Orgia

A peça de Pier Paolo Pasolini volta a estar em cena entre 11 de Janeiro e 19 de Fevereiro no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Depois de ter estado em cena durante o mês de Dezembro, o Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, volta a acolher a peça “Orgia”, do italiano Pier Paolo Pasolini entre os dias 11 de Janeiro e 19 de Fevereiro

Apesar da sugestão do nome, “Orgia” não é um texto que trate apenas de sexo, já que se dirige aos pensamentos e não aos sentidos. A peça tem como protagonistas Mulher, Homem e Rapariga e a sua acção decorre em volta de um casal heterossexual sadomasoquista, que se viu obrigado a viver o prazer às escondidas já que a sociedade não o aceita.

Através deste relato há, naturalmente, toda uma crítica que é feita à crise da sociedade e um reflexo das inquietações presentes em toda a carreira de Pasolini. É uma tragédia que trata a diversidade, bem como impulsos obscuros e violentos que movem o ser humano para o rompimento com a imposição de sentimentos existente, alcançando, por fim, a liberdade necessária.

Segundo o encenador João Grosso, em declarações à Lusa, a escolha desta obra prendeu-se com o apelo “para a necessidade de manter uma consciência política” e a “demonstração de que o poder, a norma e a moral sempre tentaram anular a diferença, no seu sentido mais lato e mais revolucionário”. Numa altura em que se assinalam os 30 anos do homicídio do escritor e cineasta italiano, João Grosso refere que, por ser um autor que sempre se debruçou sobre as “contradições e dualidades entre mundo rural, proto-industrial e sociedade de consumo”, esta é uma peça actual, levando assim à reflexão do público naquilo que é essencial à vida.

Pier Paolo Pasolini nasceu a 5 de Março de 1922 em Bolonha, Itália. Apesar das constantes mudanças a que foi obrigado devido à carreira militar do pai, frequentou o liceu e a faculdade na cidade onde nasceu, tendo como mestres Contini e Longhi e como amigos Leonetti e Roversi, até à sua licenciatura, em 1945, sobre a linguagem de Pascoli.

Depois do 8 de Setembro de 1943, refugia-se em Casarsa, na região do Friuli, cidade de origem da mãe para fugir à chamada do exército. Compõe os primeiros poemas em dialecto friulano, que mais tarde seriam publicados juntamente com outros textos friulanos em “La Meglio Gioventù”.

Em 1945 o seu irmão é morto num conflito entre dois grupos de partigiani com ideias políticas diferentes e, dois anos mais tarde, inscreve-se no Partido Comunista Italiano, donde viria a ser expulso ao mesmo tempo que era despedido da escola onde dava aulas por um episódio de homossexualidade que causou um processo por corrupção de menores. Este foi o primeiro de mais de trinta processos que deram a Pasolini a consciência da sua diversidade e marcaram o seu destino de marginalizado e rebelde.

O escândalo obriga-o a deixar Casarsa, em 1949, com a mãe e a mudar-se para a periferia de Roma onde ganhava a vida com explicações e ensino em escolas particulares. O contacto com o mundo do sub-proletariado romano inspira-o a escrever vários poemas mas, acima de tudo, os romances “Vadios” (1955) e “Uma Vida Violenta” (1959) que provocaram grande escândalo, assegurando também o primeiro êxito literário.

Juntamente com os antigos colegas fundou e dirigiu entre 1955 e 1959 a revista “Officina”, que contou com Frotini, Volponi e outros importantes estudiosos e críticos militantes como colaboradores. Começou igualmente a sua actividade no mundo cinematográfico e, a partir de 1961, inicia-se na realização. Mas nem por isso a sua actividade como escritor diminuiu. Para o teatro escreveu seis tragédias, entre 1966 e 1974.

Pasolini morreu no dia 2 de Novembro de 1975 num descampado em Ostia, nos arredores de Roma, em consequência de agressões seguidas de atropelamento. Recentemente foram avançados novos dados sobre o seu assassínio pela imprensa italiana, baseados em depoimentos recentes do homicida, que apontam para a existência de um plano organizado para o matar. Até à data, e segundo a sentença do julgamento, sabia-se apenas que Pasolini foi morto pelo jovem prostituto Giuseppe Pelosi, então com 17 anos, que o agrediu e atropelou após uma discussão originada por uma exigência sexual insatisfeita.

“Orgia” está em cena entre 11 de Janeiro e 19 de Fevereiro na Sala Estúdio do Nacional D. Maria II, com espectáculos de terça-feira a sábado às 21:45 e aos domingos às 16:15.



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