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Pace of Design

Exposição inserida na EXD 09, patente no Antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres.

“As diferenças culturais têm influência no trabalho dos Designers. Será esta afirmação verdadeira ou falsa?”. Foi com esta questão como mote, aliada a uma grande curiosidade, que a curadora austríaca Tulga Beyerle, durante 6 meses, visitou 7 estúdios de Design espalhados pelo Mundo fazendo nascer assim a exposição Pace of Design que pode ser visitada até 8 de Novembro, no Antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres.

Aos ateliers Lunar Design de S. Francisco, Fernando e Humberto Campana de S. Paulo, Haldane Martin da Cidade do Cabo, Konstantin Grcic de Munique, cks de Delhi, Michael Young de Hong Kong e Ichiro Iwasaki de Tóquio foi proposta a análise de particularidades como as horas de almoço, os intervalos, os ritmos de trabalho e até a música que ouvem.

Ao longo de 60m2, a exposição desenrola-se sob 5 temas. Cronologia do Projecto, Mapear 7 Estúdios de Design, Espaço e Mão-de-obra e A Rotina Diária, apresentam uma posição propositada onde se começa por apresentar factos gerais e se centra, à medida que avançamos pelo antigo picadeiro, nas especificidades de cada atelier, características que estão, afinal, no cerne da pesquisa.

Tendo por base a ideia de que o entendimento do tempo não é linear e aumenta com a experiência, Tulga afirma que “algumas descobertas não são, de todo, particulares. No entanto, a especificidade é o mais interessante de todo o trabalho e é ai que se torna extremamente difícil de o descrever.

Achei muito difícil não cair em estereótipos e ainda assim dar a perceber que há diferenças entre os estúdios. O calor em Delhi, por exemplo, é horrível, nunca tinha sentido algo assim. E isso tem um significado, uma influência no sítio onde trabalhamos, almoçamos…. Há um cozinheiro que é barato e poupa tempo. Em Munique, por outro lado, toda a gente vai almoçar fora”.

A curadora acredita que “mais do que nunca, todos aprendemos a apreciar estas diferenças e cuidar delas de uma forma muito moderna”, apesar de reconhecer que, num mundo que tende cada vez mais para a Globalização, haverá sempre quem defenda que estas características singulares não vão desaparecer.

“Espero também, pessoalmente, que num tempo de crise económica possamos reconsiderar a produção de massa. Quando olhamos para o trabalho dos novos designers, vemos que eles trabalham as diferenças culturais com muito cuidado. É importante percebermos que, no fim, a rapidez não é um problema”, conta.

A trabalhar pela primeira vez em Portugal, a curadora confessa que aqui “toda a gente se atrasa. Fico doida!”. Não consegue, contudo, esconder a admiração pelo trabalho nacional: “O nível de tecnologia e artesanato é perfeito, não podia ser melhor. Não somos tão bons na Áustria. E a simpatia e doçura das pessoas é incrível, faz com que seja impossível chatearmo-nos”.

Mas o compasso do penúltimo dia da semana inaugural da EXD’09 foi também marcado pelas já conhecidas Open Talks e Conferências de Lisboa.

Sob a égide do tema Back to the future of Design, a crítica de Design Alice Rawsthorn conduziu a 4ª Open Talk desafiando o curador Joseph Grima, a arquitecta Lindy Roy e o designer de software Ben Fry a assinalar uma época ou personalidade na História do Design que tenha sido negligenciada e a propor um tema que nos conduza para o futuro, tanto desta disciplina como da Arquitectura.

Naquela que foi também a 4º Conferência de Lisboa, Konstantin Grcic, enquanto parte do grupo de designers contemporâneos mais conhecidos na Europa, apresentou-nos os seus trabalhos como designer industrial desde 1991. Giulio Capellini cuja intervenção estava preparada para o dia de ontem, acabou por não a fazer por motivos de saúde. Ainda assim, Grcic não deixou de manifestar a sua admiração pelo arquitecto, estratega e director criativo que “para além de ter sido uma das primeiras que conheci e produziu o meu trabalho, é um dos maiores nomes do Design do nosso tempo”.



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