“Padeira de Aljubarrota” | Maria João Lopo de Carvalho

“Padeira de Aljubarrota” | Maria João Lopo de Carvalho

Elogio metafórico à mulher portuguesa

Maria João Lopo de Carvalho, uma das mais ativas e preponderantes vozes portuguesas do mercado livreiro nacional, tem cerca de meia centena de obras publicadas, entre títulos infantojuvenis, manuais escolares, romances e obras de cariz histórico.

Depois do sucesso com “A Marquesa de Alorna”, a autora natural de Lisboa volta aos grandes romances históricos com “Padeira de Aljubarrota” (Oficina do Livro, 2013), um livro que aborda, de diferentes perspetivas, a lenda da famosa Brites de Almeida, mulher de armas e uma das grandes referências no que toca à estoicidade e resistência nacional face às adversidades.

De uma extraordinária riqueza no que toca aos pormenores, “Padeira de Aljubarrota” é um grito de revolta contra as crises várias e intemporais, fazendo da coragem e determinação no feminino a melhor das metáforas contra o período atual do Portugal de hoje, alvo de assinalável crise e vítima da desesperança coletiva.

No centro desta muito interessante e cativante narrativa está Brites de Almeida que, envolta de um ímpar fôlego patriótico, enfrenta as intrigas resultantes da política da rainha-infanta D. Beatriz de Portugal, uma forte aliada de Castela.

Mas não apenas de espírito guerreiro vive este livro. Lopo de Carvalho dá-nos uma visão mais feminina e deliciosamente sedutora de uma mulher que tinha consigo outras armas para levar de vencidas batalhas no campo dos sentimentos.

Dividido em quatro partes, “Padeira de Aljubarrota” denota influências dos estudos do mestre Fernão Lopes e, através de um confronto de Beatrizes, leva-nos de volta aos primeiros passos da afirmação e extensão da noção de portugalidade, que tem marcada nas suas raízes feitos – lendários ou não – de personalidades que ajudaram à atual definição patriótica.

De forma a colorir ainda mais esta cativante estória, as páginas centrais de “Padeira de Aljubarrota” mostram algumas imagens que retratam a narrativa que Maria João Lopo de Carvalho oferece ao longo das mais de 500 páginas deste romance, onde a intriga, a ação, a coragem e a resiliência de um povo estão gravadas a fundo no perfil da conhecida padeira que tinha seis dedos em cada mão.



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