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Overwatch | Análise

Heroes Never Die!!!

A partida está quase a chegar ao fim, restando apenas alguns segundos não há hipótese dos nossos inimigos capturarem o segundo ponto. Deram luta mas por fim conseguimos sair vitoriosos… Sniper!!! Foi o que ouvi Tracer gritar antes de cair inerte no chão (10 segundos). Não… Não vamos perder, não podemos perder (9 segundos)! Vamos lá pessoal, está quase, abram fogo (8 segundos)! Reinhardt estende o seu escudo (7 segundos) e começamos a disparar sobre os inimigos à nossa frente. Conseguimos derrubar, um, dois, três (6 segundos) mas… caramba, eles foram sempre assim tão coordenados? Alguém verificou o nosso flanco (5 segundos)? Não me consigo mexer, estamos todos congelados (4 segundos)… It’s High Noon!!! Juntamente com os meus companheiros, faço respawn já no período de compensação. Chegamos ao ponto de captura completamente descoordenados e a vitória acaba por cair sobre a equipa adversária.

Quer se goste, quer não do que a Blizzard deita cá para fora, o facto é que a sua presença na indústria dos videojogos é inquestionável, uma vez que deixou a sua marca nos mais variados géneros, tendo conseguido muitas vezes até redefini-los. Ao decidir abordar o género dos shooters – neste caso na primeira pessoa – a promessa é a de proporcionar aos jogadores uma experiência capaz de fazer as delícias a veteranos ou simples entusiastas, mas que se mostre também acessível a quem não está tão familiarizado com o género. Sejam bem-vindos a Overwatch.

Ao longo dos doze mapas disponíveis (por agora) no jogo, duas equipas de 6 jogadores irão disputar partidas onde o feliz trabalho de equipa e o cumprir de objectivos se sobrepõe ao número de mortes ou assistências que conseguirmos. Sim, o número de mapas disponível agora, pode não ser imenso e os modos de jogo são apenas 4. No entanto, há algo que prende os jogadores e que, apesar deste aparente fraco leque de conteúdo inicial confere mesmo assim uma enorme longevidade a Overwatch. Falo do impressionante leque de heróis que o jogo traz consigo.

Ao todo são 21 mas apesar de estarem distribuídas em 4 categorias (Ofensivo, Defensivo, Tank e Suporte), independentemente da sua função em campo, escolher jogar com um não é, de todo, o mesmo do que jogar com outro. Cada uma traz consigo um leque de habilidades específico e o seu uso constante a dada altura dá-vos acesso à sua habilidade especial: ressuscitem os vossos companheiros de equipa com Mercy, lancem um enorme dragão com Hanzo, transformem-se num canhão com BASTION. Cada um destes ataques faz-se acompanhar por uma frase característica. Se virem Genji a deslocar-se na vossa direcção aos gritos e de espada em punho ou se ouvirem McCree a indicar que “A noite já vai alta” (lembram-se do “It’s High Noon” mencionado lá em cima na introdução?), corram.

Tal como os mapas que acompanham o jogo também as personagens de Overwatch estão incrivelmente detalhadas. Aliás, não é apenas o seu detalhe que impressiona mas também a personalidade tão distinta e que dá vida a cada um destes 21 heróis. Isto nota-se tanto pela forma como trocam palavras entre si (sabiam que a D.VA está ansiosa por conhecer o próximo álbum de Lucio?) mas também pela sua própria postura em campo: veja-se o Reaper que, quando precisa de recarregar as suas armas, atira as que tem na mão para o chão, enfurecido, para depois puxar de outras novas.

 

Mas o trabalho de som não se fica por aí. Como devem calcular a comunicação entre os jogadores é fundamental e escusado será dizer que o uso do microfone torna tudo muito mais fácil para que, em conjunto, possam debater tácticas que vos possam levar a uma reviravolta e idealmente à vitória. Não obstante, caso não se sintam à vontade ou não tenham forma de comunicar com os vossos colegas de equipa, as próprias personagens em campo estão sempre dispostas a ajudar-vos dando indicações sobre tudo o que se passa à vossa volta, seja a indicar a presença de Snipers, ou até mesmo a avisar que se aproxima um inimigo à vossa rectaguarda.

Overwatch cumpre naquilo a que se propõe. Não, não tem um modo história a contextualizar a história do jogo, tem sim a capacidade de proporcionar horas e mais horas de entretenimento sempre com uma fluidez impressionante. Tanto no PC como nas Consolas não existem quaisquer quebras de frames. Apesar do, por enquanto, escasso leque de modos, será a conhecer e esmiuçar as diferentes formas de jogar Overwatch com cada herói que realmente iremos desfrutar deste jogo. Tal como já é característico dos jogos da Blizzard a acessibilidade é a palavra de ordem uma vez que facilmente vamos ficar a conhecer o que cada personagem traz para o campo de batalha. No entanto se quisermos realmente dominar na totalidade uma personagem ou saber responder ao desenrolar de cada partida, vai levar mais tempo. Felizmente que, à medida que contornamos a curva de aprendizagem de Overwatch, não paramos de nos divertir à brava. E eu nem era grande fã de multiplayers online!

 

Ao longo de cada partida podemos alternar entre personagens. Mais do que uma possibilidade, depressa vão perceber que esta componente se vai mostrar fundamental e algo a que nos devemos habituar se quisermos alcançar a vitória. Claro que depois de algum tempo de jogo, todos teremos o nosso herói preferido mas o que fazer quando em vez de precisarmos de atacar, subitamente tivermos de defender a nossa posição? E se a equipa contrária encontrou uma forma de aniquilar a nossa? A nossa teimosia, ou relutância, pode custar-nos caro. Há que estar atento ao desenrolar do combate e desenvolver a nossa capacidade de resposta e adaptação.

No final de cada partida chega o momento de assistir ao vídeo que mostra o momento do jogo e de votarem nos jogadores que mais se destacaram, reconhecendo o trabalho por eles desempenhado no campo de batalha. Quer ganhem ou percam, a vossa prestação garante-vos pontos de experiência com os quais podem subir de nível. A cada nível ganham uma caixa de loot. Estas caixas trazem apenas acessórios de cariz estético, como fatos para os vossos heróis, imagens e por aí fora. Bolas Blizzard que tens sempre de colocar um sistema de loot viciante em tudo! Se quiserem podem comprar estas caixas com dinheiro real mas sinceramente acho que não vale a pena.

Apesar desta ligeira micro-transacção, não se preocupem, pois não existe Pay to Win, uma vez que o que podem comprar são as já mencionadas caixas de loot. Em relação ao futuro conteúdo, saibam que a compra do jogo funciona como a aquisição de um pacote Premium que vos dará acesso a todos os conteúdos que venham a ficar disponíveis, como mapas e personagens, sem quaisquer custos adicionais. No próximo mês chegará, por exemplo o modo competitivo, com tabela de classificações. Uma vez que estamos a falar da Blizzard, lá está, quer se goste quer não, o apoio aos seus jogos é inegável e por isso parece-me que vamos ouvir falar de Overwatch durante muito tempo e ainda bem!

Overwatch não podia ter chegado da melhor forma ao PC, Xbox One e PS4 (versão analisada) O (ainda) escasso conteúdo em termos de modo de jogo é compensado por um impressionante conjunto de heróis. Todos são incrivelmente detalhados e trazem consigo uma personalidade e um leque de habilidades de tal forma distinto que cada um nos confere uma diferente forma de jogar Overwatch. Esta foi sem dúvida uma das melhores surpresas do ano. Uma experiência incontornável que só fica melhor quando partilhada com amigos.



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