OvO

Apresentam-se à RDB...

“A variedade de abordagens é, para nós, uma das facetas mais interessantes da música actual”

Os Ovo, banda estreante do panorama da música electrónica portuguesa, acaba de lançar o seu primeiro álbum homónimo de originais. Doze temas trabalhados pelo colectivo e produzidos por Tom Aithenhead, que conta com a colaboração de Melo D e com Sérgio Godinho como fonte de inspiração lírica, além de uma homenagem ao compositor e músico português.

Neste registo, os Ovo partem da maqueta lançada em 2002 e, depois de um período de composição que ajudou a traçar a personalidade da banda, apresentam um novo trabalho que os satisfaz. Os mesmo não hesitam em afirmar que a “Maqueta 2002 ”ficou bastante aquém do que desejávamos e apenas aproveitámos os temas que deram origem aos dois primeiros singles. O critério de auto-avaliação foi sempre o mesmo: será que comprávamos este disco?”.  A resposta terá sido um redondo e “unânime”não.

No entanto, não foi só o álbum que terá mudado, também a forma como a banda se apresentava em palco deixou de fazer sentido, já que chegaram a dar alguns concertos com um quarteto de cordas, sendo que a presença do mesmo era a componente forte da maqueta produzida na altura.

Porém, o que se mostrou incomportável “financeira e logisticamente” acabou por se revelar essencial para a música que actualmente fazem. “Fomo-nos apercebendo que o que perdíamos em riqueza harmónica era largamente compensado pela energia do resultado, muito mais coerente com a força da mensagem escrita.”

Ser uma banda “tradicional” é factor importante para os Ovo e, por isso, apostam numa composição lírica forte a par da programação electrónica dos instrumentais – “Queríamos que o lado mecânico da electrónica desempenhasse um papel preponderante, mas não queríamos deixar de ser uma “banda”, no sentido clássico do termo, com toda a orgânica que isso implica”, na procura de um entendimento entre as várias linguagens que pretendem abranger.

A linguagem é actual e urbana. Segundo os Ovo, é na cidade que vivem e é esta que transportam para o álbum, pois trata-se de uma reacção/transformação, um ponto de partida – “Queremos olhar para essa vida com outros olhos (…) A mudança de vida que várias vezes anunciamos ao longo do álbum passa, essencialmente, por uma mudança de atitude face à vida em questão e aos valores que se prezam e se defendem.”

A língua portuguesa usada nas letras é um processo natural para Nuno Barreiro, letrista principal e guitarrista da banda. O projecto foi concebido para Portugal e uma das maiores referências da banda quando escreve em português é o compositor e cantor Sérgio Godinho que homenageiam na canção «A solução que me envolve», ao usar um sample da sua respiração.

Importa então absorver as referências e dar uma assinatura própria, levando em conta os contributos dos convidados que participam no disco, neste caso Melo D, n ´“O tema «Dá-me carinho» [que] foi escrito a pensar nele e na forma como concebe e interpreta a música. Fizemos questão em deslocá-lo do seu contexto musical habitual, para que a colaboração tivesse um sentido particular.” , afirma Nuno Barreiro.

Na produção, Tom Aitkenhead, amigo de longa data da banda, vai de encontro à vontade de concisão e miscegenação sonora que a banda procura “para que a mensagem não se perdesse pelo caminho da música.” Não hesitando em referenciar que o equilíbrio entre a programação e a música tocada foi o passo mais difícil que os Ovo deram até à edição do disco.

Os Ovo são compostos pelo guitarrista Nuno Barreiro, a par com Maria Radich nas vozes, Filipe Malta nos teclados e o baixista Tiago Gonçalves e preparam-se para a divulgação do álbum e concertos.



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