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Os Famosos e Os Duendes da Morte/Voodoo

Pseudo-poesia juvenil.

No geral, os filmes brasileiros que chegam a Portugal (pode dizer-se, os que saem do Brasil; os exportáveis) têm em comum a paisagem urbana, a violência pouco contida, o suor depois do sexo e o humor como único condimento refrescante. Para o bem e para o mal, “Os Famosos e Os Duendes da Morte”, de Esmir Filho, difere bastante desta “fórmula”.

Enquanto filmes como “Cidade de Deus” são extrovertidos, explosivos, feéricos, “Os Famosos…” é ensimesmado, sonhador, poético, um tanto mórbido; a acção passa-se numa cidade pequena, as temperaturas são baixas, e mortes só suicídios, naquela ponte fatal. Humor, nem vê-lo. Aliás, aí começam os problemas: o filme de Esmir Filho é sério, demasiadamente sério, de uma maneira quase adolescente.

É certo que “Os Famosos…” segue um adolescente fanático por Bob Dylan (uma referência que nunca chega a ir a algum lado), obcecado pela irmã morta do seu amigo, desligado da família e da escola — apenas comunica no seu blog —, que contempla largamente (durante a duração do filme) o suicídio. Mas não era necessário que o protagonista arrastasse consigo todo o filme.

As sequências oníricas em Super 8, a narração do protagonista, a forma como os autores do filme retêm informação para depois a vomitar quando o espectador começa a intuir o que se passa são falhas que o protagonista cometeria mas o realizador não deveria cometer. Dá ideia que este se esforça de mais na procura da poesia, que resulta o mais das vezes em inanidades.

Se “Os Famosos…” é um filme adolescente, no pior sentido do termo, “Voodoo”, de Sandro Aguilar, curta-metragem que o precede, é bem mais adulto. Aguilar não se importa de ser críptico: sabe-se pouco acerca do protagonista (Albano Jerónimo), da sua situação (para além de que é pai e divorciado), das suas motivações. Mas sente-se a sua angústia, que se relaciona (ou traduz) na perturbação sexual (nunca completamente) expressa na cara e no corpo de Isabel Abreu e no medo de andar de avião, figurado nos enormes motores que jazem no hangar, onde se aprende a ser assistente de bordo.

“Voodoo”, também ao contrário de “Os Famosos…”, é filmado de uma maneira muito rigorosa, os planos estáticos encerram uma tensão de que as personagens (e o espectador) nunca se libertam. Um belo exercício cinematográfico que contrasta como a sensaboria da longa-metragem que o acompanha.

Estreiam em Portugal no dia 29 de Setembro.



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