“Os Escritores (Também) Têm Coisas a Dizer” | Carlos Vaz Marques

“Os Escritores (Também) Têm Coisas a Dizer” | Carlos Vaz Marques

Soltar a língua com as perguntas certas

No texto de apresentação para “Os escritores (também) têm coisas a dizer” (Tinta da China, 2013), Carlos Vaz Marques (CVM) escreveu o seguinte: «A minha vida tem sido dedicada a ouvir pessoas extraordinárias, e sei que sou um privilegiado por isso.»

O livro resulta de mais de uma década de colaboração dom a revista LER, onde CVM entrevistou dezenas de autores, tendo a escolha das entrevistas aqui reunidas recaído, de acordo com CVM, no seu «valor documental.»

Cada uma das entrevistas é precedida de um pequeno texto de apresentação, que descreve o ambiente que rodeou a conversa, a geografia pessoal dos entrevistados, os temas centrais da conversa e, de forma curta e romanceada, a aura que habita a obra de cada um dos entrevistados.

Ao longo de uma dúzia de entrevistas avançamos por entre os «espaços em branco» de Agustina Bessa-Luís, sentamo-nos no mesmo canto onde António Lobo Antunes escreveu todos os últimos livros, apertamos firmemente a mão de José Saramago, entramos no «paleio» com Eduardo Lourenço, encontramos António Tabucchi ao Príncipe Real – o autor italiano que a poesia tornou português -, descobrimos as «virtudes do esquecimento» por que se rege Mia Couto, tomamos um chá – ou melhor, dois – com Valter Hugo Mãe – agora já sem medo das maiúsculas -, cultivamos a ironia e o distanciamento com Mário de Carvalho, vemos Gonçalo M. Tavares desenhar com «impoderável exactidão» enquanto fala da multiplicidade de vozes literárias que inventou, viajamos até África para descobrir de que terra é afinal Dulce Maria Cardoso, fumamos uma cigarrilha com Manuel António Pina e terminamos, fora deste mundo, com Hélia Correia, «algures entre duendes celtas e daimons gregos, num tempo mítico habitado por deuses e gatos.»

É certo que, nesta viagem a dois entre alguns dos maiores escritores da Língua Portuguesa, possa mesmo ter sido Carlos Vaz Marques o principal privilegiado. Porém, para nossa sorte, CVM disparou sempre as perguntas mais admiráveis, fazendo soltar a língua dos entrevistados e permitindo, a nós leitores, entrar no universo pessoal de cada um deles para lá da simples palavra impressa.



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