Os Anéis de Saturno” | W. G. Sebald

“Os Anéis de Saturno” | W. G. Sebald

Expedição arqueológica ao coração da humanidade

De entre os escritores que viveram no século XX, W. G. Sebald será porventura aquele cujo estilo literário será mais difícil de catalogar. Entre a biografia e a invenção, a realidade e o mito, Sebald é ao mesmo tempo arqueólogo e feiticeiro, escavando as emoções humanas, limpando as memórias humanas com um pincel delicado, partindo de uma paisagem para, a partir dela, quase nos contar a história do nascimento do mundo.

Em “Os Anéis de Saturno” (Quetzal, 2013) Sebald empreende uma viagem pelo litoral inglês de Suffolk e, de uma experiência individual – a ideia partiu de um internamento causado pela visão de vestígios de destruição -, avança rumo ao lado universal da vida humana, sempre em redor das ideias de memória e identidade. Naquele que é talvez o seu livro mais negro, Sebald recupera alguns dos prodígios da natureza humana, colocando-os por detrás de uma cortina negra.

A variedade temática chega ao ponto de provocar no leitor um saudável delírio: de uma morte por causas desconhecidas passa-se à discussão dos escrúpulos de Flaubert e pergunta-se, afinal, o que é eterno; assiste-se ao declínio de uma povoação, em tempos um marco geográfico; fala-se do arenque como o símbolo da indestrutibilidade da natureza; interroga-se se será necessário, para «atravessar o espaço do sono, mais ou menos entendimento do que o que levamos para a cama»; relata-se uma empolgante e falhada (mas nem por isso menos bela) história de sublevação. Escolham os vossos instrumentos mais delicados e embarquem com Sebald nesta preciosa expedição arqueológica ao coração da humanidade.



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