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Os Lacraus Encaram o Lobo

Em 2011, 18 anos depois da primeira vez, os Lacraus encaram o lobo, olhos nos olhos, sem merdas.

Tiago de Oliveira Cavaco, cinco discos a solo na carteira, enquanto Tiago Guillul – denominação entretanto abandonada -, exímio evangelizador de punque roque em português e agora pregador Springsteeniano. Ele que em 1993 formou os Lacraus, juntamente com Guel, Cado e Ben, mas que até hoje não se tinha aventurado num disco a sério. São, portanto, fazendo as contas, 18 anos, os mesmos que o Sporting Clube Portugal esteve sem vencer um campeonato, até aquela época, a de 1999/2000, a que um tal de Acosta se lembrou de atirar 22 tiros certeiros.

Entretanto, Cavaco deixou a sua editora de sempre, a FlorCaveira, e andou a ouvir Bruce Springsteen. Nota-se. “Os Lacraus encaram o lobo” pega no punk, esse que Tiago sempre fez questão de prestar homenagem enquanto Guillul, e leva-lhe os refrões, os coros, a sonoridade de estádio do “Boss”. E ouvindo o disco de estreia dos Lacraus, a tarefa parece fácil, mas não estará ao alcance de qualquer um. Deixemos as canções e foquemo-nos nos títulos – é fácil, demasiado fácil, brincar com eles. E é por isso que este texto adoptou a estética punk e o espírito DIY – construiu-se a si mesma.

As canções com que os Lacraus encaram o lobo são curtas e sem adornos. Vão directas ao assunto, não queríamos nós outra coisa. Dizem eles, à terceira canção, que “quando a música acabar em Portugal, continuará noutro lugar” e nós concluímos com um: “Ámen”. Atiram eles, à quarta canção, que «isto não é Lisboa, é Pompeia» e replicamos nós: “Isto não são os Pink Floyd, são os Lacraus, isto não é 1972, é 2011”. Depois temos ainda as canções dedicadas a mulheres, a duas em especial, à escritora Flannery O’ Connor e à actriz Alexandra Lencastre. A primeira terá sido a que deu o mote para o disco e a segunda acaba por levar o prémio de momento mais bizarro do disco. Estas doze canções que compõem o álbum, são canções que podíamos já ter ouvido mais que uma vez na vida – «Um peito em forma de bala» lembra, por exemplo, «Scissor Runner» do disco de colaboração recente entre Jenny & Johnny -, mas a reinvenção ou a ausência dela não é o mais importante nem no disco de estreia dos Lacraus nem em 95% da música que se deita cá para fora hoje em dia.

Em 2011, 18 anos depois da primeira vez, os Lacraus encaram o lobo, olhos nos olhos, sem merdas. A fasquia promete ainda subir, assim como os termómetros, quando o disco passar para os palcos.



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