“Os Alferes” | Mário de Carvalho

“Os Alferes” | Mário de Carvalho

Do ultramar com humor

A Guerra Colonial foi um dos acontecimentos mais marcantes em Portugal no século passado. Milhares de jovens foram forçados a viver com um destino incerto, partindo para terras que apenas conheciam do mapa ou, para os mais afortunados, através da televisão.

Com as vidas interrompidas por uma convocatória para um conflito estranho a muitos, a nossa rapaziada apta para as coisas da tropa fez a trouxa e lá embarcou no “Vera Cruz”, “Santa Maria”, “Infante D. Henrique”, “Quanza” e outros.

Semanas a caminho da incerteza. Angola, Moçambique, Guiné e Timor eram alguns dos destinos possíveis. A maior parte regressaria, outros, infelizmente, perderiam as vidas numa guerra onde o inferno do conflito fazia matar ou morrer.

É essa parte da história recente de Portugal que Mário de Carvalho conta no seu “Os Alferes”, uma reedição deste capítulo da obra do autor português, agora com a responsabilidade da Porto Editora.

Conhecido por livros como “Contos da Sétima Esfera”, “Fantasia para dois Coronéis e uma Piscina”, “A Sala Magenta” e o mais recente “O Varandim seguido do Ocaso em Carvangel”, o autor alfacinha, que viveu de forma intensa o Portugal de pré e pós revolução, relata em “Os Alferes” histórias sobre alguns episódios numa África lusitana à beira de conhecer novo destino.

Através de uma escrita versátil, dinâmica e bem-humorada ficamos a conhecer alferes e engenheiros, jovens oficiais do exército que deambulam pelas picadas africanas e Timor, conhecendo dilemas de vida, morte e absurdo, onde o ciúme e a traição podem ser um pequeno passo para a morte. Há também lugar para uma história repleta de sombras, onde a violência e o “salve-se quem puder” levam ao desespero irracional.

Esta obra dá-nos a conhecer três bem-humoradas narrativas de vidas a quem a guerra levou para longe dos seus – para o desconhecido, para o ridículo. Pessoas que “a cada passo deixavam para trás um pedaço de África”, pois a vontade de regressar à pátria era mais forte que tudo.

O estatuto ficcional destes textos já lhe valeu adaptações ao cinema e teatro e o seu autor foi alvo de notícia ao vencer galardões como os Grandes Prémios de Romance, Conto e Teatro da APE, assim como o Prémio do Pen Clube e o internacional Pégaso.



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