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Panorama 2012

"Como se vê um documentário português?". Este é o mote para a 6ª Mostra do Documentário Português que vai decorrer entre 13 e 21 de Abril no Cinema São Jorge. Colocámos essa mesma pergunta aos seus programadores

Fernando Carrilho

“A pergunta poderá remeter-nos para o lugar de onde se vê e consequentemente para a forma como vemos, podemos adoptar uma abordagem quantitativa ou qualitativa. Em relação à primeira abordagem, o documentário português tem ainda um enorme território para conquistar entre as salas de cinema, televisão, galerias, museus e internet. Mas nestes meios e no processo árduo de visibilidade, não podemos perder de vista as origens, ou seja, o Cinema.

Tratando-se de um encontro entre espectador e obra, o lugar, o meio e as condições de observação e audição são naturalmente determinantes para a percepção. No espaço e no tempo desse encontro deverá ocorrer um ritual, uma experiência com o novo, transportando aquilo que somos, afectando as nossas sensações e movendo o nosso pensamento.

Qual é a diferença entre a projecção de uma obra cinematográfica numa sala escura e o visionamento da sua reprodução num pequeno ecrã?

O autor que negligenciar o médium estará mais longe do espectador.

Destaco a sessão do dia 15 De Abril – Domingo às 21h, um conjunto de filmes que nos levam para longe, numa viagem sem retorno. Dois documentários que questionam o tempo, a memória, o movimento, a ficção e a realidade, enfim o Cinema”.

 

15 De Abril – Domingo às 21h Link
Cinema São Jorge Sala 3


"A Arca do Éden"


“A Nossa Casa”, de João Rodrigues
“A Arca do Éden”, de Marcelo Félix

Bio

Nasceu em Lisboa em 1974, licenciou-se em Ciências da Comunicação e da Cultura com especialização em Audiovisual e Multimédia; fez mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação, com a dissertação: “Estruturas de Produção do Documentário Português”. É coordenador da Videoteca Municipal de Lisboa e realizador. Da sua filmografia destacam-se “Linha 8” (2002) “Opus – Gil Teixeira Lopes” (2003), “Abalar” (2004) e “Ophiussa – Uma cidade de Fernando Pessoa” ( 2011).


João Rapazote

“Ver o documentário português também implica que se dê particular atenção àquele que reflecte a intenção do autor, a sua subjectividade, na forma como escolhe perspectivar a realidade que representa. Um “documentário criativo” que experimenta e inova sem deixar de se inspirar naquilo que de mais específico provém da linguagem cinematográfica. Um documentário que se vê preferencialmente na sala de cinema, mas que se tem “expandido” para a galeria de arte e o museu. Dito assim, pode parecer elitista, difícil de chegar ao grande público… Mas nem sempre é o caso.

Por isso destaco a sessão de 5ª Feira, dia 19 de Abril, às 21h, em que os filmes conseguem incorporar essas subtilezas sem deixarem de ser acessíveis. Primeiro, porque podem ser vistos como emanação de uma das tradições mais nobres do documentário, o registo etnográfico – estão em causa dois rituais religiosos. Mas depois, quando se dá atenção aos pormenores – é aí que está Deus (ou o Diabo, que anda à solta no dia de S. Bartolomeu) –, porque também é possível ver-se instalar entre o “texto” e a imagem um jogo de interferências que foge ao cânone desse registo, que inova e experimenta, mesmo quando utiliza artifícios clássicos. Em “Água Fria”, à imagem “objectiva” de planos claros e esteticamente apurados que acompanham o evento, sobrepõe-se um conto quase gótico narrado pelo autor, precisamente em voz-off. Em “Pão Nosso” é ao texto “isento” e quase descritivo do que vai acontecendo, diálogos entre protagonistas, que se associa uma imagem subjectiva, em que os planos, o posicionamento e os movimentos da câmara dão a perceber o autor que está por detrás.”

 

Sessão 19 de Abril, Quinta, às 21hLink
Cinema São Jorge – Sala 3

foto do filme "Pão nosso"

“Água Fria”, de Pedro Neves
“Pão Nosso”, de Mónica Ferreira e João Luz

Bio

João G. Rapazote é geógrafo e mestre em Antropologia do Espaço. Como Técnico Superior na Câmara Municipal de Lisboa, tem coordenado a produção de actividades culturais no âmbito do projecto AFRICA.CONT, sendo de destacar o ciclo de cinema “African Screens-Novos Cinemas de África” (Cinema S. Jorge, 2009). Desde 2007 tem publicado alguns artigos sobre documentários, nomeadamente a dissertação de Mestrado intitulada Territórios Contemporâneos do Documentário: O Cinema Documental em Portugal de 1996 à Actualidade (www.bocc.ubi.pt, 2010).

 

Fernando Carrilho, João Rapazote e Madalena Miranda

 

 

Madalena Miranda

“O documentário português vê-se ainda de forma selvagem. Apesar de se ver cada vez mais, continua a ser visto em mostras, festivais, encontros informais, mas pouca vezes cumpre o encontro com a sala de cinema, mas também não contagia ainda o espaço da Internet.

Interessa perguntar a quem faz, como se faz uma coisa que é para ser vista por outros, como é que esta proposta atravessa o trabalho de construção destes filmes. Porque se fazer um filme é fazê-lo existir, mostrá-lo é fazer persistir a sua memória e dar-lhe uma história.

Destaco a sessão de Sexta dia 20 às 21h. Uma sessão com um conjunto de filmes panorâmicos, onde diferentes experiências, propósitos e filmes se cruzam e dão a ver a pluralidade do que se está a fazer hoje e que quer fazer parte deste PANORAMA.”

Sessão 20 Abril, sexta às 21hLink
Cinema São jorge, Sala 3

"Auf Wiedersehen - für Gwen und Soren"

“Quase Meio-Dia”, de João Luz
“O Sétimo Andar”, de Olga Alfaite
“A Ilusão Permanece”, de Márcio Laranjeira e Francisco Lezama
“Aufwiedersehen – fur Gwen und Soren”, de Daniel Pereira

Bio

Nasceu em Lisboa, licenciou-se em Ciências da Comunicação, fez o mestrado em Antropologia. Realizou seis episódios da série “Inter-Europa” (2002) e os filmes “Um Olho Para Ver, Outro Para Sentir” (2001), “Naquele Bairro” (2002) e “Estrela da Tarde” (2004), “Na Pele do Urso”(2004), “Espaço de Ensaio” (2006), “Diário de Turma” (2008), “Livros Viajantes” (2011).



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