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Os Pontos Negros @ Maxime

12 de Setembro.

A última vez que vimos Os Pontos Negros foi no palco principal do Optimus Alive. Ao longe quase não se viam. O palco era demasiado grande. A banda de Jónatas Pires, Filipe Sousa, Silas Ferreira e David Pires sente-se bem melhor em salas de espectáculo como o Maxime. Olha-se para a linha da frente da mesma e chega-se à primeira conclusão: há muito tempo que o rock cantado em português não tinha um ar tão cool. A linha da frente é composta por Jónatas – essa espécie de Dylan que vendeu a alma ao diabo, o que trocou o country pelos blues e foi tão incompreendido como vaiado – e por Filipe.

Não há baixo, há, isso sim, duas guitarras, vários riff’s muito catchy e algumas das melhores canções de rock em português que 2008 nos ofereceu. «Conto de Fadas de Sintra a Lisboa» é logo o terceiro tema lançado a um público que o recebe entusiasmado – nem João Coração, companheiro editorial, conteve a euforia soltando alguns gritos de incentivo.

Jónatas apresenta-se de botas, t-shirt, calças de ganga e farta cabeleira. Filipe Sousa está de sapatos, com os braços descobertos, um colete e cabelo apanhado. Silas Ferreira, nas teclas, tem ténis, calções e t-shirt. Não é por aqui que Os Pontos Negros se demarcam. A sonoridade abraça o que de melhor se fez lá fora nesta década, dos White Stripes aos Strokes – esta última comparação já cansa, mas é importante para situar a quem não conhece tão bem a banda.

Apresentam «Lisboa», nome provisório de uma das canções novas que Os Pontos Negros apresentaram. Foram quatro ao todo: «Duro de Ouvido», «Caminhos de Ferro» e «Carolina» foram as outras três. Numa primeira impressão, as novas canções apresentadas são mais fracas que quase todo o material de “Magnifico Material Inútil”. Esta «Lisboa» é banal até aos teclados e solo esfrangalhado que surgem quase no final.

«Xadrês And Chanel» e «Cola-me no Chão», duas belas canções, voltam a elevar a fasquia. Por esta altura já há muito suor em palco. E é por isso que não se percebe o porquê do intervalo de dez minutos que separou a actuação em duas metades. «No Futuro» encerrou a primeira parte do concerto.

A segunda metade abriu com o segundo single «Magnifico Material Inútil» e «Triunfo dos Porcos». Jónatas anuncia que se segue “uma triologia, ou seja, as próximas três têm nome de menina”. São elas «Salomé», «Inês» e «Carolina». Ficamos num dilema – não conseguimos escolher a melhor das meninas. «Tempos de Glória» e «Armada de Pau» – a favorita dos fãs, uma enorme canção, de facto – fecham o espectáculo antes do encore com «15 Dias» e «Lili», esta última insistemente pedida ao longo de grande parte do concerto.

No final fica a sensação de que sem intervalo o concerto talvez tivesse sido mais intenso. Espera-se também que as canções novas sejam tão provisórias quanto os seus títulos. Em tudo o resto, Os Pontos Negros têm tudo para dar certo.



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