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Os Cães

As armas d' "Os Cães" dão o tiro de partida para o Teatro Turim.

Sinalizando a abertura do renovado Teatro Turim, esteve em cena a peça de teatro “Os Cães”, inspirado no (reconhecido) filme independente de Quentin Tarantino, “Reservoir Dogs” (1992).

O espectáculo, (re)conta a história trágico-cómica de um assalto que apesar da sua planificação calculada ao pormenor,  termina num grande flop, onde os assaltantes têm de manter a calma perante as adversidades, sobre a tensão máxima de irem presos caso percam a sua serenidade. Numa tentativa de racionalizar a origem do flagrante da polícia no local do crime, que pelo pânico de serem apanhados fez mortos e feridos, fazem uma retrospectiva sobre os acontecimentos, chegando à conclusão que a causa envolve um bode expiatório. Explorando novas narrativas e aumentando as possibilidades acerca das problemáticas envolventes em situações-limite, “Os Cães” de Alexander Gerner, adquirem um formato de teatro-cinematográfico para nos perspectivar as personagens que adoptam pseudónimos de cores e que tentam justificar-se perante os outros, para não serem suspeitas de acusações. O confronto permanece em cena, com o desconfiado e temeroso Mr.Pink (Gonçalo Ruivo), o consciente e ético Mr. White (João Saboga), os impositivos Mr.Blonde e Mr.Black (Miguel Telmo) e o mártir Mr. Orange (Tiago Fernandes). Estas, vão desenvolver a acção narrativa, no ponto de encontro combinado no pós-delito, numa antiga sala de cinema.

Justifica-se assim, o espectáculo de abertura da programação do Teatro Turim, de transição de uma sala de cinema para uma sala de teatro e cinema, que incorpora os valores do projecto da Associação AM’ART (criada para gerir o espaço pela actriz Anabela Moreira e o realizador João Canijo) ao preconizar o seu princípio de pretender “incentivar novas formas de olhar a Arte” ao revisitar um clássico de culto do cinema gangster. Ao dar vida e continuação a uma das poucas salas de cinema independente de Lisboa (que surgiu nos anos 80), a representação apresenta-se com os ingredientes arrojados “tarantinescos”. Aqui a violência crua (explícita e por sugestão), o crime destemido e calculista apesar da condição de descontrolo e em situações de incerteza, as referências à cultura pop e seus possíveis significados, as deixas marcantes sem grande relevância no desenrolar da acção narrativa (como “mais vale ser um cão que carneiro”), a profanação abundante, um enredo não-linear (flashbacks de eventos passados individualmente e em “matilha”), um humor negro inerente a cada personagem, entre outros, dão uma nova “interpretação” ao universo cinematográfico que é apresentado em palco.

Assim, o Teatro Turim utiliza as (suas) armas d’ “Os Cães” como instrumentos de persuasão de um auditório que não quer ser esquecido, desde que foi fechado em 31 de Julho de 2007, procurando afirmar-se na cena cultural da cidade e fidelizar o público enquanto espaço único de Pólo Cultural “com programação contemporânea, interdisciplinar, diversificada e artisticamente interessante e de relevo”.

No seguimento da ligação entre o Teatro e o Cinema, a programação ainda conta com o Ciclo de Cinema Gangsta relacionado com o filme que serviu de inspiração à peça, e , estrear um espectáculo de João Canijo a partir de “Persona” de Ingmar Bergmar no âmbito do Festival Temps d’Images 201



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