioso. As canções são longas e cada riff surge mais forte e incisivo que o anterior. Mais um tiro certeiro no palco Heineken.

Os Unknown Mortal Orchestra tiveram o azar de ter alguns problemas a afectar-lhes o som. É que foi mesmo só por isso que o óptimo concerto que deram não atingiu a perfeição. Ruban Nielson, o guitarrista, ganhou o prémio para melhor boné do festival e demonstra um enorme talento com a guitarra em punho. O funk lo-fi com laivos de psicadelismo que caracteriza as canções do trio neozelandês envolvem toda a tenda. Em «Monki» Nielson canta “Who cares what god is / Or what a guitar is / Or that you were born” e é quase impossível não nos sentirmos tentados a discordar com o verso do meio. «From the Sun» e «So Good at Being in Trouble» soam perfeitas.

Os PAUS foram iguais a si próprios. Sinceros. Com uma entrega total. Intensos como já nos habituaram. Concerto após concerto convertem novos seguidores para a sua “causa”. É merecido e inevitável.

D’Alva Redux foi o nome escolhido pelos D’Alva para a formação mais reduzida com que se apresentaram no Coreto G-Raw. É verdade que a prestação foi afectada por problemas técnicos mas nem por isso a boa disposição desapareceu. É na adversidade que se vê aquilo de que cada um é feito e mais uma vez os D’Alva passaram com distinção, fazendo das fraquezas e adversidade, forças. Num registo totalmente diferente daquele com que se apresentaram no dia anterior, desta vez com um foco muito maior na componente electrónica, os D’Alva mostraram que uma das suas maiores qualidades é a forma como envolvem o público nas suas actuações. Foram minutos de muita e boa disposição.

Os Daughter são um fenómeno por cá. É fácil encontrar semelhanças com os The XX, muito por culpa daquela matriz minimalista que pauta as canções de Elena Tonra, Igor Haefeli e Remi Aguilella, se bem que depois as direcções seguidas sejam diferentes. O concerto não foi muito diferente do que apresentaram no Coliseu, no final do ano passado, no Vodafone Mexefest mas ninguém se pareceu importar com isso. Cada pausa do trio entre canções contrastava com a reacção enérgica dos milhares na tenda do palco Heineken. Sem grande espanto, «Youth» e «Still» foram dois dos momentos mais altos do concerto. Antevê-se uma sala cheia para os receber em nome próprio muito em breve.

Chet Faker é daqueles casos que tem tudo para resultar aqui neste cantinho à beira-mar plantado. O palco Heineken está a rebentar pelas costuras como ainda não se tinha visto nesta edição; andar torna-se quase impossível. Em palco desfilam composições intimistas, com Faker sempre por de trás dos teclados e incapaz de esconder a surpresa perante a reacção do público. Confesso que partilhei da reacção do australiano.

O encontro para 2015 já está marcado para os dias 9, 10 e 11 de Julho.

Fotografia por José Eduardo Real

Textos do dia 10 de Julho aqui e de dia 11 de Julho aqui



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