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The Ratazanas @ Maxime

Ouh La La!

O Cabaret Maxime serviu, no passado dia 17 de Julho, de palco para a banda de early reggae de Oeiras The Ratazanas justificar, não só a apelidação como o Concurso de Música Moderna de Setúbal, em 2006, que acabariam por vencer, como também o selo da Grover Records (com quem editam o primeiro álbum em Abril).

A existência do colectivo remonta ao ano de 2005 e tem como mentores do projecto André Nóvoa (baterista) e Luís Carmona (teclas e voz) a quem se juntariam no, final do ano seguinte e após a saída de cinco de sete  dos integrantes iniciais, Edu (vocalista), Petrov (guitarra) e Rosichy (baixo). Do grupo faz ainda parte um sexto elemento, João Morais(saxofone e piano), que surge como convidado da formação regular e a acompanha em vários espectáculos.

O clima criado é de perfeita cumplicidade e descontracção. Os temas são balanceados na voz, por vezes, tão soluçada como sincopada na intenção de Edu, que explora essa elasticidade vocal em «King Kong». Em «Kahuna Burger» André Nóvoa ritma a boa energia funk reggae, que entretanto já se havia instalado, da sua bateria (notável o desempenho no cover «Express Yourself»), e Luís Carmona acentua na voz e teclas todo o sentido expresso na atmosfera algo hipnótica já gerada.

São vários, mas de igual forma, subtis e/ou controlados os momentos em que as imagens da Kingston – com o rasgo de algumas tendências que vão do rocksteady ao dance hallfunk, mas também algum ska (de referir que os mentores da actual banda iniciariam-se dentro deste género com a, já finda banda, “Contratempos”) – nos vêm à memória. As bandeiras levantadas já não serão as da legislação de drogas leves ou o combate pelos direitos de justiça e igualdade, pelo menos da forma intensa como a geração pré e pós-Bob Marley o fazia, mas transmitem-nos, igualmente, o reggae sujo tocado por formações como Upsetters ou Crystalites.

Tal como o contraste existente na capital da Jamaica na década de 70, com a dualidade miséria gritante / estilo musical emergente, em que impera como que um contentamento e alegria de estar vivo que quase contornam o quadro latente, também The Ratazanas nos aparecem e soam assim. Com a mesma vontade e alento. Numa década diferente, é certo, mas com a tentativa de inversão da ordem natural das coisas, das energias, do embebimento generalizado em derivas menos tensas, mas nem por isso menos rebeldes na sua essência.

Do alinhamento e construção sónicas fazem ainda parte  a guitarra de Petrov, ora deambulante ora compenetrada na génese envolvente do espaço – quer físico quer imaginado-  o prudente baixo de Rosicky e a alternância do colega pontual (que já é, segundo André Nóvoa em conversa no início do concerto, “parte da banda”) João Morais, focalizado nas linhas densas do piano mas descontraído ao saxofone.

São novos (em idade), mas incorporam a necessidade de efeito persuasivo imediato como muitos não conseguem. Reinventam a senda reggae jamaicana de finais de 60 e primeira metade da década posterior e pincelam-na de funk e soul norte-americanos. Talvez por isso, depois de abrirem – em Portugal  – a primeira parte de um concerto de Xutos, tenham recebido convite para actuarem no Festival de Granada All Reggae to the People, em conjunto com The Aggrolites, tenham gravado na Bélgica o seu primeiro disco “Ouh La La” com a – já mencionada- Grover Records e tocado em Giona no Rude Cat Festival com a lenda do reggae da década de 70, Susan Cadogan.



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