Oscar Unleashed

Exclusivo mundial, a entrevista que faltava.

Parece que foi ontem, mas já passaram 12 meses de edições onde temos dado a conhecer o melhor que se passa em Portugal no que diz respeito à cultura alternativa. Por estas páginas virtuais, já passaram dezenas de personalidades, desde a música ao teatro, passando pela moda e pela rádio, mas desde o princípio que temos estado em contacto com o agente daquele que é um dos maiores vultos da nossa praça. Produtor, artista plástico, músico, entertainer, este é um caso de sucesso que tem passado despercebido aos meios de comunicação, mas que a Rua de Baixo conseguiu encontrar depois de árduas negociações com o seu manager.

Foi a altas horas da madrugada que a Rua de Baixo o encontrou com alguns copos a mais nas já quase vazias ruas do Bairro Alto, a cambalear de um lado para o outro com um grupo de amigos e a caminho do Lux. Rapidamente acedeu ao nosso pedido e, com um chouriço assado a servir de mote, foi esta a entrevista possível ao Óscar Supah Star, uma das individualidades do início do novo milénio.

RDB: Não foi fácil combinar esta entrevista. A tua vida não tem sido muito “calma” ultimamente, pois não?

OSS: Roof Roof, nem me digas nada. Não têm sido nada fáceis estes últimos meses. Quase nem há tempo para lamber um osso em paz, quanto mais dar entrevistas. Mas hoje é uma noite especial, por isso venham de lá essas perguntas que tenho todo o gosto em responder.

RDB: Conta-nos um pouco do teu percurso no meio artístico e como te tornaste naquilo que é hoje.

OSS: É uma longa história que, por coincidência, até começou mesmo aqui nas ruas do bairro alto, a fazer espectáculos na rua, desde esculturas artísticas a música experimental, quando o meu manager de hoje (Bob Corleone) me descobriu a partir daí a minha vida tem sido sempre a subir patamares até chegar ao que sou hoje. Auuuuuuuu

RDB: Foi através do Corleone que se deu a tua ascensão àquilo que é hoje?


OSS:
O meio artístico funciona assim meu caro amigo. Quem tem os contactos certos, tem uma probabilidade de sucesso muito maior. Tive a sorte de travar amizade com o Bob e ele apresentou-me às pessoas certas que gostaram do meu trabalho e começaram a divulgar a minha obra. Comecei a fazer exposições colectivas com outros colegas contemporâneos pelos jardins de Lisboa e até pelas calçadas mais tradicionais, tendo acabado por encontrar o meu espaço, onde realmente percebiam a minha vertente vanguardista e onde até hoje tenho exposto o meu trabalho.

RDB: Qual foi o espaço que te abriu as portas à tua criatividade?

OSS: Tenho que agradecer aos meus amigos da ZDB que sempre me apoiaram e que foram os primeiros a expor o meu trabalho. Alguns anos depois, consegui encontrar um lugar catita na zona do Castelo e abri o meu próprio espaço, que se transformou num lugar de culto para o vanguardismo nacional.

RDB: Mas a tua obra não se limita às artes plásticas. Como surgiu a oportunidade de te iniciares no mundo da música?

OSS: A música faz parte das nossas vidas e especialmente da minha. Já nos anos oitenta interessava-me pelo disco sound e já organizava umas festas meio ilegais com alguns amigos meus onde passava o meu som. Depois aconteceu o impensável e foi na minha galeria que conheci o Michael …

RDB: Qual Michael?

OSS:
O Jackson, quando ele esteve em Lisboa. Ao que parece ele andava a passear pelas ruas quando entrou na minha galeria e ouviu o som que eu estava a fazer com um sintetizador CASIO acabadinho de comprar. Depois de uma breve conversa, acabei por fazer toda a tournée com ele, viajei por todo mundo, conheci alguns dos maiores produtores, a Madonna, os Stones, entre outros e acabei por me transformar no DJ preferido do Mike nas suas festas privadas quase sempre cheias de putos.

RDB: Então viveste muito tempo no estrangeiro?

OSS:
Los Angeles primeiro, onde fui DJ residente de alguns dos maiores clubes da época, depois Londres e finalmente Berlim. Eu sou um cidadão do mundo, gosto de conhecer os países, as pessoas, a música e a cultura. Fiz grandes amizades e ainda hoje as recordo com muita nostalgia. Ainda me lembro dos copos que bebi com o Bowie em Londres …

RDB: Quando regressaste a Portugal?


OSS:
Eu nunca estive longe de Portugal. Vinha sempre todos os anos passar uns dias no Algarve e orientar os meus negócios que estavam a cargo do Bob. Abri um bar no bairro, uma loja de discos e comecei a passar som no Frágil. Nunca fui muito conhecido nacionalmente, a minha cena era no estrangeiro.

RDB: És um estrangeirado portanto. Sentes-te melhor lá fora que no teu próprio país?

OSS: Isto por aqui não andava fácil sabes… era impossível arranjar um bom empréstimo, não havia muitas perspectivas de futuro… e a droga andava cara. Achei melhor fugir enquanto isto não melhorava. Agora tudo é diferente, a droga é mais barata e há mais casas de meninas. Ai! Só me apetece é ganir! Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!

RDB: Hoje em dia és conhecido no meio artístico como um dos mais influentes produtores de electrónica. Como tudo aconteceu?


OSS:
Eu andava num vai-e-vem entre Berlim e Lisboa e foi num desses voos que conheci o Ralf e o Florian dos Kraftwerk. Eles tinham vindo passar umas férias à Costa de Caparica e começámos a falar sobre música e sobre a vida. Quando aterrámos convidaram-me para ir até ao estúdio deles que é uma coisa louca. Lá comecei a mexer em todo aquele material e como o meu talento é mesmo inato, rapidamente comecei a fazer um som brutal que deixou os dois completamente pasmados. A partir daí percebi que a minha onda era mesmo a electrónica e, depois de fazer alguns concertos com eles, decidi começar uma carreira em nome próprio.

RDB: Actualmente as pessoas associam o Óscar ao electro. Como foi essa passagem?

OSS: As pessoas evoluem, o som também. Foi na Alemanha que conheci a Kittin numa discoteca onde passávamos som e química foi quase instantânea. Ela convidou-me logo a participar com alguns latidos no álbum dela e a partir daí as portas do electro estavam escancaradas. Os convites para festas começaram a chover e tenho andando bastante atarefado.

RDB: Então e o futuro. Quais são os planos?

OSS: Estive ainda há pouco tempo na ModaLisboa e fiz alguns contactos. Tenho algumas ideias que queria concretizar e uma delas é uma linha de vestuário, Óscar Wear, para a qual já tenho a colaboração de alguns dos mais importantes estilistas nacionais. Para além disso quero também entrar no mundo do cinema. Parece que a Marisa Cruz já faz filmes e eu quero lhe dar umas lambidelas. Auuuuuu

Foi com um ganir sarcástico que o nosso convidado comeu o último bocado de chouriço esturricado e deu um último golo no copo de vinho tinto que tinha à sua frente e desatou a correr.

Possivelmente, nunca mais ninguém vai conseguir falar com um dos mais importantes nomes da cultura nacional. Nós conseguimos.



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